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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Ninguém Segura os Smartphones

O gráfico abaixo, anunciado como uma boa notícia, dá uma clara dimensão do que está ocorrendo hoje na Web. Ele mostra o incremento do tráfego da Internet em telefones celulares. Atualmente ele já é 10% do total. Em breve será maior do que o acesso por meio de PCs.

Moral da história: para que seja mesmo uma boa notícia para nós, profissionais de Informática, temos que desenvolver para celular moçada !


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Tecnologia e Segurança Pública

Abaixo o vídeo com minha palestra realizada em São Paulo há alguns dias onde falo sobre Segurança Pública e Tecnologia da Informação. A apresentação fez parte de um seminário coordenado por Luis Nassif do portal Dinheiro Vivo.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

iPhone ou iPad?

Nesses dias em que se aproxima o lançamento do iPhone 5, voltam a surgir rumores de todos os lados sobre o que essa nova versão do telefone mais famoso do mundo terá. Parece ser verdade de que ele será um pouco maior e que alguns acessórios como os fones de ouvido serão diferentes.

Não estou muito ansioso, afinal dia 12 de outubro está bem perto e não conto mesmo trocar meu iPhone 4 ainda. Agora o que gosto dessa época é porque surgem alguns rumores que são muito criativos e que, as vezes, chegam a ter ares de ficção científica.


Este vídeo abaixo é um exemplo disso. Nele vê-se as novas características que deverão fazer parte de um novo iPhone . Algumas podem estar presentes no próximo iPhone , outras, ainda demorarão um pouco.


A mais interessante é a capacidade do celular esticar e ficar maior virando uma espécie de iPad . Acredita-se que o avanço em novos materiais conhecidos por metais líquidos e polímeros porosos vão permitir o elasticimento em torno de 200% do tamanho original. Caso isso venha realmente a ocorrer no futuro, estaremos falando de um iPhad?

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Visão da Google

A blogesfera e a mídia de tecnologia essa semana deu, não surpreendentemente, muito espaço para o protótipo do Google Glass, um óculos que lhe permite ficar conectado na web a todo instante. A gigante de Mountain View tem hoje o poder de divulgar publicidade sem pagar um tostãozinho. Tudo que lançam gera “mídia espontânea”.

Convenhamos, não sem razão. Google é uma fábrica de inovações (alguns de meus textos sobre a Google podem ser vistos aqui e aqui). Mas afinal esses óculos são tão inovadores assim mesmo? Vejam um dos vídeos que descreve os óculos abaixo. Ele permite aos usuários estarem conectados na web e fazerem uso de serviços diversos, principalmente os ligados a localização, de forma imediata.

Embora pareça muito futurístico, a proposta não é muito diferente do que já existe hoje em telefones celulares. A combinação de serviços de fotos, consulta em mapas e uso de vídeos, tudo isso com interface via voz ,já está presente nos melhores SmartPhones. O que surpreende na proposta da Google é a mudança do paradigma de que o telefone deixaria ser usado desacoplado do corpo como o fazemos hoje. As mulheres então o desacoplam demais ao colocarem os seus dentro das bolsas (e consequentemente o “perdem” e/ou não atendem as chamadas).

Ao propor um novo modelo de usar um smartphone que passa a ser vestido pelo usuário, ela fortalece a ideia, que lhe é interessante, de que estaremos conectados a todo e qualquer momento. Os impactos dessa proposta são imensos. Ela vislumbra um futuro onde a interação com a Web será natural como quem conversa com um amigo. Tal naturalidade enfatiza o quanto será necessário termos soluções, também naturais, para proteger a privacidade das pessoas. Alguém vai se preocupar com isso? Ou será como a política de privacidade do Facebook que segue a linha de Mark Zuckerberg que já declarou “Who cares about privacy?”. 


domingo, 1 de abril de 2012

Gmail Motion

Que o Kinect da Microsoft tem apontado para uma nova forma de interação com computadores através de gestos ninguém duvida. Google ficaria atrás? Bem, não sei se isso preocupa mesmo os engenheiros de Mountain View, mas que o tema serve para uma boa piada de primeiro de abril, serve. Vejam abaixo o vídeo da nova tecnologia para reconhecimento de gestos a ser usada no Gmail.

E se não fosse primeiro de abril? Você acreditaria?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

5 em 5

Todos os anos a IBM lança um relatório em que faz previsões sobre o que será revolucionado nos próximos cinco anos devido às novas tecnologias emergentes.  Creio que esse negócio de fazer previsões em tecnologia é uma grande peça de marketing. É tarefa tão difícil que não acredito que os pesquisadores da IBM estejam preocupados com a acurácia das mesmas, mas como eles sabem que reverbera, nada como um relatório desses para ganhar mídia espontânea. No relatório deste ano, as seguintes previsões foram feitas:

Energia vinda das pessoas e das coisas que usamos. Em breve, os pesquisadores da IBM acreditam que até o próprio corpo humano servirá como fonte de energia para sensores e chips instalados no corpo humano.

Identidade biológica, características biológicas serão de mais em mais a forma mais natural de identificar um dispositivo digital e de se identificar par esses dispositivos. Senhas serão coisas do passado. Chegaremos em um caixa eletrônica e bastará falar nosso nome para ser atendido.

Leitores digitais da mente. Tecnologias que permitem a interação com computadores através do pensamento serão difundidas. Já escrevi sobre Brain Human Computer Interface aqui mesmo no blog

Fim do Gap Digital. Devido à difusão das tecnologias digitais móveis, inclusão digital não será mais necessária. As pessoas serão incluídas naturalmente.

Personalização da informação será natural. Publicidade, por exemplo, será tão precisa em relação aos interesses dos usuários que o número de spam será cada vez menor e mais fácil de ser detectado.

As previsões variam radicalmente em termos de viabilidade e impacto. As duas primeiras previsões estão mais no campo da ficção científica. Em matrix, o ser humano já servia de bateria para máquinas, enquanto que em Gattica tínhamso todos identificadores únicos. As duas últimas são bem mais viáveis e não envolvem tanta revolução assim. Na verdade, a IBM tem investido forte em Business Intelligence, Smart Cities e outros termos midiáticos referentes ao tratamento de grandes volumes de dados. Era de se esperar que esse tipo de tema fizesse parte de um relatório vindo de lá.

A questão da inclusão digital me parece mais retórica. Contempla um otimismo meio que alienante. Afinal de contas, sem inclusão educacional fica difícil acreditar em inclusão digital. Não sei para que mundo a IBM está olhando.

Agora um ponto crucial que é quase ortogonal à essas precisões é de que elas agridem radicalmente à nossa privacidade e levanta mesmo questões morais sobre o acesso de nossas informações mais íntimas. Essas questões não parecem ser interessantes de serem levantadas pelos pesquisadores da IBM, pelo menos não em uma peça publicitária. Veja mais sobre as previsões no vídeo abaixo (em inglês):


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Desafios da Inovação

Volto ao tema da inovação que já foi objeto de algumas reflexões aqui e aqui. Lembro, primeiramente, que a FUNCAP (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico do Estado do Ceará) está com três editais de subvenção econômica para empresas em aberto.

Participei, semana passada, de várias reuniões em que empresários cearenses expuseram suas dúvidas, queixas e dificuldades para fazer inovação. Algumas dúvidas e problemas foram mencionados e que achei merecerem reflexões.  

Outro questionamento comum é sobre a necessidade de se ter um pesquisador na equipe técnica. Não é obrigatório contar com  um pesquisador na equipe, mas é salutar que isso ocorra. Pesquisadores normalmente tem o perfil para responder a uma das perguntas que mais atormenta o empresário: “Essa ideia é inovadora?”. Como pesquisadores são obrigados a estarem na fronteira do conhecimento, eles têm naturalmente a visão do que pode se constituir uma inovação. Evidente que isso não exime o feeling que os empresários têm sobre se a ideia dá dinheiro.

Quase todos se queixam que é muito pouco tempo par fazer um projeto e mesmo para achar colaboradores. Se a postura das empresas for a de reação à editais de fomento, essa queixa vai continuar a ocorrer. Muitas vezes algumas empresas pedem-me indicações de colegas pesquisadores para assinar projetos que já estão preparados. Querem doutores de aluguel! Impossível isso acabar bem. Inovar é um processo que deve estar internalizado nas organizações e a cooperação com a academia deve ocorrer independentemente de um edital específico. Os pesquisadores devem conhecer as potencialidades da empresa e os problemas que as impedem de crescer. Só assim conseguirão vislumbrar oportunidades. Quem ainda não começou a se preparar já está atrasado. O Brasil acordou para a inovação e não há nada que indique que isso vai se acabar logo.

Outros dois aspectos mais pontuais e que se referem à feitura dos projetos são os seguintes. Algumas empresas apresentam projetos de inovação com pouca ou nenhuma relação com o que ela tem expertise ou experiência. É preciso lembrar que os avaliadores vão buscar verificar se a Empresa tem condição de desenvolver o projeto. A experiência demonstrada na área que se propõe o projeto é determinante para ser bem avaliado.

Muitos projetos apresentam valores para aquisição de equipamento e insumos muito elevados e sofrem cortes bruscos. É preciso compreender que a subvenção visa subsidiar o processo de inovação e não o processo de produção. É comum a apresentação de propostas em que os equipamentos e muitas vezes os insumos são em volume injustificáveis para a inovação. Por exemplo, se para desenvolver a inovação é preciso comprar um insumo, espera-se que o volume necessário para isso seja somente em escala para uso em laboratório. Depois da inovação feita, cabe ao empresário buscar outros recursos para comprar os insumos em volume em escala industrial. 

terça-feira, 14 de abril de 2009

Aplicações para o iPhone

Uma das maiores críticas que se faz ao iPhone deve-se ao fato que ele não é considerado bom para atividades de escritório. Ou seja, ele não é muito como um Palm Top. Isso acontece muito em função da inexistência de teclado que muitos acreditam ser seu grande problema. Seus concorrentes como o Black Barry apostam nessa característica como diferencial competitivo. Evidentemente que a Apple não vai ficar quietinha e concordar com isso. Vejam o vídeo abaixo. A aposta da Apple é de que haverá (na verdade, já existem) aplicações para quase tudo que se quer fazer em um ambiente de escritório. O que defende a Apple é que a inexistência de um teclado vai reformular os meios de interação com o telefone. A aposta é grande, mas o apostador tem cacife. Admito que torço pela aposta da Apple, pois eu, se for depender de interações efetuadas em pequenos teclados de telefones celulares, não vou a lugar nenhum.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Novidades em Gengibre

Em conversa com Cazé, apresentador da MTV, empreendedor na Web e um dos idealizadores do site Gengibre, descobri que já é possível publicar áudio no site em Fortaleza pagando ligações locais. Vale a pena lembrar que em Gengibre o internauta registra uma mensagem no site, mas ao invés de uma mensagem de texto, o registro é feito em áudio. Na verdade, são várias as cidades brasileiras que estão cobertas pelo serviço. Vejam abaixo os números de Gengibre nas diferentes cidades. Vejam também um exemplo de um post de voz que fiz com um trecho da conversa com Cazé.Basta clicar no botão de "play". Ele dá inclusive dicas de como o serviço tem sido usado de forma criativa.


quarta-feira, 1 de abril de 2009

Robôs Lendo Mentes

A Honda e um Instituto de Pesquisa Internacional no Japão desenvolveram uma nova tecnologia que permite a um robô imitar os movimentos de uma pessoa através da leitura dos padrões de atividade no cérebro dessa pessoa. Se a pessoa fechar as mãos, o robô faz o mesmo; basta levantar dois dedos para cima, e o robô faz a mesma coisa. Na verdade, isso em si não é uma completa inovação, pois algumas pesquisas já tinham desenvolvido dispositivos que podem ser operados por eletrodos implantados (veja o vídeo abaixo). Entretanto, este é o primeiro sistema do mundo a promover o movimento de um robô somente analisando as mudanças no movimento natural do fluxo sangüíneo causado pela atividade cerebral. Essa tecnologia usa imagens de ressonâncias magnéticas que capturam súbitas mudanças que ocorrem no fluxo sanguíneo no cérebro quando as pessoas se movem. A qualidade da leitura da mente feita pelo robô varia de pessoa a pessoa, mas a taxa de leituras correta da mente chegou a 85% dos gestos feitos pelas pessoas. Esses avanços nos dão uma indicação de algo muito interessante que está para nos atingir no que se refere à interação com computadores: poderá ser possível controlá-lo sem nenhum contato físico. Ele lerá nossas mentes!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Prof. High Tech Obama

Obama já entrou para a história mesmo antes de começar seu governo. No entanto, seu início de gestão dá indicações que ele não vai se contentar com pouco. Afora, seu arrojado plano de recuperação econômico que está atropelando todos os que são contra, seu estilo high tech é bem inovador. Nessa semana que estive nos EUA, o que mais me chamou a atenção foi a sessão de abertura de Q&A (Questions and Answers - Perguntas e Respostas) que fez com os cidadãos através da Internet. Por vídeo conferência, ele recebe perguntas dos cidadãos sobre os mais diversos e complexos assuntos. É aqui que ele demonstra uma característica até então desconhecida (pela surpresa que percebi dos comentários na mídia): ele tem uma enorme didática. Consegue falar de problemas complexos em um linguajar simples, mas consistente. Isso não é nada fácil. Um político que vi fazer isso meuito bem foi Antanas Mockus prefeito duas vezes de Bogotá. Mas ele é professor universitário, o que já ajudava muito. Aqui por essas bandas, a maioria dos políticos só tem coragem de falar sem sofrer interrupção e ser interrrogado. Vamos ver se o estilo Obama faz escola. Aliás, a mídia não ficou somente surpresa com o estilo Obama. Ficou um pouco enciumada também. Afinal de contas essa estratégia de comunicação exclui intermediários. Sem dúvida alguma, uma grande novidade. Vamos ver se ele vai ter fôlego para continuar.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia

Já tinha mencionado em textos anteriores o quanto a ciência brasileira está a receber investimentos nesses últimos anos. A diferença do tempo em que voltei de meu doutorado em 1997, há dez anos atrás, é estupenda. Na época, não tinha recursos para fazer nada. A única fonte de financiamento era o CNPq que possuía verbas reduzidíssimas que só chegavam a um pequeno grupo de pesquisadores mais experientes. A situação hoje em dia é tão diferente que não me canso de, nas minhas palestras a alunos, incentivá-los a fazer pesquisa. Falta gente! É preciso quebrar um paradigma, ainda disseminado na sociedade em geral, de que não temos, nós brasileiros, condições de estrutura, material e financiamento para realizar ciência de alto nível. O mais recente edital lançado pelo CNPq distribuiu mais de R$ 600 milhões a grupos de pesquisa de excelência no País para criação de Institutos de C&T. Esses Institutos (percebam que, embora com esse nome, não se trata obrigatoriamente de um prédio) são redes regionais ou nacionais de cientistas com o objetivo de estudar um tema específico. O objetivo é financiar continuamente grupos de pesquisa de alto nível. O Estado do Ceará foi contemplado com três Institutos, todos na UFC, nos seguintes temas: Biomedicina do Semi-árido, coordenado pelo professor Aldo Ângelo Moreira Lima, Transferência de Materiais Continente-oceano, coordenado pelo professor Luiz Drude de Lacerda e Salinidade, coordenado pelo professor José Tarquínio Prisco. O edital recebeu 261 propostas, das quais 61% vieram da região Sudeste. Dos recursos disponíveis, serão destinados 35% para os projetos dos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, 15% para o Sul e 50% para os do Sudeste. Trata-se de um processo competitivo e a submissão de propostas só podia ser feita por pesquisadores nível 1A ou 1B do CNPq (ou equivalente!?). Não sei qual critério o CNPq usa para definir o que pode ser equivalente a um pesquisador 1A ou 1B. Requer pelo menos, como especificado no Edital, capacidade para liderar projetos complexos e com vários participantes, e liderança demonstrada por publicações de impacto em revistas científicas, patentes nacionais ou internacionais, e expressivo resultado em orientação de dissertações ou teses e supervisão de pós-doutores. Para se ter uma idéia do quão difícil é submeter o pedido do Instituto, não há no Estado do Ceará, nenhum pesquisador 1A ou 1B, por exemplo, em Computação. Aliás, chamou-me atenção o fato que o Estado de São Paulo teve 35 Institutos contemplados, mas nenhum em Computação. Projetos em Computação com coordenadores da UFRJ, UFMG e UFPE foram os únicos contemplados.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Aurora

Os vídeos que estou publicando abaixo foram produzidos pelos laboratórios Mozilla, aqueles que produzem o Firefox e que, de longe, é o melhor browser dos dias atuais (se você ainda não o usa, clique aqui para instalá-lo gratuitamente em seu computador). Eles mostram diversas funcionalidades que são esperadas fazerem parte dos browsers do futuro (batizado de Aurora pela Mozilla). Exemplos de integração de dados e programas de diferentes fontes (mashups), colaboração com compartilhamento de dados visualizados no browser e interfaces inteligentes fazem parte do vídeo e certamente estarão cada vez mais presentes nas próximas gerações de browsers. Vejam aqui o texto e vídeo que escrevi sobre Ubiquity que é um exemplo de como o próprio usuário pode fazer mashups. Mas não são somente as idéias exploradas no vídeo que me chamam a atenção. O próprio vídeo merece destaque. O barateamento da produção e da distribuição de vídeos pela Internet deixou muito popular esta forma de apresentação de idéias. Trata-se de uma forma de prospecção de inovações que é produzida com uma qualidade boa (muitas vezes profissionalmente, mesmo que não obrigatoriamente) e que tem o poder de divulgar e de entreter.


Aurora (Part 1) from Adaptive Path on Vimeo.

Aurora (Part 2) from Adaptive Path on Vimeo.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Teses em Prateleiras

Na semana passada, participei de uma mesa redonda sobre Inovação no auditório Luis Esteves na Federação das Indústrias do Estado do Ceará. De uma forma geral, percebe-se uma convergência no discurso de que a inovação é necessária e que a cooperação com a academia é o caminho . Aliás, já escrevi sobre isso, mas alguns discursos que escutei recentemente levam-me a revisitar o tema. Na mesa redonda da FIEC, ressalte-se a palestra do Prof. Carlos Pacheco da UNICAMP. Pacheco foi secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia quando Bresser Pereira foi ministro. Teve participação ativa na formulação e operacionalização dos fundos setoriais que são a mola mestra do motor de financiamento em C&T que hoje faz tanto sucesso no País. Pacheco de forma muito elegante disse que o primeiro requisito para se ter cooperações persistentes entre Empresa e Universidade é de se compreender que esses dois agentes possuem agendas próprias. Dito de outra forma, ele estava a dizer que a Universidade não existe só para fazer inovação para as Empresas. A produção de conhecimento é algo eminentemente vasto, eclético, difuso, enfim, não pode ser podado nem restrito, muito menos enquadrado. É na liberdade de se pensar o inusitado, de propor o diferente e de estudar o que aparentemente não se vê aplicação, onde se encontra a capacidade de se fazer grandes descobertas. Essa liberdade não necessariamente está ligada a falta de foco ou implique redução de qualidade. O mecanismo que rege mundialmente a produção de conhecimento é bem definido e há rigor e exigência em todos os momentos. As publicações científicas são avaliadas por comitês de especialistas o que faz com que os pesquisadores sejam obrigados a buscar qualidade no que fazem. Não fazem somente o que lhes “dá na telha” como pode parecer a alguns. Teses e artigos científicos que não têm aplicação prática imediata não estão somente “expostas nas prateleiras” como gostam de expressar vozes incompreensíveis desse contexto. Essas teses alimentam o ciclo de produção de conhecimento, pois são objeto de estudo de outros que podem em futuro, muitas vezes longínquo, achar utilidades práticas para as idéias ali presentes. Interessante é que as mesmas pessoas que falam de teses em prateleiras são as primeiras que gostam de mencionar Havard, Stanford, MIT, etc. como exemplos de instituições de referencia no contexto acadêmico. Só que são exatamente essas instituições que produzem o maior número de “teses de prateleiras”. Conseqüentemente são as mais cobiçadas pelas Empresas para a realização de parcerias. O motivo é simples e fácil de entender. O que as Empresas querem com cooperações com as Universidades é ter acesso ao que não conhecem, ao que não conseguem produzir, querem a novidade. E sabe onde elas estão? Nas tão estigmatizadas prateleiras.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Até Quando a Google Conseguirá Não Ser Detestada?

Recentemente escrevi como Bill Gates e a Microsoft tinham se tornado os Srs. de todos os males (veja aqui), os todos poderosos contra quem deveríamos nos insurgir (algo como o poder americano). Afinal, nada como uma luta de David contra Golias, em particular para uma juventude sedenta de ideais. Pois bem, os últimos acontecimentos no mundo dos negócios já dão indicações que Microsoft não é mais tão poderosa como dantes. Google hoje já possui uma força tão impactante que não é mais novidade perceber quem é o “dono do mundo”. Em um artigo no New YorkTimes essa semana Tim O’Reilly (aquele que cunhou o termo web 2.0) foi muito feliz em sua análise. Ele disse que o objetivo estabelecido pela Google hoje de organizar o mundo (em termos de quantidade e capacidade de acesso de informação) é mais ambicioso do que o da Microsoft no começo dos anos 80. Naquela época a Microsoft tinha como objetivo colocar um computador em cada casa (ou mesmo em cada quarto) no mundo. Durante o transcorrer da busca por esse objetivo (que está praticamente concluída) o crescimento da Microsoft foi ocorrendo. Nos dias atuais isso não tem mais sentido e o objetivo da Google passou a ser o que move o mundo virtual. A grande diferença é que a Microsoft caracterizou-se por uma política protecionista, conservadora e calcada na acumulação de capital pela venda de software proprietário e por estratégias monopolistas. A Google não tem essa mesma estratégia e talvez por isso mesmo seja tão poderosa. Ela procura sempre ser politicamente correta. O interessante é que é aí mesmo que ela torna-se mais poderosa. Recentemente, ao fazer um acordo com Yahoo sobre o uso de seu sistema de publicidade, matou dois coelhos com uma só paulada. Dificultou a compra da Yahoo pela Microsoft e ainda pousou de bom moço ao abrir o acesso a um sistema que até então era exclusivo de sua propriedade. Quanto mais promove a abertura de códigos fontes e outras estratégias de disponibilização de serviços gratuitos, mais enfraquece aqueles que vivem da venda de software e mais fortalece seu modelo de negócio (que se baseia na publicidade). O quanto essa estratégia vai mantê-la em crescimento e, principalmente, mantê-la bem vista, é uma grande interrogação.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Óculos Cyber: Não se Perde Mais a Chave do Carro

Pesquisadores da Universidade de Tóquio desenvolveram um óculos, chamado de “Cyber Goggles” ou “smart glasses”que grava tudo o que o usuário do óculos está vendo. Ele está associado a um sistema que consegue reconhecer o que o usuário está vendo e pode assim assinalar nomes aos objetos que estão sendo vistos. A idéia é criar um banco de dados de objetos vistos e que podem ser recuperados quando o usuário tiver interesse. Funciona como uma memória Hi-Tech. Prometem que, usando esse tipo de óculos, ninguém mais vai perder as chaves do carro ! O sistema é simples e consiste de uma câmera que alimenta com vídeos um computador que fica nas costas do usuário. A chave do sucesso do óculos é um sistema de reconhecimento de imagem para identificar e nomear os objetos que estão sendo filmados. Os pesquisadores japoneses estão tentando ainda utilizar o mesmo tipo de sistema em robôs. Vejam duas fotos que saíram no pinktentacle sobre os smart glasses. Em se tratando de estética, os smart glasses têm muito o que melhorar. Não sei se as mulheres se habilitariam a usá-los dado o aspecto nada bonito que têm agora.

terça-feira, 25 de março de 2008

Fomento à Pesquisa em São Paulo

Na semana passada estive visitando a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa Científica do Estado de São Paulo) que é o equivalente à FUNCAP aqui no Estado do Ceará. A FAPESP é uma referência nacional por uma séria de motivos: sua história que data de mais de quatro décadas, o volume de recursos manipulados (1% da arrecadação do Estado de São Paulo), número de projetos de pesquisa financiados (cerca de oito mil por ano) e número de bolsas de apoio a pesquisa concedidas (7 a 8 mil bolsas por ano). O mais surpreendente é a sua forma autônoma de atuar, coisa que não tinha visto em nenhum órgão público no País. Nem a propalada autonomia universitária dá tanta liberdade. Essa autonomia vem em sua grande parte, da existência de um patrimônio, que vem se avolumando desde a década de 60, de cerca de 1 bilhão de reais. Somente os recursos decorrentes de aplicações financeiras a permitem investir cerca de 25% a mais do que o dinheiro destinado pelo Estado. Não é somente essa autonomia financeira que é surpreendente. Há uma autonomia administrativa que permite, por exemplo, que aumentos salariais, tanto reajustes como promoções, sejam definidos pelo seu Conselho de Administração, sem que sejam pedidas autorizações ao governo paulista nem que sejam seguidas as regras rígidas dos funcionários tradicionais. Não me surpreendeu saber que todos os governos estaduais vivem querendo reformular essa situação inclusive com ações cada vez mais contundentes da Procuradoria Estadual. No entanto, a FAPESP conta com um apoio de peso: a comunidade científica paulista. Uma comunidade que representa o que há de melhor na ciência brasileira e que tem um alto poder de influencia política. Argumentam que se trata de um modelo que está dando certo e que não existe razão para mudanças. Deixando de lado os meandros internos da FAPESP, vale a pensa ressalvar que, nessa visita, começamos a articular uma cooperação FAPESP-FUNCAP que certamente será um marco nas pesquisas científicas no Estado do Ceará. A FAPESP se dispôs a destinar recursos para que pesquisas cooperativas, entre pesquisadores paulistas e cearenses, sejam realizadas conjuntamente em temas estratégicos a serem definidos pelo Estado do Ceará. A contrapartida cearense é aportar recursos de mesma monta que os financiados pelo governo paulista. Tenho uma grande expectativa de que isso aconteça o mais breve possível.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

SYNC – Tecnologia da Informação em Automóveis

A associação da Microsoft com a Ford é indicativo do próximo passo da indústria automobilista para os próximos anos. A tendência é agregar softwares inteligentes para fazer uso dos dispositivos digitais que estarão cada vez mais presentes nos carros. Sistemas de reconhecimento de voz para acionamento de comandos em rádios é um desses exemplos. Dispositivos de orientação em mapas através de GPS também serão cada vez mais vistos em carros. Desta forma, inúmeras aplicações de tecnologia da informação que manipulam mapas chegarão em breve aos motoristas. Abaixo, publico duas propagandas da plataforma SYNC da Microsoft que está sendo incorporada a alguns carros da Ford. Recentemente li que a Apple estaria fechando um acordo com a Mercedes Benz nas mesmas condições do acordo Microsoft-Ford. Em breve será comum comprarmos um carro com a expressão “powered by Microsoft” ou “powered by Apple”.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Expandindo as Funções do Wiimote

Já comentei como a academia tem extensivamente usado o conceito de marketing viral. YouTube, por exemplo, está cheio de vídeos descrevendo inovações advindas de projetos desenvolvidos nas Universidades. Aqui mesmo nesse blog alguns desses projetos foram referenciados (ver aqui e aqui para exemplos). Vale a pena lembrar que ExpertCop também está lá (clique aqui para ver o vídeo). Mais recentemente, achei um projeto muito interessante de um pesquisador chamado Johnny Lee da Universidade de Carnegie Mellow, uma das cinco melhores dos EUA, que teve a brilhante idéia de usar o wiimote (controle remoto do jogo Wii da Nitendo) para funcionar como leitor de interações. Já descrevi o aparelho da Nitendo e de como é divertido usá-lo (clique aqui para vê-lo em ação). Era de se esperar que ele rapidamente passasse a se tornar um equipamento de interação mais amplo do que somente uma console para jogos. Nesses vídeos abaixo já se pode ver como o wiimote poderá ser usado em um futuro bem próximo. Como ele possui uma câmera que lê infra-vemelho, a idéia de Lee foi a de gerar dispositivos que emitam esse tipo de luz. Dessa forma wiimote pode se tornar um rastreador do dispositivo. No primeiro vídeo ele usa os próprios dedos como dispositivos a serem rastreados. No segundo ele evolui a idéia para usar uma caneta. Tratam-se de soluções de baixíssimo custo para quadros digitais e mesmo para a realização de interação em múltiplos pontos como se pode ver nos vídeos. O software usado para controlar as interações está disponível na página do criador (Http://Johnnylee.net) onde se pode encontrar outros vídeos muito interessantes da equipe que Johnny Lee faz parte.



quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Interação Mental com o Computador: Uma Boa Perspectiva para Second Life

Em uma recente participação numa mesa redonda sobre interação humano computador na Universidade Estadual do Ceará fui questionado se via futuro no Second Life(SL). Minha resposta foi um pouco do que já escrevi sobre o tema neste blog (clique aqui para ver). Em resumo, embora existam algumas questões nebulosas que dificultam apostar plenamente no sucesso do SL. Acredito que somente com o surgimento de aplicações que justifiquem se “viver” no mundo virtual pode potencializar seu uso. Descobri uma forma bem interessante disso acontecer ao conhecer um projeto de pequisa japonês (via http://www.pinktentacle.com/) da Universidade de Keio no Laboratório de Engenharia Biomédica. Nesse projeto se usa uma forma muito recente e bem futurista de interface com o computador chamada em ingles de brain-computer interface (BCI) onde se utilize o cérebro para comandar o computador. Isso mesmo. Controle mental do computador! Nada de metafísico, BCI usa eletrodos colocados na cabeça da pessoa para monitorar três áreas do córtex motor (região do cérebro responsável por controlar os movimentos dos braços e das pernas). O monitoramento permite captar sinais que, ao serem analisados por computadores, podem identificar padrões que identificam a intenção do usuário. Os pesquisadores estão usando BCI para guiar avatars no SL. Para controlar os avatars na tela, o usuário simplesmente pensa em mover várias partes do corpo. Por exemplo, o avatar anda para frente quando o usuário pensa em mover seus próprios pés, ou ele dobra a direita ou esquerda quando se pensa em mover os braços direito ou esquerdo. Ainda não é possível comandar os avatars a realizarem gestos mais complexos, mas o pesquisadores acreditam que no futuro esse tipo de sistema poderá ajudar pessoas que têm deficiências de locomoção se comunicar e mesmo trabalhar no SL. É exatamente esse tipo de aplicação que creio pode se tornar a Killer Application (aplicação chave) para o SL. Pessoas que não podem se locomover teriam a possibilidade de fazê-lo no mundo virtual através do poder da mente. E dos computadores, é claro!