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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Inovação e Cooperação Universidade-Empresa


Inovação é a palavra da vez no País e não poderia deixar de sê-la no Estado. O crescimento da economia e a consequente busca por competitividade obrigaram-nos a acordar para a necessidade de inovar.

Consequentemente o tema sobre a necessária aproximação da academia com as empresas ressurge. Vivemos, há não muito tempo, um dilema falso de que a geração de riqueza era dissociada do desenvolvimento científico.

Pesquisadores são os parceiros ideais dos empresários na busca de inovação. Eles, por serem obrigados a estarem na fronteira do conhecimento, têm naturalmente a visão do que é novo. Evidente que isso não exclui o feeling que os empresários têm sobre a viabilidade econômica de uma ideia. Ressalta-se ainda que as possibilidades de aplicar os resultados das pesquisas científicas na sociedade e gerar benefícios em larga escala ficam potencializadas com a participação da iniciativa privada.

Muito embora os benefícios da aproximação dos campos sejam facilmente demonstrados, o desconhecimento das agendas de cada um é terreno fértil para o surgimento de visões estereotipadas negativas.

São mundos com lógicas próprias e que possuem objetivos que via de regra correm paralelamente e não convergem obrigatoriamente. A equivocada percepção de que todas as pesquisas científicas devem necessariamente ter aplicações imediatas é um exemplo disso.

As pesquisas teóricas, pejorativamente chamadas de prateleiras, são as que fornecem a base para que as pesquisas aplicadas ocorram e, em via de regra, são as que causam inovações de ruptura.

O desafio de qualquer sociedade contemporânea, e a cearense em particular, é o de fomentar o desenvolvimento científico amplo, sem preconceitos e que promova o aumento significativo da base de pesquisadores atualmente existente. Só assim pode-se criar as condições favoráveis para que pesquisadores e empresários passem a interagir de forma produtiva, sintam-se motivados a cooperar e, assim, obter os resultados alvissareiros que isto pode trazer.

* artigo publicado na coluna Opinião do Jornal O Povo de 17/05/2011

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Expandindo as Funções do Wiimote

Já comentei como a academia tem extensivamente usado o conceito de marketing viral. YouTube, por exemplo, está cheio de vídeos descrevendo inovações advindas de projetos desenvolvidos nas Universidades. Aqui mesmo nesse blog alguns desses projetos foram referenciados (ver aqui e aqui para exemplos). Vale a pena lembrar que ExpertCop também está lá (clique aqui para ver o vídeo). Mais recentemente, achei um projeto muito interessante de um pesquisador chamado Johnny Lee da Universidade de Carnegie Mellow, uma das cinco melhores dos EUA, que teve a brilhante idéia de usar o wiimote (controle remoto do jogo Wii da Nitendo) para funcionar como leitor de interações. Já descrevi o aparelho da Nitendo e de como é divertido usá-lo (clique aqui para vê-lo em ação). Era de se esperar que ele rapidamente passasse a se tornar um equipamento de interação mais amplo do que somente uma console para jogos. Nesses vídeos abaixo já se pode ver como o wiimote poderá ser usado em um futuro bem próximo. Como ele possui uma câmera que lê infra-vemelho, a idéia de Lee foi a de gerar dispositivos que emitam esse tipo de luz. Dessa forma wiimote pode se tornar um rastreador do dispositivo. No primeiro vídeo ele usa os próprios dedos como dispositivos a serem rastreados. No segundo ele evolui a idéia para usar uma caneta. Tratam-se de soluções de baixíssimo custo para quadros digitais e mesmo para a realização de interação em múltiplos pontos como se pode ver nos vídeos. O software usado para controlar as interações está disponível na página do criador (Http://Johnnylee.net) onde se pode encontrar outros vídeos muito interessantes da equipe que Johnny Lee faz parte.



quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Marketing Viral Chegou na Academia

O conceito de marketing viral é mais um daqueles que está pegando forte carona na Internet. A idéia é de lançar publicidade em redes sociais que facilitam um efeito de contágio normalmente através de trocas de mensagens entre internautas. Este conceito não tem se restringido as empresas comerciais ávidas por venderem seus produtos. Mesmo a academia está se beneficiando deste tipo de marketing para divulgar suas idéias e projetos. Uma grande variedade de projetos universitários são lançados diariamente na rede em sites como YouTube. Já tinha mencionado há alguns meses atrás sobre o projeto de etnografia digital de um professor da Universidade de Kansas (clique aqui para acessar o texto) que por efeito contágio foi visto por mais de 1,7 milhões de pessoas. Outro exemplo de projeto acadêmico é o programa de computador que estou publicando abaixo. Trata-se um exemplo de simulação para uso educativo. O programa tem outra característica interessante que é a mistura entre objetos físicos estáticos e animados. Ao permitir identificar que tipo de objetos está sendo desenhado o sistema os cria de forma dinâmica e permite a realização de experimentos. Evidentemente que não posso deixar de lembra que ExpertCOP também esta no YouTube como mostrado no texto de ontem.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Seu Doutor ou Seu PhD ?

Tenho sempre encontrado pessoas que confundem o significado da abreviação PhD. Uma coisa se sabe: é um termo pomposo para definir alguém com competência em um assunto! PhD significa em inglês Philosophy Doctor. As pessoas que fazem doutorado em países de língua inglesa recebem este título e podem ser chamadas de doutor. No Brasil todo mundo é chamado de doutor (por diversas razões como dinheiro, educação, poder, etc.). Doutor passou praticamente a ser pronome de tratamento como Sr. No resto do mundo os doutores são os médicos e aqueles que fizeram doutorado. Voltando a questão, PhD é a mesma coisa de Dr.( Dr. de quem fez doutorado!). Nos países de língua francesa, ao concludente de um doutorado diz-se ser um Docteur es Science - DSc. Alguns chegam a pensar que PhD refere-se a algo mais importante do que o doutorado e confundem com o pós-doutorado. Não tem nada disso. O pós-doutorado refere-se a um estágio que professores/pesquisadores fazem em Universidades, que não a sua de trabalho, com o objetivo de reciclagem e estabelecimento de colaborações. Corresponde ao que na maioria dos outros países se chama estágio sabático. Alguns países têm a praxe de permitir que professores/pesquisadores tenham um estágio sabático, de 6 meses a um ano, para cada sete anos de trabalho. O objetivo é manter o professor atualizado e motivado.

sábado, 27 de janeiro de 2007

A Relação da Academia com a Sociedade

Um aspecto que me atrai particularmente na sociedade americana, que já tinha observado na sociedade francesa quando vivi quatro anos durante o doutorado, é que ela tem uma clara percepção da importância da pesquisa científica no bem estar da sociedade. Ser um pesquisador ou professor universitário que desenvolve pesquisa é uma profissão extremamente reconhecida. O cidadão comum tem uma percepção de que a ciência tem um papel importante na vida dele e na vida dos seus filhos. Mesmo se essa percepção é superficial e não há conhecimento profundo sobre os meandros do conhecimento cientifico, há reconhecimento. Presenciei várias iniciativas de jornadas “portas abertas”, onde a universidade convida a sociedade para conhecer o que ela está fazendo. Normalmente é um dia em que os pesquisadores e professores demonstram seus trabalhos e explicam o que estão fazendo para as pessoas “comuns”. O mais interessante é que eles conseguem explicar os assuntos os mais diversos e complexos de forma didática e divertida. As crianças adoram. É emocionante! Evidentemente que este não é o único fator para criar o reconhecimento, mas acho emblemático.