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terça-feira, 23 de abril de 2013

Um Sonho de País


Há vinte anos desembarcava com a família na França para cursar meu doutorado. Uma oportunidade única que me foi dada pelos meus empregadores (Governo do Estado e Fundação Edson Queiroz), oportunidade essa que não me canso de agradecer e, por isso mesmo, torno público neste introito.
 Os quatro anos que lá vivi, foram-me de profundo ensinamento, não somente pelo aspecto acadêmico, mas acima de tudo por ter-me permitido conhecer bem o primeiro mundo. Numa época em que a Internet engatinhava, o mundo ainda não era tão pequeno como hoje e viagens deste porte eram raras.
A Europa, em particular a França, foram-me (e ainda me são) fascinantes. Poderia relacionar os vários aspectos que me atraíram e que hoje, vejo atraírem os brasileiros que, de mais em mais, viajam para lá, como limpeza, transporte urbano e segurança. Mas havia algo mais que permeava todos esses aspectos: a igualdade social. A classe média era a grande maioria e com representantes em todas as profissões.
Talvez nada tenha sido mais emblemático para mim, do que quando, no primeiro dia de trabalho da empregada doméstica que havia contratado, a vi chegar em seu próprio carro, logo após ter deixado seu filho na escola. Ela tinha uma rotina de trabalho tão comum quanto à minha. Este episódio me veio várias vezes à cabeça, não somente ao acompanhar o noticiário sobre a nova lei dos empregados domésticos, mas sobretudo por ter ainda ouvido lamentações aqui e acolá de que “a nova legislação dificultará mais ainda a contratação e legalização de empregadas”, “minha vida ficará mais difícil”, etc.
É fato de que a vida poderá ficar um pouco mais difícil para uns que se acostumaram com uma cultura que encarnava a desigualdade de forma tão natural que não podia ser percebida. Ainda há muito disso em nossa sociedade. Mas havemos mesmo é de festejar mais um passo do Brasil para sermos um país de classe média: um sonho que temos não somente o direito, mas sobretudo o dever de compartilhar. Um sonho que se tornarmos realidade vai naturalmente reduzir todos os males que hoje nos afligem.

* Esse artigo foi publicado na coluna Opinião do O Povo em 16/04/2012

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Match Point para Lacoste

Adorei a escolha de Guga Kuerten como novo garoto propaganda da Lacoste. Acho que tem tudo a ver. Não só pela natural ligação da marca do jacaré com o tênis (Henri "jacaré" Lacoste havia sido importante tenista), mas sobretudo pelo fato de Guga ser uma personalidade simpática, simples e muito autêntica. Valores tão importantes e tão pouco valorizados nessa época de belos modelos depilados e metrosexuais. Decididamente, uma escolha feliz !

terça-feira, 2 de abril de 2013

Crise de Identidade do Basquete Master


Esse fim de semana fui a Natal para jogar o campeonato N/NE Master como, aliás, tenho feito nos últimos anos. Uma programação maravilhosa onde se convive com a curriola do basquete, com a família e com colegas adversários de longas datas. Embora marcado por esse ótimo momento de lazer, no campeonato deparei-me com uma novidade que me parece um sintoma de uma crise de identidade desse tipo de evento.

Os campeonatos Master de basquete são divididos em categorias que representam as faixas etárias dos jogadores. Normalmente cada categoria é segmentada em intervalos de cinco anos. No caso do N/NE a segmentação é maior, de pelo menos sete anos. Isso se deve ao fato de que havia poucos praticantes e uma faixa maior facilitaria a formação das equipes.

Desde quando comecei a participar desses campeonatos (cerca de dez anos atrás) tinha em mente que o evento visava promover o congraçamento dos atletas (ex-atletas talvez seja mais justo dizer) motiva-los a continuar a praticar o esporte em seu Estado e, evidentemente, reviver o sentimento de competição que é caro a todos aqueles que praticaram esporte de alto nível.

Posso dizer que a iniciativa é um case de sucesso. Ano após ano o número de competidores aumenta, mas esse crescimento não veio sem seus efeitos deletérios. Alguns passaram a considerar as vitórias nas competições algo tão importante que uma espécie de profissionalização e, no meu entender, deturpação dos objetivos iniciais passou a ocorrer.

Normalmente as regras dos campeonatos Master de Basquete estipulam que somente dois jogadores, ditos “estrangeiros”, podem participar por cada Estado. Como a definição de “estrangeiro” refere-se à naturalidade do jogador, abriu-se a possibilidade de contratar jogadores profissionais que por serem natural de algum estado do N ou NE não seriam considerados “estrangeiros”.  Assim um jogador como Rato que ainda há pouco jogava na NBB e que teve sua carreira toda baseada no Estado de São Paulo, por ser natural da Bahia, pode “legalmente” ser inscrito pelo Rio Grande do Norte sem ser considerado estrangeiro.

Na semifinal que disputamos com os rio-grandenses do norte encontramos uma equipe que tinha pelo menos cinco jogadores nessa situação. Não faziam parte da comunidade de praticantes de basquete do RN, mas foram contratados para conseguir o título. Um exemplo ainda pior foi dada pela liga dissente da Associação de Veteranos Amigos do Basquete do Ceará(AVAB-CE) que fez uma outra equipe para representar o Estado do Ceará na categoria 50+. Nela havia um grupo de nove jogadores, onde nada mais nada menos que oito deles não praticam basquete no Ceará. 

Eis nosso jeitinho brasileiro aqui em prática, ao vivo e a cores. Um jeitinho que visa levar vantagem. Urge uma revisão nos regulamentos da competição de forma que o espírito inicial possa ser recuperado. Caso contrário, ha risco grande de esfacelamento das competição e das associações.

terça-feira, 26 de março de 2013

Cura de miopia. Antes tarde do que nunca


A questão da Segurança Pública é tão complexa que a própria percepção das pessoas parece ser afetada. Tenho lido muitas opiniões sobre a questão, de especialistas a jornalistas, passando pela sociedade civil que via de regra busca as redes sociais para se indignar. O fato é de que atualmente a moda é criticar a atual política de segurança.

Todos parecem ter repentinamente acordado para o que estava acontecendo há seis anos. Poderia até dizer que esse tempo é bem maior, mas acho apropriado delimitar o início do governo Cid Gomes, pois coincide com o começo do Ronda Quarteirão.

É impossível discordar de que vivemos uma crise. Agora o que me surpreende é a forma desse despertar. Via de regra se insiste na tese do “Ronda Corrompido”, para explicar que o programa era bom e se perdeu com o tempo. Desde o início do programa, apontei, não sem apoio de colegas especialistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de que o Ronda do Quarteirão não poderia ser caracterizado como um programa de polícia comunitária (como exemplo, veja o que escrevi em 2008 e 2009 sobre os limites do Ronda )  Aliás, o Secretário de outrora, que gozava de credibilidade de parte da mídia e parte da academia, havia inclusive usado o termo “polícia de proximidade” numa clara tentativa de criar um slogan para uma proposta ad hoc, sui generis e que não tinha similar em parte nenhuma do mundo.

Foi preciso seis anos para perceber que policial militar com Hilux com ar, santinho divulgando telefone e treinado em três meses não tinha como ser  confundido com polícia comunitária ?  E mais ainda, mesmo que fosse possível isso ser considerado como tal, desde quando isso poderia ser o alicerce de uma política de segurança?

Minha impressão é de que algumas escolhas feitas pelo Governo Cid se mostraram mais importantes para mostrar as deficiências dessa política do que outras. E foram as escolhas das pessoas as mais marcantes. Ao trocar de Secretário e depois ao trocar de Diretor da Academia de Polícia, o governo parece ter ajudado a iluminar os que antes não viam (ou não queriam ver).

Lembro-me que quando o atual secretário assumiu fui perguntado por uma jornalista sobre o que achava que aconteceria com a Segurança. Queria minha opinião sobre o debate que acabara de ser criado: “Pé-de-boi” contra “gravatinha”. Lembro-me também de minha resposta de que achava aquilo irrelevante no momento, pois já não concordava com a política em vigor.

Creio que vale a pena nos perguntarmos se não há algo de errado nisso tudo. Não estaríamos dando excesso de relevância às pessoas e menos às políticas? De qualquer forma, felizmente o governo Cid fez essas trocas que evidenciaram um equívoco. Antes tarde do que nunca. Agora parece que todos nós percebemos que estamos no caminho errado. Será que bastará mais uma mudança de nome para nos iludirmos novamente? 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Onde estão os criminologistas?


Como a (in)segurança pública nunca sai de pauta no Brasil,  vejo  com frequência a mídia em busca de especialistas, para opinar sobre temas relacionados. Instado por uma repórter a definir qual seria o perfil do especialista que poderia apropriadamente falar sobre uma pergunta relacionada à dinâmica do crime na cidade de Fortaleza, vi-me nesta reflexão que aqui compartilho com o leitor.

Embora ainda com certa timidez, a Academia participa hoje do debate sobre Segurança Pública no Brasil. A faceta multidisciplinar do problema requer uma visão ampla que envolve fatores ligados à violência (sociologia/psicologia), à legislação(direito), à concentração de renda (economia), à ética(filosofia), à estrutura urbana (arquitetura e urbanismo) e ao tratamento da informação (informática), para exemplificar alguns. Temos vários grupos de pesquisa que estudam a Segurança Pública por esses e outros vieses Brasil afora, que somados aos Policiais Militares com formação específica nas suas academias, podem muito bem serem considerados especialistas.

A despeito da riqueza que é a produção de conhecimento advindo de todas essas áreas, creio que carecemos de uma formação específica presente na maioria dos países desenvolvidos: a de criminologista. Esses países possuem tanto graduação como mestrado e até doutorado em criminologia.  

Ouso ir além nesta reflexão: não é somente na produção de conhecimento que criminologistas nos fazem falta.  O mercado de trabalho também precisa deles. Creio haver muito espaço nas Polícias Civis para empregá-los. Afinal, se estamos de acordo que precisamos de uma polícia que faz mais investigação e usa  mais inteligência, não seria esse o perfil desejado para um delegado, por exemplo ? A formação exclusivamente legalista é a ideal para a polícia investigativa que precisamos?

Essas perguntas nos levam a refletir sobre a própria forma de atuação das Polícias Civis, submersas em atividades cartoriais como emissão de boletins de ocorrência e feitura de inquéritos intermináveis, os quais são,  geralmente, refeitos na Justiça. Este sim me parece um debate importante. Com a palavra: os especialistas !

* Artigo publicado no O Povo ontem na coluna Opinião

quinta-feira, 14 de março de 2013

Efeitos colaterais de remédios descobertos via Big Data


Alguns colegas pesquisadores em computação têm explorado os dados do Tweeter para capturar ou "sentir o pulso" do que acontece no mundo em um certo momento. Monitorar redes sociais de uma forma geral é um novo campo de atuação que atrai pesquisadores em áreas diversas motivados pela exploração de dados on line e volumosos (chamado de “Big Data”). Todos querem extrair dessa enorme montanha de dados algum conhecimento inovador.

Dentro dessa mesma linha, li recentemente sobre um trabalho desenvolvido por pesquisadores de Stanford e da Microsoft digno de menção e por isso mesmo reportado pelo New York Times  Ao invés de explorar dados vindos de rede sociais, os pesquisadores exploraram consultas feitas pelas pessoas no buscador Bing da Microsoft (concorrente do Google). 

Foram mineradas cerca de 82 milhões de consultas efetuadas sobre nomes de drogas e sintomas. Conseguiram descobrir efeitos colaterais em substâncias presentes em remédios somente a partir da análise dessas consultas. O estudo indicou que havia uma correlação entre buscas feitas com o nome das substâncias paroxetine e pravastatin e que estavam fortemente associadas a hiperglicemia. A correlação foi depois confirmada por médicos surpresos por essa nova forma de pesquisar sobre efeitos colaterais de drogas.

Tradicionalmente a FDA (Food and Drug Admnistration), agência americana responsável por analisar efeitos de medicamentos, desenvolve seus estudos com base em relatórios de médicos. Eles preenchem formulários  com base no que escutam e verificam em pacientes. Tal metodologia sempre sofreu críticas pela vulnerabilidade, visto que depende demais dos médicos. Explorar os dados de consulta ao buscador é muito mais rápido confiável e principalmente escalável. Há uma variedade imensa de interações de drogas que são desconhecidas e que ferramentas como a usada no estudo podem descobrir. Jovens pesquisadores: corram atrás de Big Data!

terça-feira, 5 de março de 2013

Fortaleza NÃO é a 13a cidade mais violenta do mundo




“Estatísticas não mentem jamais. Já os estatísticos ...”

Antes que estatísticos sintam-se ofendidos, deixem-me dizer que o subtítulo deste artigo não visa, atingi-los, nem critica-los. Trata-se de uma alusão anedótica à, complexa e cheia de armadilhas, tarefa de analisar e interpretar estatísticas. 

Semana passada o jornal O Povo fez uma matéria baseada em um estudo feito por uma ONG mexicana que classificou Fortaleza como a 13a cidade mais violenta do mundo. Mesmo reconhecendo a trágica situação que vivemos no campo da Segurança Pública, a classificação apresentada, de pronto, me soou equivocada. Números que uso frequentemente em meus estudos nunca haviam mostrado tal ranking. Pus-me então a investigar fontes alternativas e os números e metodologia usada por tal ONG.

No mapa da violência 2012 lançado pelo Instituto Sangari, Fortaleza não figura nem em entre as cinquenta cidades brasileiras mais violentas. Entre as capitais nordestinas,  Maceió, Recife e João Pessoa sim, fazem parte da lista.  Por que então essa divergência?

O ranking gerado pela ONG mexicana foi obtido a partir de uma metodologia sui generis. Escolheram somente algumas cidades com mais de trezentos mil habitantes e a partir delas fizeram uma classificação. Serra no Espirito Santo, por exemplo, uma das mais violentas do Brasil, não foi nem escolhida no estudo. O critério de escolha das cidades e o corte em trezentos mil habitantes não é claro. O fato é que proclamar que Fortaleza é a 13a mais violenta do mundo com base nesse estudo é simplesmente incorreto.

Ainda mais surpreendente é que após a matéria, os jornalistas do O Povo continuaram a repercuti-la e o Governo do Estado até hoje não se pronunciou. Quem cala consente, não? Fatos como esse só me deixam cada vez mais convicto de que a abertura de dados, tal como propus com WikiCrimes (http://www.wikicrimes.org) é a melhor política para dar transparência e publicidade ao que ocorre. Não seria preciso ir buscar tão longe dados sobre o que acontece aqui por essas bandas. Se é para interpretar erroneamente os dados, que sejam pelos menos dados únicos compartilhados.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Nem eu, Nem tu


Vou reproduzir uma piada que escutei do Prof. Tarcísio Pequeno recentemente e que não me sai da cabeça. Ela tem muito a ver com o mundo de empreendedorismo digital que, junto com alunos e desbravadores, descubro.

“Um grupo de pessoas observava caranguejos em água fervendo na panela quando um deles percebeu que um caranguejo estava a escapar de destino tão cruel. Havia conseguido atingir a beirada da panela o que lhe permitiria dar um impulso e fugir da mesma. Alertado por um dos observadores de que um dos caranguejos estava a escapar, aquele que promovia o evento culinário disse tranquilamente – não se preocupe esses caranguejos são cearenses. Paralelamente a esse comentário, aquele que fez o alerta, observou que outros caranguejos haviam puxado o que estava por fugir.”.

Se tal piada representa ou não a cultura cearense, difícil de garantir. Certamente pode-se trocar os cearenses por outras categorias e/ou nacionalidades dependendo do contexto ou interesse. O que creio ser interessante ressaltar é que nesses nossos tempos de empreendedorismo na Internet, em sendo verdade, tal comportamento traz prejuízos incalculáveis.

Boa parte de novos empreendimentos na Internet requerem viralização para serem bem sucedidos. Ou seja, precisam que as pessoas se engajem e se motivem a divulgar, a disseminar e a trabalhar pela causa.  Requerem igualmente a formação de comunidades virtuais envoltas em modelos de negócio que se baseiam em situações de ganha-ganha. As razões de tal engajamento podem ser devidas a motivações intrínsecas (de caráter individual) ou extrínsecas (fatores externos). Por outro lado, razões para o não engajamento como inveja, preconceitos ou competição predatória são destrutivas e mesmo catastróficas aos empreendedores. Geram situações de perde-perde.

Já não vivemos em um ambiente onde viralizar coisas seja fácil, pois não temos conectividade e reputação suficientemente impactantes como em outros lugares do planeta. Por exemplo, tudo que é lançado no MIT, Havard, Vale do Silício e similares é notícia, se espalha com incrível rapidez e nós mesmos cearenses nos apressamos a retuitar, postar no Facebook e divulgar com ânsia e orgulho como se fizéssemos parte daquela realização. Tudo do que não precisamos é de um sentimento de que se for iniciativa daqui, temos que puxar para dentro da panela. O “nem tu, nem eu” vai nos deixar fervendo e escalpelando. Afinal, será que somos assim mesmo? 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Paredões da Incivilidade


O jornalista americano Thomas Friedman costuma escrever sobre o fenomenal processo de crescimento das classes médias de países como Índia, China e Brasil. Em especial, ele enfatiza que o que mais vai marcar o futuro global é a busca dessa nova classe por direitos que antes não eram nem percebidos. Quando o básico como alimentação, moradia e trabalho é satisfeito, vem o interesse por outros valores mais, digamos, sofisticados.

Durante o carnaval, em que decidi passar em Paracuru, não pude deixar de pensar sobre o que diz Friedman. Lembrei-me ainda de que, atrelado à exigência de direitos, há naturalmente a percepção de deveres e de respeito ao direito dos outros. Fiquei me questionando quando os que se dirigiram àquela cidade vão considerar importante o direito ao silêncio. O barulho infernal no espaço público durante vinte quatro horas ao dia alimentado por paredões de som, com omissão beirando conivência do poder público, foi um espetáculo deprimente.

Presenciei cenas, que depois amigos disseram-me se reproduzir em várias cidades praianas, quase que surreais. Paredões de som dispostos à pequena distância provocavam uma mixagem absurda e que não permitia nem distinções de que música estava a tocar. Uma competição grotesca que saía desfilando pela cidade e incomodando aos que estavam a quilômetros de distância.

Espero que o exemplo de Fortaleza, onde uma legislação específica para coibir esses excessos foi criada, possa chegar logo às pequenas cidades. Não tenho dúvida que há espaço para promover uma festa rica e única como o carnaval, mas onde prepondere o respeito ao direito das pessoas. Mas para que isso aconteça, a população precisa perceber seus direitos e consequentemente seus deveres.

Paredões e outras paredes de incivilidade precisam ser derrubados. Poderíamos até leiloar pedaços desses paredões como procederam europeus com cada tijolo do muro de Berlim. São paredes do subdesenvolvimento que precisam ser destruídas exemplarmente. Que a nova classe média chegue logo a exigir esse direito. Talvez assim o poder público aja em busca do bem estar da coletividade.

Artigo publicado na coluna Opinião do O Povo de ontem

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Radicais na Rede

Encontrei essas tirinhas no Facebook e por acha-las geniais, decidi reproduzi-las aqui. Ilustra bem o momento atual em que vivemos. A Internet trouxe-nos uma tamanha possibilidade de expressões, mas que via de regra nos faz muitas vezes mais virulentos do que se estivéssemos face-a-face. Reconheço que o exercício de pensar um pouco antes de criticar algo ou alguém não é fácil. Um exercício a ser aprendido.


sábado, 16 de fevereiro de 2013

BRACIS 2013


Já está no ar o site do BRACIS  (Simpósio Brasileiro de Sistemas Inteligentes). Sua versão 2013 será realizada em Fortaleza e estou assumindo com outros colegas, com honras e imensa responsabilidade, a tarefa de planejar e realizar o evento.

A partir de 2012, o BRACIS passou a englobar o Simpósio Brasileiro de Inteligência Artificial (SBIA) e o Simpósio Brasileiro de Redes Neurais (SBRN). Na versão deste ano de 2013, acontecerá também em Fortaleza o Encontro Nacional de Inteligência Artificial e Computacional (ENIAC) e o Simpósio Brasileiro de Tecnologia da Informação e da Linguagem Humana (STIL). Essa união de esforços fará com que a edição 2013 em Fortaleza seja histórica. Maiores detalhes sobre a história de cada uma dessas conferências e de suas áreas de atuação podem ser encontradas na página do BRACIS2013Junto aos eventos principais, ocorrem os workshops e tutoriais que seguem os tópicos de interesse de cada evento. Além disso, o evento contará com palestrantes internacionais e eventos sociais. Espera-se em torno de 500 participantes e, para tanto, será essencial fornecer uma estrutura organizacional que permita a total integração entre os eventos em um lugar de fácil acesso nacional e internacionalmente. A fábrica de eventos e a própria UNIFOR serão esses lugares.

O BRACIS 2013 terá como instituições organizadoras, a UNIFOR – Universidade de Fortaleza em parceria com a UFC – Universidade Federal do Ceará. O comitê organizador local ficará a cargo dos professores:

Prof. Vasco Furtado – General Local Chair do BRACIS+STIL+ENIAC 2013
Prof. Tarcisio Pequeno e Prof. Fernando Carvalho - Local BRACIS Chair
Prof. Pedro Porfírio - Local ENIAC Chair
Profa. Vládia Pinheiro - Local STIL Chair

O BRACIS 2013, como já mencionado, será histórico por ser um evento que engloba pesquisadores de todas as áreas relacionadas ao desenvolvimento de sistemas inteligentes. Além disso, ele conterá uma trilha especial de aplicações de Inteligência Artificial. Será ocasião única para que as empresas identifiquem oportunidades de inovação tomando conhecimento de técnicas que normalmente não estão disponíveis no mercado e que estão muitas vezes circunscritas aos muros da Academia.



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Gente de Ação

Adoro essa propaganda que vejo sempre que assisto o canal Space, em especial em rodadas da NBA. Ilustra de forma muito bem humorada o que é informação sem ação. Recomendo!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Cenas e Discursos Perigosos


Cena 1. “Um jovem volta para casa à noite. Liga seu iPod e passa a dirigir com o mesmo nos ouvidos (prática cada vez mais comum, pois comprar som de carro atrai assaltos). Usa um carro popular, embora novo com cor neutra (algo como bege, gelo, branco, prata). Distraído não percebe imediatamente uma viatura da Polícia que o persegue e que começa a insistir para que ele pare. Não escuta a sirene por causa dos escutadores no ouvido. Quando percebe a Polícia, chega mesmo a aumentar um pouco a velocidade de seu carro, pois nem acredita que aquilo seja para ele. Dobra uma pequena rua escura para dar passagem à Polícia.”
Cena 2. “Policiais em estado de estresse recebem aviso que um carro popular de cor bege foi roubado por alguém que comete assaltos e havia matado um policial em troca de tiros. Avistam um carro nessas condições. Começam a persegui-lo, colocam a sirene, fazem sinal de luz. O carro se assemelha com o que foi descrito no alarme recebido. O carro aumenta a velocidade, parece querer se livrar. Dobra à direita em rua escura. Deve estar querendo escapar”.

Essas cenas estão muito distantes da realidade? Seu filho poderia ser o protagonista da cena 1? Reflitam, em especial os que dizem frases do tipo: “bandido bom é bandido morto”, “atire primeiro, pergunte depois”, etc. Confiam de que pode haver um treinamento, por melhor que seja, que permitiria aos policiais descritos na cena 2 “mandar bala” em marginais e fazer uma abordagem que respeite o direito do rapaz que poderia ser seu filho? 

Nesses momentos de violência crescente é preciso muita cautela no que se diz e no que se defende. Policiais recebem da sociedade o direito de matar, mas as condições para que isso ocorra são bem estabelecidas na lei e temos obrigação de sermos exigentes e intransigentes quanto aos desvios. O que se precisa é de uma boa polícia. E uma boa polícia respeita os direitos de todos e sabe usar a força quando necessário. Contemporizar é crime ainda maior. A sociedade não pode aceitar.

* Artigo publicado na coluna Opinião do Jornal O Povo de hoje

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Diga pelo Twitter o Final da Novela



Os americanos estão começando a usar o Twitter como interface para tornar a TV mais interativa. Trata-se de um caso típico do que chamamos de cross-media interaction (interação com mídias cruzadas). 

O episódio do seriado Miami 5-0 da semana passada (14/01/2012) terá final definido pelos telespectadores. Foram dadas opções de personagens que seriam os assassinos e uma votação definirá o final.

Outro detalhe importante foi que, devido ao fuso horário, como o programa passa em horários diferentes na costa leste e na costa oeste, o resultado do programa pode ter sido diferente dependendo de onde você esteja.

Isso se tornará tendência? Teremos novelas globais com finais definidas pela public? Será o Twitter o veículo que vai capturer as opiniões das pessoas? Respostas virão em breve como tudo no mundo da tecnologia. Veja mais aqui.



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

De Carbonos, Educação, Pais e Filhos


Recentemente, experimentei o quanto a realidade das propagandas das escolas privadas está distante do que acontece nas salas de aula.  Apresentei-me para estudar Química Orgânica a minha filha (uma atitude a la fois nostálgica e prazerosa). Ao começarmos veio o sentimento de que, a despeito de ser uma excelente aluna com notas invejáveis, ela talvez não estivesse percebendo o porque de tanta ênfase no Carbono como objeto de estudo. Mas afinal de contas,  porque essa celebridade toda para um só elemento?

Percebi que ela se apressava em memorizar as inúmeras propriedades do Carbono, com seus nomes nada elementares, mas lhe escapava a essência, a intuição, a motivação que estava por trás daquilo tudo. É essa essência, no entanto, que quando se captura não se esquece jamais. Ela que motiva o aprendizado. É ela que dá sentido e nos aproxima dos fenômenos físicos, químicos e biológicos, mais complexos que permeiam nossas vidas. Isso é que faz a ciência bela.

Esse fato já me deu uma indicação de que poderia haver uma deficiência no ensino e assim, convidei-a a descobrir comigo qual a intuição que estava por trás da preponderante posição do Carbono. Tinha certeza que haveria material didático destinado a isso. Estava enganado. O material didático curricular era de uma pobreza sem tamanho. Apostilas anônimas continham textos simplórios com várias categorizações das propriedades do Carbono e só. Nem um livro havia.

Vai Vestibular, vem ENEM, e nosso sistema educacional continua voltado à memorização de fatos, nomes, fórmulas, etc. As escolas, ditas melhores, são as que melhor se adaptam a esse contexto. Fica difícil gostar de estudar. O apelo que as surpresas trazidas pelas descobertas científicas e pela abertura de horizontes que provoca não podem deixar de ser conhecidas. Têm um poder fantástico de entusiasmar a todos e aos jovens em particular.

E  quanto ao Carbono? Se sentirem-se curiosos, busquem descobrir com seus filhos, netos ou jovens que os rodeiam na Internet. Foi o que fizemos e, garanto-lhes, é  fascinante. 

* P.S Artigo publicado na coluna Opinião do Jornal O Povo de hoje