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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Paredões da Incivilidade


O jornalista americano Thomas Friedman costuma escrever sobre o fenomenal processo de crescimento das classes médias de países como Índia, China e Brasil. Em especial, ele enfatiza que o que mais vai marcar o futuro global é a busca dessa nova classe por direitos que antes não eram nem percebidos. Quando o básico como alimentação, moradia e trabalho é satisfeito, vem o interesse por outros valores mais, digamos, sofisticados.

Durante o carnaval, em que decidi passar em Paracuru, não pude deixar de pensar sobre o que diz Friedman. Lembrei-me ainda de que, atrelado à exigência de direitos, há naturalmente a percepção de deveres e de respeito ao direito dos outros. Fiquei me questionando quando os que se dirigiram àquela cidade vão considerar importante o direito ao silêncio. O barulho infernal no espaço público durante vinte quatro horas ao dia alimentado por paredões de som, com omissão beirando conivência do poder público, foi um espetáculo deprimente.

Presenciei cenas, que depois amigos disseram-me se reproduzir em várias cidades praianas, quase que surreais. Paredões de som dispostos à pequena distância provocavam uma mixagem absurda e que não permitia nem distinções de que música estava a tocar. Uma competição grotesca que saía desfilando pela cidade e incomodando aos que estavam a quilômetros de distância.

Espero que o exemplo de Fortaleza, onde uma legislação específica para coibir esses excessos foi criada, possa chegar logo às pequenas cidades. Não tenho dúvida que há espaço para promover uma festa rica e única como o carnaval, mas onde prepondere o respeito ao direito das pessoas. Mas para que isso aconteça, a população precisa perceber seus direitos e consequentemente seus deveres.

Paredões e outras paredes de incivilidade precisam ser derrubados. Poderíamos até leiloar pedaços desses paredões como procederam europeus com cada tijolo do muro de Berlim. São paredes do subdesenvolvimento que precisam ser destruídas exemplarmente. Que a nova classe média chegue logo a exigir esse direito. Talvez assim o poder público aja em busca do bem estar da coletividade.

Artigo publicado na coluna Opinião do O Povo de ontem

quinta-feira, 10 de março de 2011

Mapa da Poluição Sonora

Essa semana que passou estive navegando pelo Wikimapps Barulho, uma criação conjunta da Wikinova e do Jornal O Povo, que visa criar um espaço de interação na web para os cidadãos interessados em denunciar abusos de poluição sonora.

Esse tipo de iniciativa tende a ser mais relevante agora que temos uma lei específica para coibir os abusos: a lei do paredão. Já são cerca de 350 denúncias feitas no mapa.

Em sua grande parte, percebo que as denúncias são sérias, bem fundamentadas e demonstram a real necessidade dos cidadãos de que providencias sejam tomadas. Em conversa com a equipe do Jornal O Povo recentemente enfatizei que temos que trazer o poder público para dentro do mapa. Fazer com que respostas sejam dadas aos denunciantes, por exemplo.

Acho também que, para o Jornal, o mapa do Barulho é rico de possibilidades. Pode gerar pautas muito interessantes. Vejam, por exemplo, essa denúncia que localizei no mapa (clique aqui para vê-la diretamente no Wikimapps Barulho). Um cidadão reclama que há um lava-jato clandestino que além da poluição sonora é responsável por poluição ambiental. E isso tudo há poucos quarteirões  da sede da regional III. Não merece uma investida jornalística? O que a regional III tem a dizer? E os proprietários do lava-jato?  Eles sabem da existência da denúncia? Conhecem o Mapa do Barulho? Seria inclusive um momento para divulgar a iniciativa e chamar o poder público à participação.