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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

De Carbonos, Educação, Pais e Filhos


Recentemente, experimentei o quanto a realidade das propagandas das escolas privadas está distante do que acontece nas salas de aula.  Apresentei-me para estudar Química Orgânica a minha filha (uma atitude a la fois nostálgica e prazerosa). Ao começarmos veio o sentimento de que, a despeito de ser uma excelente aluna com notas invejáveis, ela talvez não estivesse percebendo o porque de tanta ênfase no Carbono como objeto de estudo. Mas afinal de contas,  porque essa celebridade toda para um só elemento?

Percebi que ela se apressava em memorizar as inúmeras propriedades do Carbono, com seus nomes nada elementares, mas lhe escapava a essência, a intuição, a motivação que estava por trás daquilo tudo. É essa essência, no entanto, que quando se captura não se esquece jamais. Ela que motiva o aprendizado. É ela que dá sentido e nos aproxima dos fenômenos físicos, químicos e biológicos, mais complexos que permeiam nossas vidas. Isso é que faz a ciência bela.

Esse fato já me deu uma indicação de que poderia haver uma deficiência no ensino e assim, convidei-a a descobrir comigo qual a intuição que estava por trás da preponderante posição do Carbono. Tinha certeza que haveria material didático destinado a isso. Estava enganado. O material didático curricular era de uma pobreza sem tamanho. Apostilas anônimas continham textos simplórios com várias categorizações das propriedades do Carbono e só. Nem um livro havia.

Vai Vestibular, vem ENEM, e nosso sistema educacional continua voltado à memorização de fatos, nomes, fórmulas, etc. As escolas, ditas melhores, são as que melhor se adaptam a esse contexto. Fica difícil gostar de estudar. O apelo que as surpresas trazidas pelas descobertas científicas e pela abertura de horizontes que provoca não podem deixar de ser conhecidas. Têm um poder fantástico de entusiasmar a todos e aos jovens em particular.

E  quanto ao Carbono? Se sentirem-se curiosos, busquem descobrir com seus filhos, netos ou jovens que os rodeiam na Internet. Foi o que fizemos e, garanto-lhes, é  fascinante. 

* P.S Artigo publicado na coluna Opinião do Jornal O Povo de hoje

domingo, 28 de março de 2010

Marcadores com Associações

Mais novidades em WikiMapps. No final de semana, lançamos uma nova versão do site. Fizemos uma das maiores modificações, desde que Wikimapps foi lançado, na direção de prover cada vez mais aos mapas gerados, características que promovam interatividade e colaboração entre os usuários. Vale lembrar que um WikiMapp envolve os conceitos de colaboração e interação em mapas.

Um marcador é o que representa o conceito a ser mapeado. Pode ser um evento, uma pessoa, um estabelecimento, etc. O que WikiMapps está agora permitindo é que os usuários possam se associar a um marcador. Essa associação assume o significado que o projetista do mapa quer fornecer. Isso é definido na hora do projeto do WikiMapps. Por exemplo, em um mapa usado para mapear jogos de futebol, um marcador pode ser um jogo específico e os usuários podem se associar ao marcador dizendo que vão ao jogo. Pode-se assim pesquisar, para um determinado marcador, quem vai ao jogo e inclusive descobrir quem são os amigos ali associados.  

Um exemplo interessante de como isso está sendo feito pode ser visto abaixo no mapa desenvolvido para identificar as escolas que possuem alunos que vão participar das Olimpíadas Brasileiras de Química (OBQ). No WikiMapp OBQ, os coordenadores da Olimpíada e as escolas começam a ser mapeadas. Os alunos que vão realizar as provas se inscrevem nas escolas e podem interagir com os coordenadores e com os outros participantes. Vejam abaixo como fica a janela de interação nesse caso.



terça-feira, 6 de maio de 2008

Química? Você Está Louca?

Nessa semana participei de uma conversa muito interessante com a estudante Thaís Macedo que está de malas prontas para se mudar para Boston, EUA onde estudará no MIT (Massachussets Institute of Technology). Ela fez uma inscrição regular como podem fazer quaisquer jovens no mundo. Precisou fazer duas redações, a prova de SAT(Scholastic Aptitude Test, algo como um grande ENEM) e o TOEFL (proficiência em inglês). Além de suas boas notas nos testes, pesaram ainda as excelentes colocações nas olimpíadas de Química nacional e na internacional. Conseguiu inclusive uma bolsa de estudos de aproximadamente 50% do valor do curso. Thaís estava sendo entrevistada na FUNCAP para produzir a matéria para o jornal desta Instutição. Nessa conversa, além da natural leveza e do caráter extrovertido que ela demonstrou ter, duas coisas me marcaram e achei que valiam reflexão. Primeiramente, queria refletir sobre a reação inicial que sua família teve após sua declaração que queria ser Química. “Tá ficando louca!” e “Não tem futuro” dominaram os conselhos. A tenacidade de Thaís e sua vocação representada pelas notas que tirava nas competições foram essenciais para que sua família se conformasse. Essas reações inteiramente lógicas e esperadas são indicativas da pouca compreensão das pessoas do espectro de novas profissões que hoje em dia existem, principalmente daquelas ligadas à ciência. O desenvolvimento científico atingiu nos dias atuais um verdadeiro boom. Há assim uma gama bem variada de oportunidades de trabalho que eram inexistentes há duas ou três décadas atrás. Quando restringimos nosso olhar ao Nordeste do Brasil podemos mesmo dizer que esse tempo se reduz a pouco mais de dez anos. Alie-se a isso a pouca cultura de divulgação científica e de ensino de ciência na universidade (vejam o que escrevi sobre isso aqui). A conseqüência é que os pais de jovens que hoje estão escolhendo suas opções de trabalho estão totalmente perdidos e desatualizados. Na dúvida, melhor sugerir Medicina. Outro aspecto que merece reflexão veio após Thaís ter respondido a pergunta “Você volta”?”. Ela respondeu “ Provavelmente não”. Evidente que ela não tinha muito condição de responder a essa pergunta, pois tanta coisa acontecerá em sua já surpreendente carreira.No entanto, ela muito provavelmente está certa. O que caracteriza os EUA é essa constante capacidade de atrair as competências. Não é a toa que Thaís terá como colegas de classe jovens de todo o mundo. O americano típico é o que menos se interessa em ser cientista (mesmo os que se interessam sofrem para entrar, pois a competição é dura). Disse-lhe que sua ida ao exterior, mesmo que ela não retorne, pode abrir portas para cooperações entre pesquisadores brasileiros e aqueles de fora,