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quarta-feira, 14 de março de 2012

Key West: Sunset Moderno

Na volta a Florida para o Complenet, pus-me na rota de Key West no fim de semana. A mais distante e mais a oeste das ilhas chamadas Keys da Florida. Não a conhecia e a curiosidade de descobrir o que atrai tanto os americanos me motivou. Lá vê-se de tudo. Há desde a típica Florida repleta de aposentados bem como de turistas das mais diversas idades que descem diariamente dos luxuosos navios de cruzeiro.

A cidade é “mignon” com arquitetura colonial (inglesa), cheia de restaurantes, museus e vida noturna. Poderia falar sobre várias dessas coisas, mas o que mais me impressionou foi a forma como os americanos estruturaram a cidade. A ergueram sem nenhum pudor ao meio ambiente. A beira-mar é ampla, arejada e, digamos, dentro do mar. Assim são os restaurantes e os hotéis. Estava hospedado em um hotel que, ao acordar na abertura da janela, vi um cruzeiro que parecia ter invadido o quarto. Chocante! Lembro do amigo Amaral que gosta de dizer que nos dias atuais o Cristo Redentor não teria nunca sido construído por causa da agressão ao meio-ambiente. Talvez Key West também não o fosse. Outros tempos.

Key West se orgulha de ter o por do sol (sunset) mais bonito dos EUA. Todos os dias os turistas se reúnem na beira-mar e depois de assistirem a espetáculos circenses na Malory Square assistem ao por do sol e o aplaudem. É bonito mesmo, talvez seja o mais bonito dos EUA, mas não pude deixar de lembrar-me de nossa Jericoacoara onde os aplausos ao por de sol também são calorosos.

Comparar os dois ambientes é injusto. São tão diferentes que não conseguiria estabelecer critérios mínimos, por mais que me esforçasse. Mas minha verve patriótica (nesse caso, mais cearense do que brasileira) vai me forçar a preferir nossos queridos verdes mares, pela simples razão de que são uma obra de arte original: a originalidade da natureza selvagem.

Pensei. Que enorme desafio temos pela frente. Criar uma infraestrutura que nos permita acesso fácil aos povos do mundo às nossas belezas e que as mesmas sejam geradoras de riqueza para a população (principalmente a nativa), mas preservando aquilo que é o valor mais absoluto: sua virgindade. Isso é possível?

As fotos abaixo de Malory Square com as pessoas se preparando para ver o por do sol e um sol poente em Key West foram extraídas de sunset celebration.



terça-feira, 29 de junho de 2010

Fortaleza Salva pela Oposição ... de Luizianne

O episódio do estaleiro em Fortaleza é emblemático do quão pobre é nossa política. Fica claro que a maioria de nossos representantes não se pauta por nenhum ideal. Não há debates de idéias. Já tinha comentado que ao meu ver a questão do estaleiro deveria ser vista por um ponto de vista ideológico. Os parlamentares decidiram se posicionar somente em função de suas conveniências políticas.

A exceção à essa regra foi a Prefeita Luizianne Lins. Mostrou-se aguerrida e combativa como deve ser uma boa parlamentar de oposição. Eu já tinha escrito que achava que o Governador Cid Gomes tinha conseguido ressuscitar Luizianne. Antes do evento “estaleiro” Luizianne estava se afogando num mar de críticas ante sua inaptidão para administrar os problemas da cidade e propor soluções para os mesmos. O estaleiro a acordou e a levou a fazer o que faz de melhor: oposição. Fez oposição a Lula e a Cid. Demonstrou que quando se tem um ideal (não discuto o mérito) cria-se força para espernear. Quando não se tem, vive-se só fofoca politiqueira.

Agora, não esperem que a Prefeita venha propor e desenvolver alguma alternativa ao estaleiro para o Titanzinho. Teve tempo de sobra para fazê-lo e não fez. Não consegue nem fazer o que tinha prometido em campanha (vide Hospital da Mulher), quanto mais o que aparece repentinamente. Que sirva de exemplo a quem quer fazer oposição, ou melhor, a quem quer fazer política de uma forma geral: tenha uma ideia e lute por ela. Detalhe: mantenha (ou pelo menos tente manter) a coerência.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Franceses no Brasil

Estive semana passada no Rio de Janeiro participando de um workshop (nome em inglês para seminário) com pesquisadores sobre um dos temas de minhas pesquisas: simulações e negociações entre agentes de software. No entanto, não é do aspecto técnico que desejo falar nesse texto, mas de outro aspecto que me chamou fortemente atenção. Dentre os pesquisadores participantes do workshop (e outros que conheci em outras circunstâncias) havia quase uma dezena de franceses. Nada fora do normal, pois os franceses têm cientistas de gabarito nessa área de pesquisa. O que me surpreendeu, primeiramente, foi o fato de que todos falavam muito bem o português. Além disso, estavam morando no Brasil, já há algum tempo. A maioria trabalha em uma entidade chamada CIRAD (Centre de coopération International de Recherche em Agronomique pour le Dévelopment – Centro de Cooperação Internacional de Pesquisa em Agronomia para o Desenvolvimento). Trata-se de uma instituição criada para desenvolver projetos de pesquisa científica em regiões subdesenvolvidas e/ou em desenvolvimento em várias áreas de expertise ligadas a agronomia. No caso dos pesquisadores do workshop, eles eram ligados a área de meio ambiente. Pude conhecer trabalhos muito interessantes relativos a preservação ambiental seja na Floresta Amazônica, na floresta da Tijuca e mesmo de preservação da qualidade da água em bacias hidrográficas no Estado de São Paulo. Trata-se de um exemplo louvável de transferência tecnológica. Os pesquisadores franceses trazem suas experiências teóricas e, juntamente com pesquisadores brasileiros, vão literalmente a campo para a aplicação de modernas tecnologias investigadas nas Universidades e nos centros de pesquisa. Grande parte dos recursos vem da Comunidade Européia que oferece periodicamente propostas de financiamento a fundo perdido para equipes compostas de pesquisadores europeus com pesquisadores de países em desenvolvimento.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Rio de Janeiro

Na semana passada estive no Rio de Janeiro. Foi a segunda vez que voltei àquela cidade depois de meu retorno da Califórnia. Quando vou ao Rio meus sentimentos são tão confusos que tenho uma enorme dificuldade de escrever algo sobre os mesmos. Acho que é um sentimento que deve ser muito comum nos visitantes da cidade. Vou arriscar declará-los do jeito que vier. Há uma mistura de incansável admiração pelas belezas naturais com um enorme espanto pela forma deletéria com que nos apropriamos dessa beleza. Falamos muito de degradação do meio ambiente ao nos referirmos às florestas, mares e áreas naturais vastas. Somos menos enfáticos quando essa degradação se dá dentro de cidades. Parece-me que há um certa condescendência com o fato de que não há mais como resolver os estragos feitos. O Rio, no entanto, me provoca. Não quero me referir à questão das favelas e outras áreas pobres que contrastam com suas belezas. Isso não é uma exclusividade carioca mesmo entendendo que a geografia da cidade e a forma como os morros foram ocupados dão um contorno especial a paisagem. O que me saltam os olhos são as agressões à cidade que foram sendo feitas gradativamente com o mau uso do dinheiro ou do espaço público. Em vários pontos da cidade se percebe obras agressivas (no sentido de que agridem a beleza da cidade), prédios grandes abandonados, poluição visual provocadas pelo poder público ou por sua omissão, ocupação desordenada dos espaços públicos e poluição de riachos, lagos e mar. Novamente, isso não é exclusivo do Rio, pois infelizmente é comum em nossas grandes metrópoles. Só acho que o efeito contraste (belo e feio) torna os problemas mais evidentes. O mais paradoxal é que não acho que esses problemas estejam ligados a falta de dinheiro. Muito pelo contrário. Vejo uma pujança econômica no Rio que vem de todas as direções. Há uma forte classe empresarial atuando no setor terciário, há a Petrobrás que tem um tremendo impacto na economia, há muita arrecadação de impostos que permite projetos públicos que quase sempre são de grande monta e sobretudo, a forte presença da academia representando o que há de melhor no Brasil em muitas áreas de estudo. Como conseguimos? Não há como não ter sentimentos antagônicos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A Batalha de Idéias Sobre Biocombustiveis

A impressa mundial começou a abrir espaço para argumentos bem contrários à política dos bio-combustíveis. Quando li em Junho, a matéria do Le Monde Diplomatique (“Les cinq mythes de la transition vers les agrocarburants – Os cinco mitos da transicao para os agrocombustiveis " )percebi o quanto a diplomacia brasileira terá trabalho pela frente. Le Monde Diplomatique é um jornal mensal e importante veículo do pensamento da esquerda francesa e européia. É conhecido por pautar matérias de outros grandes jornais, visto que as apresenta de forma inédita e as explora em profundidade. Foi o começo de uma disputa que começou mesmo a vir a tona depois da visita de Bush ao Brasil. Quando os EUA apresentaram claramente prioridade pró etanol como combustível alternativo e a proposta brasileira de uma espécie de OPEP do álcool foi apresentada, o mundo começou a olhar para a questão. A possibilidade de parceria EUA-Brasil é o combustível perfeito para preocupar a Comunidade Européia e em particular acender a esquerda francesa que adora ser contra os EUA. Os cinco mitos discutidos no artigo de Eric Holtz, diretor do Instituto Food First (Institute for Food and Development Policy) são os seguintes: o bio-combustível é limpo e protege o meio-ambiente. Este mito é imediatamente contestado, pois se argumenta que se a produção de biocombustíveis acabar com 5% das florestas que ainda existem, se perderia todo o ganho ecológico que se teria com a economia de carbono. O segundo mito refere-se ao fato de que eles não levam ao desmatamento. Dados relativos a desmatamentos na Amazonia em função do avanço de áreas de plantação de soja bem como o mesmo efeito na Malásia, mostram que isso não é bem o caso. O terceiro mito refere-se ao fato de que os biocombustiveis trarão desenvolvimento rural. A contestação aqui é quantitativa. Mostra-se que 100 hectares dedicados a agricultura familiar criam trinta e cinco empregos ; a cana-de-açucar dez ; ao eucaliptus dois e à soja só a metade. O quarto mito, que vem sendo inclusive alvo de crítica de Chavez e Fidel Castro, refere-se ao fato de que agrocombustiveis não causarão fome. O exemplo usado para contrapor este argumento veio do México. Este país foi obrigado a importar milho dos EUA porque o preço interno tinha subido enormemente em função da pressão do Etanol. Até a típica tortilha mexicana foi ameaçada. Por fim, o quinto mito refere-se ao argumento de que os agrocombustiveis de segunda-geração estão a ponto de serem lançados e assim que eles minimizarão os outros problemas levantados. O artigo do Le Monde Diplomatique discorda desse argumento, pois as pesquisas nessa área ainda estão engatinhando e as soluções existentes são portadoras de vários problemas em termos ecológicos, como efeitos de contaminação ainda não examinados. Clique aqui para acessar o texto original em francês. Recentemente outro importante jornal, The New York Times, abriu espaço para noticiar o quanto a Floresta Amazônica está “sufocada” pela soja. Por fim, para acalorar ainda mais o debate, vale a pena lembrar que o motor elétrico está sendo considerado por alguns como uma alternativa bem mais viável(e ecológica) que os motores a combustão. Desta forma os biocombustiveis podem não ser tão relevantes em um futuro não muito longo. O desafio está posto. Para não perdermos mais uma grande oportunidade de desenvolvimento econômico, precisaremos de diplomacia, mas sobretudo de organização interna para mostrar que nossa política de biocombustivel consegue ultrapassar os obstáculos apresentados.