Siga-me no Twitter em @vascofurtado
Mostrando postagens com marcador SAMBA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SAMBA. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de junho de 2008

Memórias Italianas

Estive na Itália semana passada em função de mais uma reunião relativa ao projeto SAMBA (Televisão Interativa Digital). Pude revisitar alguns lugares que tinha ido há mais de 15 anos e ainda pude conhecer alguns pequenos lugarejos no interior. Abaixo alguns comentários com fotografias de curiosidades percebidas na viagem.

Falta de espaço para transitar e estacionar é algo comum nas ruas das cidades italianas. A preferência por carros pequenos é assim compreensível. Vejam como se pode estacionar com o Twingo da Renault.




Uma escola italiana em Natz onde os alunos só aprendem o alemão . Esse é o laboratório de informática de lá.


Muita massa e uma dica para um dos melhores restaurantes que já fui na minha vida (e com muito bom preço). A Le Due Spade em Trento. Aconselho o menu a base de aspargos frescos. Até a sobremesa era a base de aspargos.


A placa abaixo é de uma campanha contra a compra de produtos falsos. É incrível como tem pirataria de produtos produzidos lá mesmo na região.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Avaliação de Financiamentos de Pesquisa: Experiências Americanas e Européias

Como disse em um texto recente deste blog, tive a oportunidade de participar, em Bruxelas, de uma reunião onde pesquisadores europeus e brasileiros foram obrigados a apresentar a evolução de suas atividades dentro de um projeto euro-brasileiro de pesquisa científica financiado pela comunidade européia. Essa experiência me foi muito útil em especial por ter vivido no pós-doutorado nos EUA uma situação similar. Fiz parte de um grande projeto financiado pela DARPA (Agência Americana de Defesa) e estive presente em uma das reuniões de avaliação e prestação de contas. As similaridades entre os métodos usados pelas agencias de fomento americanas e européias são bem maiores que as diferenças. Tem-se sempre uma comissão de especialistas contratados pelas próprias agências que fazem a análise técnica do projeto durante o desenvolvimento do mesmo. A liberação de recursos para a continuação do projeto é condicionada a uma avaliação positiva desses especialistas. As reuniões de apresentação são extremamente importantes e duríssimas para os cientistas. Há uma sabatina sobre todos os aspectos do projeto, quer sejam financeiros quer sejam sobre o conteúdo científico. Agora, percebi uma diferença que me chamou a atenção. No modelo americano a proposta de projeto científico é feita por uma empresa encarregada de montar um consórcio de cientistas (no projeto que estava participando essa empresa era a Lockheed Martin), normalmente vindos de diferentes universidades. Essa empresa tem ainda a responsabilidade de gerenciar o projeto, definir o que deve ser entregue nas diferentes etapas, avaliar resultados e, sobretudo, de concretizar as pesquisas desenvolvidas. Ressalte-se ainda que essa empresa contrata um pesquisador para ser o gerente geral científico. É normalmente alguém altamente renomado e que possui uma ingerência forte nos rumos do projeto. Lembro-me que perguntei a um experiente cientista americano do porque deste modelo. Ele me disse que, antigamente, quando não se seguia este modelo, muitos projetos nem chegavam ao fim. Disse-me que cientistas não são obrigatoriamente bons gestores e com a inserção de uma empresa obtinha-se uma maior eficiência. Essas características demonstram nitidamente o perfil pragmático dos americanos. Há que se transformar as soluções científicas propostas por cada componente do consórcio em resultados o mais concreto possível. Os europeus tradicionalmente não seguem esse modelo. Há igualmente um consórcio, mas somente com uma instituição líder. A gerência geral do projeto é bem mais difícil de ser feita. Isso não impede, como já tinha dito anteriormente, que o processo de avaliação seja rigoroso e realizado durante o processo. E o que poderíamos dizer do modelo brasileiro? Bem, por não termos uma história longa de financiamentos a projetos científicos, creio que ainda estamos aprendendo. Em muitos projetos as avaliações e prestações de contas só são feitas ao final do mesmo. Depois que o dinheiro já foi gasto, o que se pode fazer? Ainda por cima as avaliações técnicas nem sempre existem, foca-se mais na prestação de contas meramente administrativa e financeira. Temos muito o que aprender, mas nosso atraso nessa área é compreensível.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

UNIFOR na Comunidade Européia

Tivemos, prof.ª Elizabeth Furtado e eu, nessa quinta-feira (14), uma experiência única até então em nossas vidas e certamente única para a UNIFOR. Fomos a um dos prédios da comunidade européia em Bruxelas para apresentar os resultados do primeiro ano do projeto SAMBA. Só lembrando o SAMBA é um projeto desenvolvido por um consórcio de instituições européias e brasileiras para estudo e desenvolvimento de tecnologia de TV Digital. O projeto é totalmente financiado pela comunidade européia. A UNIFOR é uma das instituições do consórcio juntamente com USP, TV Mirante e APTEL, e outros parceiros alemães, italianos e finlandeses. Sua maior responsabilidade é a de estudar o perfil dos usuários da cidade de Barreirinhas no interior do Maranhão que será o local piloto onde as pesquisas em desenvolvimento serão aplicadas. Uma banca de cinco revisores estava presente. Eram especialistas de diferentes áreas, instituições e países. Durante a reunião uma sabatina rigorosa foi feita com os palestrantes e deu para perceber que os membros da banca tinham lido detalhadamente os relatórios enviados pelo consórcio. Por diversas vezes pude lembrar-me de uma defesa de doutorado. A continuação do projeto, em seu segundo ano, e mesmo a liberação dos recursos no mesmo nível orçado inicialmente dependem fortemente da avaliação dos especialistas. Enfim duas menções são necessárias: i) a seriedade com que o dinheiro público europeu é tratado , ii) a UNIFOR, e em particular a equipe coordenada pela Profa. Elizabeth Furtado, merece reconhecimento por esse feito. Abaixo uma lembrança da reunião.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Brasil e Europa Pesquisando Televisão Digital

Esta semana a UNIFOR esteve ciceroneando pesquisadores de várias partes da Europa para discutir televisão digital. Trata-se do projeto SAMBA (System for Advanced interactive digital television and Mobile services in BrAzil – Sistema para televisão interativa digital Avançada e serviços Móveis no BrAsil). Este projeto é financiado pela comunidade européia e visa investigar formas de desenvolvimento de software, hardware e infraestrutura de comunicação para aplicações em televisão digital. Dentre os vários parceiros que fazem parte deste projeto a UNIFOR e a USP representam as universidades brasileiras. Como já comentei em um texto passado (Clique aqui para acessá-lo) a grande inovação da televisão digital no Brasil será a interatividade. Os programas de TV continuariam sendo transmitidos por satélite, mas a TV estaria interligada a Internet por um “canal de retorno” (normalmente pela conexão telefônica). Acredita-se que será uma das mais fortes iniciativas para diminuir a exclusão digital facilitando o fornecimento de informações e serviços para a população que tem dificuldade em acessar a Internet. É exatamente este o foco de SAMBA: prover serviços interativos de televisão digital a baixo custo. Uma das tecnologias presentes no projeto é a PLC (Power Line Communication) que permite que a rede elétrica seja usada como canal de retorno da televisão. Desta forma não seria necessário gasto com infra-estrutura telefônica e se aproveitaria a grande rede de distribuição de energia elétrica que hoje atinge mais de 90% das residências brasileiras. Os testes do projeto SAMBA estão sendo efetuados na cidade de Barreirinhas no Maranhão, onde várias residências estão sendo preparadas para receber sinais da televisão digital e para usar a rede elétrica como canal de retorno para a interatividade. Paralelamente na Itália, mais especificamente na região de South Tyrol, uma outra comunidade está também sendo preparada para ser o ambiente de teste no contexto europeu. Equipes da UNIFOR e da Empresa Create-Net da Itália, realizaram estudos para identificar o perfil dos usuários de televisão nos dois locais. Os resultados destes estudos foram apresentados no encontro desta semana em Fortaleza. Evidentemente que divergências no padrão de uso foram identificadas a começar com o dobro da quantidade de tempo que os brasileiros gastam na TV que os italianos. Outro aspecto relevante, particularmente no que se refere ao desenvolvimento de aplicações para a TV digital, é o fato de que os brasileiros assistem programas de televisão em família, o que não é muito típico nos países europeus (principalmente pelo fato de que muitas pessoas vivem sozinhas). Creio que isso pode ser uma excelente oportunidade para criação de aplicações educativas que atinjam toda a família. Acho que há um espaço próprio para aplicações que façam emergir a cultura do compartilhamento (veja textos que escrevi sobre essa cultura aqui e aqui ). Não poderia deixar de mencionar a excelente organização do evento na UNIFOR, onde a equipe coordenada pela Profa. Elizabeth Furtado foi extremamente feliz em mesclar reuniões de trabalho com atividades lúdicas em intervalos como a apresentação do coral e camerata da UNIFOR, cantando e tocando músicas nordestinas. O ponto alto do encontro foi quando a apresentação dos perfis de usuários da televisão identificados em Barreirinhas foi apresentado no teatro da UNIFOR. Artistas do teatro da UNIFOR encenaram de forma criativa e divertida os diferentes tipos de usuários. Um exemplo excepcional de como a Universidade pode, ao integrar os seus diferentes setores e recursos, por em prática a multidisciplinaridade.