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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

WikiCrimes no Estadão

No final do ano passado o Estadão fez uma matéria sobre transparência e WikiCrimes foi ressaltado. A matéria pode ser encontrada aqui. Além das características e motivações básicas do projeto nela a uma declaração perfeita do sociólogo Renato Lima dizendo que "boletim de ocorrência é ato administrativo e como tal deve estar sujeito à Lei de Acesso à Informação". Simples assim. Já está na hora de avançarmos nesse quesito.




terça-feira, 10 de abril de 2012

O Avanço Britânico

A visão de governo aberto dos ingleses é uma das poucas que se pode dizer realmente ampla. Depois que virou moda, todo governo que lança uma página ou um conjunto de planilhas na web se auto-intitula de “Aberto”.

A real visão de dados abertos pressupõe dos governos o interesse em que os dados abertos sejam apropriados pela população. Assim espera-se ações concretas na direção de facilitar a exploração dos dados.

Os ingleses demonstram que têm essa visão.  No site http://data.gov.uk é agora possível consultar informações via SPARQL (http://data.gov.uk/sparql)  a linguagem de consulta padrão da web semântica. Isso quer dizer que ficou mais fácil consultar dados e relaciona-los com outros, abrindo-se assim a possibilidade de geração de serviços úteis aos cidadãos. Resta, é verdade, o desafio de tornar essa consulta fácil de ser feita. Mas agindo assim o governo torna-se indutor de iniciativas que podem vir tanto da academia como da iniciativa privada. Um exemplo a ser seguido.


quarta-feira, 28 de março de 2012

Cidades Inteligentes e o Futuro das Megacidades

Ótimo evento promovido pelo jornal Valor Econômico no Hotel Rennaissance em São Paulo sobre cidades inteligentes e sobre o que esperamos como legado da Copa 2014 neste contexto no País. Fui convidado a palestrar onde tive a oportunidade de discorrer dos projetos que desenvolvemos e dos conceitos que venho defendendo há algum tempo como dados abertos, transparência, inovação e mapas colaborativos. Abaixo seguem os slides que usei na minha apresentação. Maiores detalhes sentirei-me honrado em interagir.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Transparência e Dados Abertos na TVT

Estarei hoje em um debate que pode ser acompanhado on line pela TVT  onde debaterei sobre transparência e dados abertos no programa Clique e Ligue. Em especial, falarei sobre WikiCrimes e do mais novo lançamento WikiCrimes OpenGov.

Terei a companhia de  Daniela Silva da transparencia hacker (www.thacker.com.br), Claudio Abramo da ONG Transparência Brasil e Gil Castelo Branco da ONG Contas Abertas.

O debate começa as 14:30hs de Fortaleza (15:30hs de Brasília) e a interação com internautas é muito bem vinda. Participem!


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

WikiCrimes OpenGov no Android

Quem acompanhou o post anterior e me perguntou sobre quando a versão Android sairia, agora já sabe: ela saiu!! Mais rápido do que nós mesmos havíamos previsto. Você pode acessa-la aqui. De seu telefone Android com versão superior a 2.1, basta procurar na Android Market por Wikicrimes OpenGov.
Mantivemos as mesmas funcionalidades presentes do iPhone e que foram descritas aqui. Veja as principais telas abaixo. É possível consultar as áreas mais perigosas da cidade de São Paulo pelo telefone. Basta possuir um telefone com Android 2.1 ou superior e esteja conectado a Internet.



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Realidade Aumentada em WikiCrimes

A nova versão de WikiCrimes para iPhone está no ar e traz uma novidade especial. É possível saber que crimes ocorreram ao seu redor simplesmente apontando a câmera do telefone para uma certa direção. Uma iniciativa de Daniel Macedo, expert em IOS do Laboratório de Engenharia do Conhecimento, e entusiasta com WikICrimes.

Essa funcionalidade pode ser acessada através do ícone de um olho (veja na figura abaixo)  que aparece no canto superior do aplicativo logo após o usuário realizar a escolha de “Aqui é perigoso”. 




Ao se clicar no ícone, a câmera do iPhone é ativada, com um pequeno radar visível no canto direito superior. Basta colocar o telefone em pé e volta-lo à região que se deseja consultar se há crimes. Os pontos que aparecem no radar são indicações de crimes. O campo de visão do usuário também é simulado no radar. 
WikiCrimes usa os alfinetes com cores para representar os crimes. O tamanho dos mesmos representa a distância que o crime está do usuário. Alfinetes maiores representam crimes mais pertos do que alfinetes menores. Não pense que os alfinetes indicam o local exato onde o crime ocorreu! Se estiver dentro de uma sala, vai ficar com a sensação de que eles ocorreram ali mesmo. Se quiser saber detalhes do crime, como a distância e ver o local no mapa, basta tocar no alfinete uma vez. Bom uso!




segunda-feira, 16 de maio de 2011

Quem Pode Saber Onde Ocorre Mais Crime em São Paulo?

"A Marginal Pinheiros é a via onde mais ocorrem crimes em São Paulo. É o que revela levantamento feito pela Polícia Militar e obtido com exclusividade (destaque meu) pelo G1”.

Semana passada o portal G1 fez uma matéria que tinha o seguinte título: “Saiba as 40 vias onde mais ocorrem crime em SP”. A referida matéria começa com o texto que reproduzi acima.

Não vou aqui refletir sobre os locais perigosos de São Paulo. Quero retomar a questão da transparência (ou melhor, da falta dela) no trata das informações sobre crimes no Brasil, em particular em São Paulo. Também na semana passada recebi a resposta da Secretaria de Segurança de SP à minha carta (publicada no blog aqui) onde proponho parceria daquela Secretaria com WikiCrimes. A resposta da Secretaria paulista foi muito cordial, mas recusou qualquer tipo de colaboração com WikiCrimes. Dizem estar estudando formas de colocar os dados em um portal da transparência do próprio Estado de SP.

Pois vejam só. Não podem por os dados disponíveis a WikiCrimes, mas podem fazê-lo com o G1?! Porque a Globo tem o direito de acesso a esses dados? Por que essa exclusividade? Incrível como essa situação beira o surrealismo. E a imprensa, eih? Faz parte desse joguinho que cria um mercado de “furos” jornalísticos com informação pública que deveria ser aberta a todos os cidadãos. A troco de que essas informações são repassadas a alguns privilegiados?

Parece que o Governo Paulista não aprendeu nada depois do caso do funcionário acusado de vender informações sigilosas e que havia comentado aqui. Por quanto tempo?

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sigilo de Dados Criminais: Fatos e Versões


Recentemente, mencionei a, na minha opinião, tímida atitude do Governo do Estado de São Paulo em colocar na Internet as estatísticas de crimes por distrito policial. Disse que era um avanço, mas que muito mais é necessário. Há cerca de três anos venho denunciando a cultura que parece nos impede de compreender que as informações públicas devem todas estar à disposição dos cidadãos.

Fiquei surpreso, ao descobrir, ainda na semana passada, notícias sobre denúncias de que especialistas  contratados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo foram acusados de vender informações, ditas sigilosas, sobre a estatística de crimes. Vejam matéria aqui.


Não vou entrar no mérito específico da questão, até porque não tenho informações precisas do que realmente ocorreu. Agora, surpreendeu-me sobremaneira o fato de que todas as matérias sobre o tema alardearem a existência de informações sigilosas que não poderiam ser divulgadas. Mas que informações são essa? Em busca de compreender mais o problema, vi que se tratavam somente de estatísticas de crime por local. Isso é um absurdo total. Dados de ocorrências criminais com o tipo de roubo, local, hora e data são públicos.  Não têm nada de sigiloso. Não aceitar isso é incentivar um jogo de interesses promíscuos entre os que têm acesso à informação e aqueles que se dispõem a comprá-la ou a consegui-la de forma não transparente.  

Se estamos totalmente convencidos de que as informações são sigilosas, então o problema da falta de controle sobre as mesmas é realmente preocupante. Afinal de contas, o trato de informações sigilosas  requer controles e mecanismos de proteção muito maiores do que os seguem as Secretarias de Segurança. Abundam as denúncias de que certas empresas conseguem acesso às informações de lugares mais perigosos diretamente de fontes oficiais. Enquanto isso, não recebi resposta de NENHUMA Secretaria de Segurança à minha carta  (leia-a aqui) em que proponho parceria com WikiCrimes, justamente para expor aos cidadãos essas informações públicas. 

sábado, 9 de abril de 2011

Governo 2.0: Uma Nova Perspectiva Sobre o Uso da Informação Pública


A Internet tem mudado gradativamente a forma de se viver em sociedade ao proporcionar, dentre outras coisas, novas formas de interação entre as pessoas, negócios inovadores e novas formas de prestação de serviços públicos. Essas mudanças ocorrem normalmente em ondas com força e cadência cada vez maiores. A última onda, chamada Web 2.0, caracteriza-se pela intensa participação das pessoas na produção e publicação de conteúdo na rede mundial. Passa-se de um paradigma de distribuição centralizada e eminentemente oligárquico de produção e veiculação da informação para o multilateralismo e a descentralização característicos das redes.

A cultura do compartilhamento de opiniões, fotos, vídeos, resenhas, livros, etc. dissemina-se e empolga. Web 2.0 é essencialmente participação das pessoas e, por assim ser, novas formas de relação dos cidadãos com os governos devem emergir.  Para que isso ocorra, concentro-me cá sobre a necessidade de uma nova postura governamental no trato da informação pública na Internet (mesmo que em essência, a mudança não se restrinja somente a esse veículo). Essa nova postura, a qual denominaremos Governo 2.0 (mantendo a conformidade com o símbolo Web 2.0), fundamenta-se nos seguintes pilares que se reforçam mutuamente: transparência, participação e inovação. 

Transparência e publicidade de dados públicos são pontos nevrálgicos dos governos os quais, infelizmente, ainda tratam suas páginas e portais na Internet como veículo de propaganda. É comum divulgar o sucesso e esconder as deficiências. A Grã-Bretanha, um dos países mais avançados no conceito de Governo 2.0, é um bom exemplo de como mudanças a essa postura têm sido feitas. Lá o Ministério da Saúde provê, em sua página Web, acesso ao rendimento dos hospitais (sob diversos critérios) com inclusive acesso a taxa de mortalidade de pacientes desses hospitais por cada tipo de procedimento. 

Ressalte-se que abrir-se à sociedade requer coragem, porque implica organização das próprias informações bem como a disposição de estabelecer canais de diálogo franco e proativo com a sociedade. Embora difícil, isso é recompensador, porque trata-se de um meio para se obter credibilidade da população e fortalecimento do segundo dos pilares: participação. As pessoas estarão dispostas a participar, se confiarem no governo e nas informações que lhes são postas à disposição. Serão assim potenciais produtoras de novas informações bem como de inovações a partir da exploração das mesmas. Petições e páginas Web para acolher denúncias sobre falta de infra-estrutura em uma determinada região de uma cidade são de mais em mais usadas pelos cidadãos. 

As denúncias de poluição sonora e de lixo nas ruas que estão sendo feitas na Internet por fortalezenses e o mapa de buracos feitos no Google são exemplos de como isso pode ser conseguido. Vemos aqui exemplos de serviço público que emergiram por iniciativa das pessoas sem exigir esforço do governo. Não foi preciso contratar ninguém e tudo se estabeleceu rápida e informalmente. Aos governos cabe, no entanto, engajar-se no processo de diálogo para prover soluções e prestar conta das ações realizadas. Por fim, menciono o terceiro pilar que é ortogonal aos outros dois: inovação.

Cada vez será mais difícil para os governos atenderem sozinhos a todas as demandas de serviço dos cidadãos.  Os governos hoje são fonte de considerável volume de dados que não conseguem explorar para transformar em serviço útil à população. O modelo tradicional de produção de serviços públicos com uso intensivo da tecnologia da informação baseia-se ou em desenvolvimento proprietário pelos governos ou na terceirização. Tal modelo carece de ampliação e para isso é necessário fazer diferente. Com transparência e participação inovações podem surgir. Os governos têm que se estruturar para se tornarem plataformas provedoras de dados de forma a deixá-los acessíveis a todos. Cabe-lhes promover o desenvolvimento e exploração pela Internet dos dados públicos pelos cidadãos da forma como lhes for conveniente. É preciso criar espaço para empreendedores sociais que podem fazer muito com o trato das informações públicas. Há gente capaz de inovar com a criação de páginas na web que podem ser benéficas à sociedade como um todo. Uma comunidade formada por jovens desenvolvedores de software livre, por exemplo, está ávida para inovar. 

Um exemplo de como essa revolução já está se processando nos EUA é a crescente liberação de dados criminais dos departamentos de polícia para que sejam usados em mapas on line com acesso direto pelos cidadãos. As polícias americanas perceberam que quanto mais as pessoas entenderem o que está acontecendo no seu bairro, mais elas podem ajudar. Aqui no Brasil, começamos Wikicrimes há mais de três anos, mas até hoje não temos a participação dos Órgãos oficiais. Quero ainda acrescentar que Governo 2.0 implica também aumento da capacidade de análises inter-disciplinares. Estatísticas e análises sobre relacionamento de informações vindas de diferentes bancos de dados serão realizadas pelos vários pesquisadores que se dispõem a estudá-las. Todos lucrarão.  É preciso então começar. Este texto é um convite a todos aqueles que mantêm dados oficiais (que vale lembrar: são públicos) aprisionados em seus bancos de dados, para que os libertem. Eles serão o vetor transmissor de uma relação de parceria com a sociedade que tende a ser muito frutífera.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Uma Visão do Investimento em Saúde dos Municípios Cearenses


Dando continuidade à divulgação dos resultados das atividades realizadas na quinta-feira 9 de dezembro, quando do dia Internacional Contra  a Corrupção, venho agora mostrar o desempenho dos municípios cearenses na área da Saúde. Relembro que as atividades foram realizadas no Laboratório de Engenharia do Conhecimento na UNIFOR juntamente com técnicos do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e jornalistas.

Vejam abaixo dois gráficos de resultados que obtivemos ao explorar os dados de empenho dos municípios na função Saúde. Calculamos o gasto em saúde per capita, a partir da população de cada município divulgada pelo IBGE. O primeiro gráfico mostra os dez municípios que mais investiram per capita em saúde no ano de 2010. O segundo mostra os que menos investiram. 



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Uma Visão do Investimento em Educação dos Municípios Cearenses

Na quinta-feira 9 de dezembro, dia Internacional Contra  a Corrupção, fizemos, no Laboratório de Engenharia do Conhecimento, uma atividade simbólica para marcar nossa participação nesse dia. Juntamente com técnicos do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e alguns jornalistas interessados, exploramos alguns dados abertos pelo TCM sobre prestação de contas dos municípios cearenses.

Além do aspecto simbólico, por ser uma atividade que dá apoio ao controle social, trata-se de uma metodologia inovadora, mas que tem tudo para ser de mais em mais usada. A tendência dos governos abrirem seus dados vai requer, cada vez mais, ferramentas para que a exploração desses dados seja feita por profissionais não especialistas. Mas enquanto essas ferramentas não estiverem popularizadas, a formação de equipes multidisciplinares em que profissionais de informática estejam envolvidos será necessária.

Vejam abaixo dois gráficos de resultados que obtivemos ao explorar os dados de empenho dos municípios na função educação. Calculamos o gasto em educação per capita, a partir da população de cada município divulgada pelo IBGE. O primeiro gráfico mostra os dez municípios que mais investiram per capita em educação no ano de 2010. O segundo mostra os que menos investiram. O curioso é que Fortaleza é a segunda pior. Só perde para Santana do Cariri. Menos de R$ 250,00 por habitante é investido em educação. Será que não podemos ir além?




quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dia Internacional Contra a Corrupção

O dia internacional contra a corrupção foi instituído a partir de uma proposta do Brasil em Mérida, México, na Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção em 9 de Dezembro de 2003.
Na próxima quarta-feira, dia 9, um conjunto de atividades no Brasil, coordenadas principalmente pela Controladoria-Geral da União (CGU) ocorrerão.  É a CGU que acompanha a implementação da Convenção e de outros compromissos internacionais assumidos pelo País, que tenham como objeto a prevenção e o combate à corrupção.

Em conversa com o presidente do Tribunal de Contas do Município (TCM), Ernesto Saboya, vislumbramos uma atividade para marcar esse dia. A iniciativa inovadora do TCM-CE de liberar todos os dados de prestação de contas dos municípios cearenses em seu portal será o foco principal dessa atividade. A exploração amiúde, com comparações e cálculos, dos dados do portal ainda necessita, muitas vezes, de conhecimento técnico especializado em programação de computador. Pensamos então em criar um ambiente onde jornalistas, blogueiros, enfim, produtores de conteúdo em geral possam interagir com programadores e técnicos do Tribunal de Contas para explorar os dados abertos pelo TCM.

O ambiente onde este encontro se realizará será o Laboratório de Engenharia do Conhecimento (LEC) o qual coordeno e que se encontra na sala 11 do bloco M na UNIFOR.  A equipe do LEC pôs-se voluntária para explorar os dados do TCM e mostrar o que se pode obter a partir deles. Estaremos assim na tarde de quinta (9/12) a partir de 15hs recebendo convidados, nessa atitude simbólica em apoio à iniciativa de transparência em dados públicos. 

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Web Cidadania

Se você é daqueles que se sente incomodado por não saber o que seu representante político anda fazendo no Congresso, o site Vote na Web vai lhe ajudar a reduzir esse incômodo (embora possa aumentar-lhe a indignação). Além de acompanhar o rendimento dos políticos, nele você pode acompanhar as propostas de lei em andamento no Congresso. O melhor de tudo é que você pode votar se concorda ou não com as mesmas.

Outro site que lhe permite ser mais atuante é o voto consciente. Acompanha o desempenho dos vereadores nas Câmaras Municipais em cidades de todas as regiões do País. Adorei a chamada que diz “Você controlaria sua conta bancária só uma vez a cada quatro anos?”. Claro que não ! Como então deixamos nossos políticos tomarem conta da parte de nosso dinheiro que é pública sem fazer nenhum acompanhamento? Por comodismo é que não será mais. A web permite cada vez mais colocar todo o contexto de informação pública a disposição dos cidadãos. Vamos esperar que iniciativas como as mencionadas comecem a mudar nossa cultura política.



terça-feira, 10 de agosto de 2010

Wikileaks: Vazamento de Informações Colaborativo

Vazamento de informações. Esse é o negócio do WikiLeaks (algo como WikiVazamentos), um site que tem ganho enorme atenção esses últimos dias. Nele qualquer pessoa pode colocar denúncias, as mais diversas, preferencialmente a partir do acesso à informações de documentos oficiais (normalmente sigilosos). O site tem um sistema similar às redes de espionagem. A entrada de informação é descentralizada, anônima, criptografada, etc. Softwares destinados a esse fim são usados (veja TOR para saber mais sobre isso). Diversos colaboradores participam da entrada dos dados em diversas partes do mundo para que qualquer forma de monitoramento seja dificultada. O site já tem mais de 1 milhão de documentos e, por seu modelo corajoso e inovador, ganhou prêmios do The Economist e da Anistia Internacional. Alguns consideram-no uma completa revolução na forma de veicular notícias.

Recentemente relatórios oficiais do departamento de defesa americano vazaram. Informações sobre como os EUA pagam a mídia afegã para contar estórias boas sobre o exército americano. Até mesmo informações sobre Osama Bin Laden que estavam nesses arquivos foram veiculadas no site. O governo americano sentiu na pele o quanto é ruim ser vidraça. Enquanto as denúncias de WikiLeaks eram em sua maioria contra os desmandos de ditaduras chinesas e africanas bem como de impérios econômicos, o site era um bem à humanidade. Quando os vazamentos começaram a incomodar, a coisa muda de figura. O fato é que se alguém ainda tinha dúvida de que a web reformulou totalmente o conceito de privacidade individual, convença-se e saiba que está a reformular o conceito de privacidade institucional também.

Mas não é somente a questão da privacidade que está em jogo. O jornalismo está em cheque também. Novos desafios aos jornalistas se impõem nesse tipo de contexto. Como aproveitar a inteligência do público para gerar uma longa lista de matérias, e ainda por cima, aumentar a credibilidade das mesmas. Ou por outro lado, como filtrar as informações e decidir o que vale a pena ou não ser publicado de forma rápida. Na verdade, o grande jornalista do futuro será aquele que vai ser procurado diretamente pelos denunciantes ao invés de lançarem diretamente em sites tipo Wikileaks.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Declaração Australiana de Governo Aberto

Nessa semana de Workshop sobre governo eletrônico no Congresso da Sociedade Brasileira de Computação, acho apropriado mencionar a recente iniciativa de governo aberto do governo australiano. Depois dos Britânicos e americanos, as iniciativas nessa direção se espalham. O lançamento na Austrália foi precedido de uma declaração de governo aberto veiculada na Internet. Vejam um extrato da mesma aqui.

The Australian Government now declares that, in order to promote greater participation in Australia’s democracy, it is committed to open government based on a culture of engagement, built on better access to and use of government held information, and sustained by the innovative use of technology.
Citizen collaboration in policy and service delivery design will enhance the processes of government and improve the outcomes sought. Collaboration with citizens is to be enabled and encouraged. Agencies are to reduce barriers to online engagement, undertake social networking, crowd sourcing and online collaboration projects and support online engagement by employees, in accordance with the Australian Public Service Commission Guidelines.
The possibilities for open government depend on the innovative use of new internet-based technologies. Agencies are to develop policies that support employee-initiated, innovative Government 2.0-based proposals.
The Australian Government’s support for openness and transparency in Government has three key principles:
Informing: strengthening citizen’s rights of access to information, establishing a pro-disclosure culture across Australian Government agencies including through online innovation, and making government information more accessible and usable;
Engaging: collaborating with citizens on policy and service delivery to enhance the processes of government and improve the outcomes sought; and
Participating: making government more consultative and participative.

Vejam a ênfase no provimento da informação, no engajamento com os cidadãos e na participação.