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quinta-feira, 10 de março de 2011

Mapa da Poluição Sonora

Essa semana que passou estive navegando pelo Wikimapps Barulho, uma criação conjunta da Wikinova e do Jornal O Povo, que visa criar um espaço de interação na web para os cidadãos interessados em denunciar abusos de poluição sonora.

Esse tipo de iniciativa tende a ser mais relevante agora que temos uma lei específica para coibir os abusos: a lei do paredão. Já são cerca de 350 denúncias feitas no mapa.

Em sua grande parte, percebo que as denúncias são sérias, bem fundamentadas e demonstram a real necessidade dos cidadãos de que providencias sejam tomadas. Em conversa com a equipe do Jornal O Povo recentemente enfatizei que temos que trazer o poder público para dentro do mapa. Fazer com que respostas sejam dadas aos denunciantes, por exemplo.

Acho também que, para o Jornal, o mapa do Barulho é rico de possibilidades. Pode gerar pautas muito interessantes. Vejam, por exemplo, essa denúncia que localizei no mapa (clique aqui para vê-la diretamente no Wikimapps Barulho). Um cidadão reclama que há um lava-jato clandestino que além da poluição sonora é responsável por poluição ambiental. E isso tudo há poucos quarteirões  da sede da regional III. Não merece uma investida jornalística? O que a regional III tem a dizer? E os proprietários do lava-jato?  Eles sabem da existência da denúncia? Conhecem o Mapa do Barulho? Seria inclusive um momento para divulgar a iniciativa e chamar o poder público à participação.


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A Vigilância dos Cidadãos e a Credibilidade da Imprensa


A facilidade com que se bate uma foto ou se faz um vídeo hoje aliada à convocação dos meios de comunicação para que o cidadão participe mais ativamente dos problemas de seu cotidiano têm provocado resultados muito interessantes, mas igualmente mostrado os desafios que isto traz.

Recentemente, vi uma foto no Diário do Nordeste, enviada por um cidadão denunciando Policiais Militares que dormiam em serviço. Isso era impossível tempos atrás. O cidadão faz a denúncia e mostra a prova. Perfeito, não?

Como nada é perfeito, o desdobramento dessa estória não é tão previsível. A Polícia Militar refutou a afirmação de que os PMs dormiam, pois disse tratar-se de uma foto antiga de cerca de três anos. A assessoria da PM ainda aproveitou para dar uma tapa de luva de pelica no Diário do Nordeste pedindo mais critério na publicação de dados vindos do cidadão. Vejam-na aqui.

O fato é emblemático de uma dos grandes desafios da imprensa nessa nossa época de web 2.0. A mídia terá de mais em mais de encontrar um equilíbrio entre abrir-se para participação popular com a segurança que lhe mantenha credibilidade nas iniciativas. 

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Wikileaks: Vazamento de Informações Colaborativo

Vazamento de informações. Esse é o negócio do WikiLeaks (algo como WikiVazamentos), um site que tem ganho enorme atenção esses últimos dias. Nele qualquer pessoa pode colocar denúncias, as mais diversas, preferencialmente a partir do acesso à informações de documentos oficiais (normalmente sigilosos). O site tem um sistema similar às redes de espionagem. A entrada de informação é descentralizada, anônima, criptografada, etc. Softwares destinados a esse fim são usados (veja TOR para saber mais sobre isso). Diversos colaboradores participam da entrada dos dados em diversas partes do mundo para que qualquer forma de monitoramento seja dificultada. O site já tem mais de 1 milhão de documentos e, por seu modelo corajoso e inovador, ganhou prêmios do The Economist e da Anistia Internacional. Alguns consideram-no uma completa revolução na forma de veicular notícias.

Recentemente relatórios oficiais do departamento de defesa americano vazaram. Informações sobre como os EUA pagam a mídia afegã para contar estórias boas sobre o exército americano. Até mesmo informações sobre Osama Bin Laden que estavam nesses arquivos foram veiculadas no site. O governo americano sentiu na pele o quanto é ruim ser vidraça. Enquanto as denúncias de WikiLeaks eram em sua maioria contra os desmandos de ditaduras chinesas e africanas bem como de impérios econômicos, o site era um bem à humanidade. Quando os vazamentos começaram a incomodar, a coisa muda de figura. O fato é que se alguém ainda tinha dúvida de que a web reformulou totalmente o conceito de privacidade individual, convença-se e saiba que está a reformular o conceito de privacidade institucional também.

Mas não é somente a questão da privacidade que está em jogo. O jornalismo está em cheque também. Novos desafios aos jornalistas se impõem nesse tipo de contexto. Como aproveitar a inteligência do público para gerar uma longa lista de matérias, e ainda por cima, aumentar a credibilidade das mesmas. Ou por outro lado, como filtrar as informações e decidir o que vale a pena ou não ser publicado de forma rápida. Na verdade, o grande jornalista do futuro será aquele que vai ser procurado diretamente pelos denunciantes ao invés de lançarem diretamente em sites tipo Wikileaks.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Denúncias em WikiCrimes

WikiCrimes está com mais novidades, as primeiras de 2009. Agora já é possível fazer denúncias de áreas perigosas e de tráfico e uso de drogas. Trata-se de uma nova funcionalidade que tinha sido solicitada por alguns usuários desde o começo do projeto. Precisou do apoio dos flamenguistas (é dose!) Carlos Gustavo e Carlos Caminha para sair do papel. Ao invés de registrar a ocorrência de um crime específico, os usuários poderão indicar que uma área é perigosa de uma forma geral. Isso atende a uma demanda de pessoas que têm informações sobre uma região, mas não têm conhecimento detalhado de um crime. A figura abaixo mostra o ícone verde com um alto-falante que será usado para representar as denúncias. Simplificamos ainda o número de campos a serem informados. Precisa-se basicamente da descrição do período do dia cujo qual a denúncia se refere, uma breve descrição da mesma e um espaço para escolher a causa que o usuário acredita provocar os fatos denunciados.