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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Redes Corpo-a-Corpo de Telefonia


Vejam que interessante essa material que vi na PopSci. Pesquisadores britânicos estão investigando um meio bem inusitado de acabar como os gargalos de transmissão de dados na Internet. Um sistema de transmissão corpo-a-corpo (BBN - Body-to-Body Network) requer que cada usuário tenha um tipo de sensor que pode ser embutido dentro de um telefone. Todos os sensors se comunicam com outros para fornecer uma rede ad hoc que permite o envio e recepção de dados sem a necessidade de recorrer a uma torre de transmissão.

O mais interessante dessa proposta é que, como seu combustível depende de gente, ela vai funcionar onde os sistemas tradicionais funcionam com mais dificuldade: lugares densamente povoados. Quanto mais gente com sensores, mais capacidade de transmissão. Conheçam um pouco mais do laboratório de pesquisa da Universidade de Queen’s em Belfast, os mentores do projeto, aqui.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sexto Sentido

O laboratório de Interfaces Fluidas do M.I.T é um dos mais reconhecidos no mundo não só pela capacidade de seus pesquisadores, mas igualmente pelas pesquisas arrojadas que desenvolvem.  A pesquisadora chefe Pattie Maes vem estudando formas de interação das pessoas com máquinas que são definiitvamente inusitadas. É aquele tipo de trabalho que nos remete à ficção científica. Vejam esse vídeo de sua palestra no TED (via Marcus Fábio). É absolutamente incrível. Minority Report fica bem próximo. Tem legendas em português. É só escolher na opção subtitle.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Credibilidade da Informação em WikiCrimes

WikiCrimes está com nova versão no ar. As novas funcionalidades agora contempladas atacam um dos pontos mais importantes do projeto: a credibilidade dos relatos de ocorrências.
Desde o início, sabíamos que nosso maior desafio com WikiCrimes era torná-lo confiável. Ouso até dizer que nossa missão não é somente a de ser um espaço onde as pessoas compartilham informações sobre crimes, mas também de ser um espaço confiável para tal. Um grande desafio.

Projetos que invocam a participação em massa  (crowdsourcing) como WikiCrimes subentendem que deve haver confiança radical. Ou seja, é preciso acreditar que a maioria dos usuários vai fazer a coisa certa. No entanto, o grande problema é criar formas para que os poucos que tenham interesse em fazer algo muito errado possam ser identificados e assim não consigam desacreditar o sistema como um todo.

Definimos em WikiCrimes mecanismos que permitem computar a  reputação dos usuários no sistema e estimar a credibilidade das informações por eles relatadas. Criamos instrumentos para que no relato da informação o próprio usuário busque prover informações que fortaleçam a credibilidade dos relatos de ocorrência criminal. Pode-se colocar fotos, vídeos, links e outras informações sobre a fonte de onde a informação foi coletada.

A pessoa que registra o crime deve ainda indicar pessoas que podem reforçar o relato feito. Essa última estratégia é fundamental para o estabelecimento da reputação dos usuários. Relatos que possuem confirmação de outros usuários implicam tanto no fortalecimento da reputação dos usuários (dos que realizam o relato e dos que os confirmam) como da credibilidade do relato efetuado. 

Alguns usuários que formalmente estabelecem parceria com WikiCrimes são ditas entidades certificadoras. Jornais, promotores, guardas municipais são exemplos disso. Eles têm alta reputação em WikiCrimes e os relatos de crime que registram possuem alta credibilidade. O mecanismo completo de cálculo da reputação dos usuários e da credibilidade da informação é complexo e não será objeto de descrição nesse texto. Na verdade, trata-se de nosso “pulo do gato” e é fruto de pesquisa que continuamos a desenvolver. O que é importante ressaltar é que hoje acredito que em WikiCrimes temos mais mecanismos para identificar trotes do que um sistema oficial tipo a chamada de emergência por telefone feita pelo número 190. Abaixo, vejam um gráfico que representa a evolução de minha reputação em WikiCrimes. Se quiser saber como é a sua, vá ao sistema, entre com sua conta e acesse “minha reputação”.  

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ipad: Oportunidade para desenvolver inovações


Essa semana a  Apple começou a vender nos EUA o  iPad, o computador pessoal em formato de prancheta (tablet) que acredita ser a maior inovação tecnológica dos últimos anos (dito pelo próprio Steve Jobs). O exagero que cerca o momento da venda inicial é oriundo principalmente pelas matérias de sites de tecnologia que tratam da novidade como os  Paparazzi que cercam as celebridades. O popular site  Mashable, por exemplo, colocou fotos das pessoas saindo da loja da Apple em Nova York. Pode?
Independentemente desses exageros, acredito que o iPad se apresenta como um verdadeiro espaço de inovação. O sistema operacional do iPhone será usado no iPad e as aplicações para esse telefone são suficientes para mostrar o quanto é possível desenvolver programas que incorporem novas funcionalidades de interação humano-computador. No entanto, os desenvolvedores de software para iPhone ainda tinham uma frustação: a tela do celular que é muito pequena. Por mais que as inovações estejam presentes e a interação agradável, ainda faltava espaço. Não falta mais. Esse espaço vem no iPad.
Alem de ser um equipamento projetado para não especialistas em computadores, o iPad vai abrir espaço para aplicações de lazer com a interação multi-toque típica do iPhone. Percebam que no iPad será possível ter dez pontos de interação multi-toque. Ou seja, o usuário pode interagir com as duas mãos ao mesmo tempo na tela do iPad. Só isso abre uma enorme gama de possibilidades de aplicações inovadoras. Vejam o Piano Mágico (Magic Piano) da  Smule e o aplicativo da Yahoo! Para mostrar notícias nos vídeos abaixo.
E olhe que ainda existem limitações no  iPhone OS que o impedem de desenvolver aplicações multi-tarefas. Creio que a Apple logo, logo resolver isso. Quando isso ocorrer, até mesmo o Snow Leopard (SO para desktops) estará com os dias contados. Alguns apostam que o SO do iPhone vai se tornar o padrão da Apple. Por enquanto, acho que todo desenvolvedor de software tem por obrigação experimentar desse novo paradigma. Se vai vingar exatamente como é hoje, não sei, mas que vai ser fator determinante de mudanças por algum tempo, creio que vai.


sexta-feira, 15 de maio de 2009

O Dia Em Que a Terra Parou

Uso de forma provocativa o título do clássico de ficção científica de 1951 e que teve um remake esse ano com Keanu Reeves (Matrix) somente para lembrar da falha da Google na semana passada. É isso mesmo! A Google parou. Não foi seu computador. Esse negócio de computador é feito para dar pane mesmo. Pensar que alguns achavam que toda a culpa no mundo era da Microsoft! Uma pane num conjunto de roteadores fez com que alguns países, Brasil incluído, ficassem sem acesso aos serviços como Gmail, buscador, maps, etc. O mais interessante é que essa falha foi rapidamente noticiada no Twitter. A pergunta que não quer calar é: e se a Google tivesse comprado o Twitter? Quem iria anunciar a falha?

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Wolfram Alpha

Será que o sonho dos anos 60 da Inteligência Artificial (IA) de se construir um programa que resolva tudo quanto é problema (antigamente batizado de GPS para General Problem Solver – Resolvedor Geral de Problemas) vai se concretizar? A comunidade acadêmica, o mundo da tecnologia e os usuários da web em geral terão ainda que esperar algumas semanas para saber se a façanha está mesmo próxima de se realizar. Stephen Wolfram, o idealizador do popular software científico Matemática e escritor de A New Kind of Science, começou um tímido, mas já barulhento, processo de divulgação do Wolfram Alpha. Os que tiveram a oportunidade de ver a versão em preparação (a versão oficial só será lançada em Maio) se surpreenderam com o que está sendo proposto. Wolfram Alpha é um site que responde perguntas sobre, bem, sobre simplesmente tudo! Não se trata de um Google que acha páginas sobre tudo. Ele responde perguntas! Por exemplo, se você pergunta sobre “usuários de internet na Europa” ele não só diz a quantidade, como mostra gráficos por países e estatísticas de uso. Trata-se de um trabalho que requereu a construção de uma enorme base de conhecimento (em um formato ad hoc e ainda não conhecido pela comunidade científica) e de mecanismos para explorá-la. Wolfram Alpha usa muito do código do Matemática para construir o que o autor chama de Um Motor de Conhecimento Computacional para a Web. Falar mais sobre o que é ou será o projeto não me parece interessante, pois é só especulação. Será a tão esperada “killer application” da Inteligência Artificial? Não sei, mas que vai fazer muito barulho, isso vai.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

WikiCrimes na PC Magazine

A revista PC Magazine é um ícone no mundo da tecnologia. Surgiu logo depois do nascimento do PC e tornou-se referência para tudo que se produz, se usa e se diz sobre PCs. Posteriormente, passou a tratar da micro-informática como um todo e, evidentemente, da web. Para mim a revista traz sentimentos nostálgicos, pois me lembro como, na época da Universidade, me entusiasmava ao acessar seus exemplares importados que nos faziam sonhar com as tecnologias ali apresentadas. Vivíamos em uma época de reserva de mercado em Informática, isolados do resto do mundo e sempre aquém em termos de inovação. É por essa razão que me senti particularmente feliz ao ver a matéria, em um espaço bem generoso, sobre WikiCrimes na PC Magazine (exemplar brasileiro) que está nas bancas nesse mês. Digitalizei a página da matéria e a estou postando abaixo. O site da revista é pcmag.uol.com.br. Compartlhem de minha felicidade!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Ciro Gomes na InfoBrasil

A palestra de abertura da InfoBrasil foi proferida pelo deputado federal e sempre cotado à presidência da República Ciro Gomes. Eu tinha uma grande curiosidade para escutar Ciro Gomes falar sobre tecnologia da informação, inovação, desenvolvimento econômico e social, etc. Como tenho acompanhado a carreira política de Ciro e sempre achei que o mesmo tem um discurso muito eloqüente e rico, tinha uma expectativa de que ele apresentasse uma visão interessante sobre o tema. Pois bem, não sei se ando muito exigente (os amigos me alertam, embora não considere de todo ruim) ou se criei uma expectativa grande do que ele poderia falar. O fato é que me decepcionei. Seu discurso foi confuso, pouco conclusivo e marcado por clichês tipo “males da globalização” e “neoliberalismo” (sem falar nas expressões em inglês onde escorregou, de vez em quando, o que pega mal pra caramba!). No meu ponto de vista, esses clichês perdem de mais em mais espaço na agenda intelectual no mundo, em particular no contexto de tecnologia da informação que era onde ele se encontrava. O fio condutor de sua palestra foi a idéia de felicidade e de como o sentimento do ter gerado pela sociedade de consumo é determinante para que as pessoas sintam-se felizes. Ele considera isso uma deformação e acredita mesmo ser uma perversidade no contexto brasileiro onde há tantas desigualdades. Ainda aqui, nada de novo. Na verdade, ficou muito vago e difícil de imaginar onde ele planeja chegar. Mesmo as sociedades mais avançadas em termos sociais são extremamente bem adaptadas à sociedade de consumo. Pode até ser que Ciro queira trazer esses temas à tona para alavancar suas idéias (entendo, mas acho uma estratégia errada). Sempre achei que um dos seus diferenciais era sua juventude e capacidade de trazer temas recentes ao tablado das idéias. Não foi o que ele fez na InfoBrasil. Em se tratando de tecnologia, inovação e desenvolvimento econômico é preciso compreender que a globalização e o desenvolvimento tecnológico atingido nos dias atuais trouxeram aos países emergentes como o Brasil a oportunidade de desenvolvimento que a revolução industrial não tinha trazido. O que deve fazer parte da agenda de discussão são as formas de aproveitar as oportunidades que surgem em função de nossas potencialidades e criarmos condições para um crescimento sustentável. Quanto antes percebermos isso, maior será nossa probabilidade de crescermos. O mundo pequeno permite o crescimento e difusão de idéias e culturas locais em uma escala globalizada (o livro o mundo é plano indicado nos dá dicas de como isso pode ser obtido). Conceitos como colaboração (e outros da Web 2.0), economia criativa e reformulação do conceito de direitos autorais são muito mais atuais (textos sobre cada um desses temas já foram objeto de reflexão nesse blog. Veja por exemplo aqui, aqui e aqui), Mesmo em pontos em que o Governo Federal tem avançado, Ciro não demonstrou ter muito conhecimento. Por exemplo, ao falar da necessidade de investimentos de risco no Brasil, não pareceu conhecer que o surgimento de fundos ditos capital venture, está se tornando realidade por meio de forte iniciativa do Governo Federal, em particular, da FINEP. Em resumo, acho que o debate de idéias para o futuro (e para 2010, claro) no que concerne a tecnologia da informação e desenvolvimento econômico, pode e deve ser muito mais rico. Ciro não pode passar a imagem de que cansou ou que suas idéias envelheceram. Esperamos mais dele.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

As Oportunidades e Desafios do Desenvolvimento de Software Off Shore

Em julho escrevi sobre os desafios do desenvolvimento de software off shore (ver aqui o texto). Só lembrando, este termo refere-se à prática de empresas terceirizarem algumas de suas atividades em países onde o custo do serviço é reduzido. O desenvolvimento de programas de computadores, os serviços de telemarketing e mesmo as atividades ditas Back Office (contabilidade, logística, cobranças, etc.) são exemplos de serviços que cada vez mias passam a ser exercidos na modalidade off shore. Esta semana tomei conhecimento de um relatório recente produzido pela empresa de consultoria AT Kearney que faz uma análise de que países têm mais potencial para atrair investimentos em serviços off shore. Os quatro primeiros colocados continuam sendo asiáticos com Índia e China encabeçando a lista nessa ordem. A grande novidade é o Brasil que era o décimo colocado em 2005 e, agora em 2007, é o quinto. A análise da AT Kearney baseia-se em três critérios: financeiro, pessoal e ambiente de negócios. No aspecto financeiro se analisa o custo da mão-de-obra, impostos e outros fatores que afetam o custo do serviço. Quanto ao aspecto das pessoas, busca-se analisar a qualidade da mão-de-obra como no nível de fluência em diferentes línguas, a quantidade de pessoas com nível superior e indicadores de educação básica em geral. Por fim o critério referente ao ambiente de negócios analisa o quanto o mercado local é regulado, quão sólidas são as instituições governamentais, inclusive o judiciário e a lei de falência, quão presente é a cultura de proteção de direitos autorais (antipirataria) e outros fatores que podem tranqüilizar ou preocupar um investidor externo. Ao analisar os índices brasileiros para esses critérios fica evidente que o nosso grande desafio refere-se à pessoal qualificado. O Brasil tem uma grande desvantagem no que se refere aos serviços de telemarketing que é a língua. Mesmo grandes conglomerados latinos não consideram o Brasil o primeiro alvo para investimento, pois preferem países de língua espanhola. Esta é uma das razões pela qual o desenvolvimento de software passa a ser o setor mais promissor. O Brasil já tem uma história no setor, mas sofre da carência de pessoal em quantidade que venha a abastecer as demandas do mercado internacional que são grandes. Esse tinha sido exatamente o diagnóstico que tínhamos feito no texto anterior supramencionado, em particular, quando nos referimos ao contexto cearense. Infelizmente, deficiências desta ordem não são rapidamente sanadas. Pode-se até construir prédios, fornecer banda larga e dar incentivos fiscais. Formação de pessoal, no entanto, demanda tempo. Melhor começar logo!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Tecnologia da Informação: Em Busca do Sonhado Salto de Qualidade

Tenho participado de grupos de trabalho e acompanhado outros, em diferentes contextos, que visam discutir políticas e definir ações a serem tomadas no Estado do Ceará para transformar nosso perfil na área de Tecnologia da Informação (TI). Há um sentimento de que temos um potencial que precisa ser incentivado e que podemos dar um salto de qualidade nesta área. Como acabei de chegar do Vale do Silício e tive a oportunidade de conviver um ano neste ambiente que, em minha opinião, é o mais dinâmico e rico no mundo em se tratando de inovação e criatividade em TI, não pude me furtar a participar das iniciativas nesta direção. O processo de interação que tenho tido com os diferentes setores que representam o setor tem sido muito gratificante. Vejo uma preocupação e um interesse geral em contribuir. No entanto, pude perceber também como esse debate consegue ficar desfocado e excluir o ponto, que na minha concepção, é o mais relevante para que se consiga dar o tal salto. Em qualquer lugar do mundo em que se criou um ambiente de criatividade, inovação e empreendedorismo, pode-se claramente identificar Universidades que foram a base para tal. Para começar exemplificando com o Vale do Silício, as Universidades de Stanford e Berkeley são os dois grandes motores deste processo na Califórnia. Berkeley ao norte e Stanford ao sul de San Francisco congregam um pólo de indústrias de todos os portes ao seu redor. Há de se perguntar, se há alguma política fiscal de incentivo a essas empresas nessas áreas. Absolutamente. Aliás, a região de Palo Alto, nos arredores de Stanford, é um dos metros quadrados mais caros do mundo. O que existe lá, é o que é de mais precioso para quem almeja conseguir inovação: gente qualificada. Todos os anos essas universidades despejam no mercado doutores qualificados não somente na teoria e prática de suas áreas de atuação, mas, sobretudo, impregnados de uma visão empreendedora que lhes leva naturalmente a ousar, arriscar, competir, enfim, cheios de fome e loucura como diz a expressão sempre usada naquelas bandas por Steve Jobs (stay hungry, stay foolish, clique aqui para ver o discurso de Jobs na formatura em Stanford). Os mais céticos poderiam dizer que a realidade americana é outra e que ainda não estamos em condições de agir da mesma forma. Voltemos nosso olhar para o Brasil e veremos que aqui também não é tão diferente. O pólo tecnológico de Campinas é suportado pela UNICAMP com um dos melhores cursos de doutorado em Computação do Brasil, sem contar os outros cursos de doutorado em áreas afins. O Rio de Janeiro com a UFRJ e a PUC , Santa Catarina, com a UFSC, para ficar por aqui, também formam anualmente dezenas de doutores e mestres que alavancam o mercado de produção de software nessas regiões. Chegando ao Nordeste, em Pernambuco, a UFPE forma mais do que o dobro de mestres e doutores que todas as nossas Universidades juntas. Eles são o combustível que propulsiona o CESAR e o Porto Digital. Somente este ano a UFC conseguiu formar o nosso primeiro doutor em computação! Ressalto que quando estou falando de formação de mestres e doutores não estou me referindo a formação de pessoas com perfil exclusivamente acadêmico para pesquisa e docência (embora seja uma grande lacuna a ser preenchida). Minha visão de um doutor perpassa a capacitação na sua especialidade. Ela envolve uma capacidade crítica de análise e síntese, uma capacidade de identificar oportunidades da aplicação do estado da arte em benefício da sociedade, o que o credencia na atividade de saber identificar problemas não resolvidos e buscar formas inovadoras de resolvê-los. Obviamente, essas características não são exclusivas de quem consegue uma titulação academia, mas elas são potencializadas em quem passa por essas experiências, pois é o tipo de efeito colateral positivo que naturalmente se obtém durante essa formação. Enfim, é essa a realidade que temos que mudar urgente e prioritariamente. É esse o nosso real gargalo de formação de pessoal que temos. Como agir? Governos! Fortaleçam nossas instituições de ensino e pesquisa. Criem um ambiente de incentivo a inovação, a competitividade, a criação de pequenas empresas. Empresários! Estabeleçam mecanismos de cooperação com as Universidades que identifiquem possibilidades de utilização de seus recursos privados, dos recursos de lei de informática, dos recursos advindos de financiamentos de subvenção econômica e todas as outras oportunidades que hoje surgem abundantemente. Essas cooperações servem tanto para financiar geração de pessoal qualificado como para a produção de inovações. Afinal, não era essa a real intenção do legislador quando propôs as leis de incentivo hoje existentes? Professores! Saiamos de nossas salas de aulas para conhecer os problemas do “mundo real” e formemos doutores e mestres que sejam empreendedores. Esse é o tripé de base de uma política de TI consistente e que poderá nos levar ao tão sonhado salto de qualidade.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento Econômico: Por um Pecém do Conhecimento

Tenho escrito muito sobre ciência e tecnologia (C&T), pois é o assunto que mais me envolve nesta minha experiência Americana. Quero aqui dar um depoimento mais otimista sobre o contexto da C&T no Brasil. Os últimos 10 anos tem sido alentadores para o setor. Parece que os governantes e a classe empresarial começaram a perceber a real necessidade do setor e realizaram uma série de ações de fomento. A criação dos fundos setoriais (embora ainda contingenciados em boa parte) que direcionam recursos do orçamento federal para investimentos em C&T, a lei de inovação que promove a criação de tecnologia e a realização de pesquisas nas Empresas e a lei de informática que promove o investimento de recursos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em Informática são exemplos destas iniciativas. Muito ainda há por ser feito, mas pode-se perceber que o caminho começa a ser pavimentado. Um dos passos que ainda não demos, em particular no Estado do Ceará, refere-se à percepção (e à concretização dessa percepção) pela sociedade de que a política de C&T deve ser encarada com uma política de desenvolvimento econômico. Recentemente acompanhei pelos jornais a mobilização da sociedade cearense em clamor para que o plano da siderúrgica no Pecém pudesse ser concretizado. Percebi o quanto setores da mídia, da classe política e da classe empresarial se mostraram atuantes, buscando pressionar a Petrobras para que o contrato de fornecimento de gás fosse mantido nas circunstâncias definidas em acordos prévios. Esta ação demonstra implicitamente a percepção geral do quanto este projeto tem relevância no desenvolvimento industrial do Estado. Creio que precisamos atingir esse nível de sensibilização da sociedade no que concerne a importância de C&T como desenvolvimento econômico. Embora seja louvável a busca por crescimento industrial, pois esta atividade econômica pode beneficiar cidadãos sem qualificação especializada, é consenso que se vive na era do conhecimento. Atividades profissionais ligadas à produção de conhecimento são as que permitirão o incremento significativo dos indicadores econômicos, principalmente se as empresas que as realizam possuírem a capacidade de inserção no mercado mundial. Evidente que isso não se faz da noite para o dia e que correlato estão os investimentos em educação superior e tecnológica, mas temos que começar logo. Nossos vizinhos pernambucanos, por exemplo, já acordaram para o fato e desenvolvem há algum tempo uma política agressiva na área.