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sábado, 6 de outubro de 2012

Professores e Startups: zona de conforto deslocada


O breve artigo do Prof. Michael Stonebraker na ACM Communications deste mês trouxe uma mensagem que merece compartilhamento. Stonebraker é professor e pesquisador do MIT e um dos pioneiros nas pesquisas em banco de dados relacionais. Atualmente faz pesquisas sobre como explorar eficientemente “big data”. Com o aumento exponencial dos dispositivos de coleta de dados nas nossas vidas, já produzimos mais de 1.8 zetabytes de dados por ano. Isso preencheria 57.5 bilhões de iPads de 32 Gigabytes.

Mas não é a pesquisa de Prof. Stonebraker que me chamou mais atenção, foi sua atuação como empreendedor. Já fundou e vendeu várias startups e continua investindo seu tempo em criar novas empresas e novas ideias. Abaixo segue sua mensagem:

“ Se um professor/cientista só publica papers na universidade, tem pouca chance de ver suas ideias se tornarem realidade, pois é difícil haver transferência tecnológica. Se ele procura uma grande empresa para vender suas ideias, muito dificilmente as terá comprada. A saída é fazer uma startup e tentar por si". 

Ter a coragem de deslocar a zona de conforto que se forma na carreira tradicional de pesquisa acadêmica não é nada fácil.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

A Cesta Mais Fácil


O mapa abaixo que copiei do blog flowingdata que por sua vez se referiu ao artigo científico de Goldsberry da Universidade de Havard, além de interessantíssimo aos amantes do Basquete, é um exemplo para os profissionais do esporte. O mapa mostra um mapa colorido de calor indicando os locais de uma quadra de basquete onde se faz mais pontos. São dados de arremessos em partidas da NBA de 2006 a 2011.

Seria natural pensar que quanto mais perto mais pontos feitos, não? Não é bem assim. Veja que perto da cesta é onde está o vermelho forte, mas a meia distância é branco (não teve pontos) e depois verde, indicando que poucos pontos são convertidos da região. Mais distante, tangenciando a linha dos três pontos, vê-se outra tonalidade mais forte.

Acho também importante pontuar aqui o estudo em si. Ele foi apresentado na Conferência Sports Analytics patrocinada pelo MIT Sloan (Escola de Gestão do MIT – Massachusets Institute of Technology). Os americanos sempre foram obcecados por coletar e analisar dados. Em todos os esportes que praticam fazem isso com muita frequência. Isso agora está deixando de ser algo empírico e começa ser explorado pela comunidade científica. Afinal, com o acúmulo dos dados, as explorações destes fogem do que uma planilha Excel pode dar. Descobrir pontos falhos do adversário ou mesmo virtudes não percebidas do próprio time pode valer milhões de dólares, coisa que os americanos levam bem a sério.

E nós? Como estamos, no futebol, por exemplo? Teremos muita dificuldade em avançar porque não temos a cultura de coletar dados. A história não foi digitalizada nem contabilizada de forma estruturada. Dá para tirar o atraso? Sim, mas temos que correr. Esportes deixaram, há muito tempo, de serem coisa de amador. 

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sexto Sentido

O laboratório de Interfaces Fluidas do M.I.T é um dos mais reconhecidos no mundo não só pela capacidade de seus pesquisadores, mas igualmente pelas pesquisas arrojadas que desenvolvem.  A pesquisadora chefe Pattie Maes vem estudando formas de interação das pessoas com máquinas que são definiitvamente inusitadas. É aquele tipo de trabalho que nos remete à ficção científica. Vejam esse vídeo de sua palestra no TED (via Marcus Fábio). É absolutamente incrível. Minority Report fica bem próximo. Tem legendas em português. É só escolher na opção subtitle.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Irracionalidade Previsível e a Economia Comportamental

Volto ao tema da irracionalidade humana para comentar um pouco sobre o livro  Predictably Irrational. Sua leitura é um deleite só. Escrito pelo professor de Economia no MIT (Massachusetts Institute of Technology), Dan Ariely,  é daqueles livros que se lê em um fim de semana. Leve, divertido e cheio de curiosidades. Ariely é representante de uma nova linha de pesquisa chamada Economia Comportamental. Trata-se de uma nova área de pesquisa que envolve psicólogos, cientistas sociais e economistas. Em resumo, ela busca compreender porque muitas das decisões humanas parecem totalmente irracionais quando analisadas friamente sob a ótica econômica dos conceitos de custo e benefício. Cientistas dessa área acreditam que essas decisões irracionais não são totalmente aleatórias e que apresentam inclusive alguns padrões. Em particular, a economia comportamental concentra-se nas decisões irracionais que fazemos nas nossas relações comerciais.

Deixem-me exemplificar o tipo de experiência realizada. Pesquisadores queriam estudar o impacto de impor penalidades nas pessoas e o quanto isso era comparável com sanções sociais. Para isso, foram a uma escola que tinha o problema recorrente de que os pais dos alunos chegavam tarde para pegar as crianças depois das aulas. Decidiram então aplicar multas para cada atraso dos pais. Conseqüência: a quantidade de atrasos aumentou! O pais sentiam-se mais pressionados quando a pressão era da escola e dos próprios filhos. O dinheiro tirou o peso da responsabilidade social. Vendo o ocorrido, a escola decidiu retirar a penalidade financeira. Resultado: os atrasos continuaram grandes! A volta à situação anterior de respeito ao padrão social não se fez.

Em seu livro Dan Ariely descreve uma série de inusitadas experiências que ele e colegas vêm desenvolvendo e seus resultados surpreendentes. Os domínios são os mais diversos. Para entender como as pessoas tomam decisão quando estão excitadas sexualmente, por exemplo, ele e seus colegas fizeram experiências sobre como as decisões, opiniões e atitudes das pessoas mudavam quando sob forte estímulo sexual como vendo filmes ou revistas pornográficas. Testes para mudar medir o nível de desonestidade das pessoas e em que situação elas ocorrem é outro exemplo dessa diversidade.

Aqueles que buscam resultados científicos concretos com a descrição detalhada dos métodos aplicados pelos pesquisadores vão se frustrar. O livro não entra nesse nível de detalhe e nem parece ser esse o objetivo do autor. Trata-se de uma obra de divulgação científica onde o que mais se ressalta é o ineditismo das questões levantadas e dos métodos utilizados. Para os menos exigentes, recomendo.

sábado, 27 de janeiro de 2007

A Pesquisa em Informática

Em se tratando da experiência americana no que se refere ao contexto da pesquisa em Informática, que é o que estou fazendo aqui, provoca-me sentimentos antagônicos. Se por um lado aumenta minha motivação por estar percebendo que aprendo mais cada dia. Por outro lado dá um enorme desânimo ao perceber o quanto estamos em desvantagem no Brasil. O ambiente de pesquisa aqui é extremamente rico e dinâmico. As duas mais conceituadas universidades são Stanford e Berkley que nutrem uma saudável rivalidade. Acho que a rivalidade é mais de Berkley com Stanford. Pois Stanford prefere nutrir a rivalidade com o MIT (no lado leste, em Boston) para se considerar a melhor Instituição tecnológica dos EUA. Alem das universidades, todas as grandes empresas de informática estão aqui: IBM, Google, Microsoft, Apple, SAP, HP, só para citar algumas. Todas essas empresas desenvolvem pesquisa internamente ou em conjunto com as universidades. Já dá pra perceber por que então há tanto dinamismo. Toda semana recebo a programação de palestras que ocorrem na região. Imagine um círculo de aproximadamente 20 Km2 com centro em Cupertino. Acesso fácil em torno de 15 a 30 minutos. São em torno de 20 palestras por semana! Gente do mundo todo que expõe suas idéias, as mais novas. O aprendizado é por osmose. Não precisa fazer força. A palavra-chave é interação. Conte sua idéia, argumente, fortaleça-a através da discussão. Aqui vai uma primeira questão a refletir. Porque interagimos tão pouco no Brasil? E no Ceará, então? Vivemos encastelados fazendo nossas pesquisas como se fossem para nos mesmos. Será que é por medo de se expor? O fato de sermos menores (em numero) deveria ser um fator que fortalecesse a interação, é mais fácil de se conhecer. Tenho algumas opiniões do que dificulta isso. Discorrerei em outro momento. Por enquanto deixo a pergunta no ar.