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sábado, 6 de outubro de 2012

Professores e Startups: zona de conforto deslocada


O breve artigo do Prof. Michael Stonebraker na ACM Communications deste mês trouxe uma mensagem que merece compartilhamento. Stonebraker é professor e pesquisador do MIT e um dos pioneiros nas pesquisas em banco de dados relacionais. Atualmente faz pesquisas sobre como explorar eficientemente “big data”. Com o aumento exponencial dos dispositivos de coleta de dados nas nossas vidas, já produzimos mais de 1.8 zetabytes de dados por ano. Isso preencheria 57.5 bilhões de iPads de 32 Gigabytes.

Mas não é a pesquisa de Prof. Stonebraker que me chamou mais atenção, foi sua atuação como empreendedor. Já fundou e vendeu várias startups e continua investindo seu tempo em criar novas empresas e novas ideias. Abaixo segue sua mensagem:

“ Se um professor/cientista só publica papers na universidade, tem pouca chance de ver suas ideias se tornarem realidade, pois é difícil haver transferência tecnológica. Se ele procura uma grande empresa para vender suas ideias, muito dificilmente as terá comprada. A saída é fazer uma startup e tentar por si". 

Ter a coragem de deslocar a zona de conforto que se forma na carreira tradicional de pesquisa acadêmica não é nada fácil.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Dificuldade da Elicitação de Requisitos

A dificuldade da elicitação de requisitos é muito bem representada nessa estória em quadrinhos. Quanta dificuldade de comunicação.


terça-feira, 12 de abril de 2011

Governança de TI


Semana passada participei de duas palestras proporcionadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Ceará sobre o que vem sendo feito  por estas côrtes para incrementar as auditorias nas áreas de tecnologia da informação dos governos. A primeira palestra foi dada pelo ministro do Tribunal de Contas da União – TCU e a segunda por Paulo Alcântara, funcionário da ETICE, lotado no TCE-CE.

A constatação de que os gastos com TI se elevam cada vez mais e de que as contratações de serviços nesta área contemplam particularidades difíceis de serem compreendidas pelo auditor comum motivaram à criação de políticas específicas. Além desses aspectos, vale ressaltar que as informações que estão hoje guardadas em bancos de dados governamentais são valiosíssimas. Se esses órgãos não possuírem mecanismos de gestão  de TI bem implantados podem gerar prejuízos incalculáveis à sociedade.

A iniciativa do TCE-CE é louvável e digna de menção. Desde 2008, o TCE-CE vem se preparando para realizar auditoria de TI. Um concurso público foi feito para a contratação de auditores especializados na área, o que permitiu compor uma equipe qualificada e que agora começa a mostrar resultados.

Recebi um relatório de levantamento acerca da situação da governança de TI na Administração Pública Estadual feito pelo TCE-CE. Nele podemos ver como a situação dos setores de TI dos órgãos é frágil. No entanto, os profissionais da área que trabalham nos órgãos ficaram felizes de estar recebendo a “visita”do TCE. As sugestões e conselhos  emitidos no relatório de auditoria são na verdade uma forma de pressionar os governos para que mais investimentos sejam feitos no setor.  Certamente uma instrução normativa do TCE para os órgão é uma ajuda e tanto. 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O DIA nasceu !


Espero que os que leiam este texto sintam a euforia que me move. O curso de Doutorado em Informática Aplicada(DIA) teve autorização para funcionamento pelo MEC/CAPES órgão responsável pela avaliação da pós-graduação brasileira. Seremos o segundo curso no Estado (a UFC já tem um curso com pouco mais de cinco anos de vida).

Essa autorização é um prêmio à UNIFOR pela forma consistente como vem investindo em pesquisa bem como é um reconhecimento à um grupo de jovens pesquisadores, o qual me incluo (gostaram do “jovens”?) que, desde o momento da criação do Mestrado em Informática Aplicada em 1999, dedicou-se fortemente para galgar os difíceis degraus de ter excelência na área de computação.

O DIA nasce com a proposta de formar doutores que possam suprir as carências da pesquisa acadêmica em TIC(Tecnologia da Informação e Comunicação), mas igualmente possam formar cientistas empreendedores com capacidade de realizar projetos aplicados  tanto sociais como voltados à inovação empresarial.

A primeira turma deverá receber cerca de 10 candidatos ainda nesse primeiro semestre. Maiores detalhes serão definidos em breve pela UNIFOR.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Que Mudou na Computação ?


A computação faz cada vez mais parte de nossas vidas. Quando decidi por esta carreira em 1983 não tinha a menor ideia do quão impactante ela seria. Sabia que era algo “do futuro” (literalmente), mas não tinha nenhuma pista de que futuro seria este. Vez por outra reflito sobre o que mudou da época que comecei para cá. A base da computação mudou durante esses quase trinta anos?

Na faculdade estudei, grosso modo, as mesmas coisas que meus alunos estudam hoje. A necessidade de construir modelos computacionais para representar o mundo real estava presente naquela época como hoje em dia. Dominar o manuseio do símbolos e das abstrações (representados pelas linguagens de programação) nos diferentes níveis, sejam o das aplicações, comumente chamadas de sistemas de informação, sejam os de software básicos como sistemas operacionais e banco de dados era a atividade predominante. A compreensão da arquitetura do computador e as formas de organizar e manipular a informação aliava-se às essas outras atividades mencionadas. Não é a toa que as disciplinas de teoria da computação, banco de dados, estrutura de dados, linguagens de programação, análise de sistemas, redes de computadores ainda estejam presentes nos currículos dos cursos de computação mundo afora.

Mas isso não é intrigante? Como pode uma ciência ter evoluído tanto, ser hoje tão ubíqua e mudar tão pouco? Não falta algo na nossa formação? Quando penso em responder a estas perguntas sempre me vem uma coisa à cabeça: falta compreender melhor as pessoas. Creio ser essa a grande diferença da computação de hoje da de outrora.

Trinta anos atrás, os programas que desenvolvíamos geravam resultados que eram apropriados pelas pessoas de uma forma muito elementar. Produzíamos relatórios a serem lidos, via de regra por burocratas (sem sentido pejorativo), pois o objetivo era processar os dados. À época o computador era algo raro, grande, caro, excêntrico. Era uma máquina compreendida por poucos. No mundo dos mainframes (grandes computadores corporativos) a relação daqueles que o manipulavam (nós, os informáticos) com aqueles que iam usar seus resultados era distante e com um formato predefinido. Iríamos gerar as listagens de correntistas para uso dos bancários, a listagem dos produtos no estoque, as listagens dos funcionários com seus salários, etc.

Não tinha o menor sentido falarmos em interação humano-computador. A interação era humano-listagem de computador. Com o advento do PC e depois da Internet tudo isso se transformou radicalmente. Fazemos software que são usados pelas pessoas para fazer tudo e cada vez mais um pouco. Do micro-ondas à geladeira, passando pelos ipods, ipads e iTVs tudo requer interatividade. Como produzir isso sem compreender os meandros da comunicação entre as pessoas e delas com as máquinas? Nossos currículos se atualizaram para nos prepararmos a essa nova realidade?

É bem verdade que IHC (Interface Humano Computador) passou a fazer parte dos currículos de referencia dos cursos de ciência da computação, mas creio eu, ainda de forma incompleta. A comunicação, lingüística, sociologia e psicologia cognitiva para exemplificar algumas áreas parecem-me ser hoje cruciais para um profissional de computação. E não estou aqui querendo falar de alguém que vai fazer pesquisa. Penso mesmo em alguém que acaba de se formar e quer empreender. Sem base para compreender toda a dimensão do que é um software na era digital alguém pode inovar? Ainda há espaço comercial para o desenvolvimento tradicional de software corporativo, mas não é mais aí que está o futuro. O futuro está em fazer software para as pessoas no seu dia-a-dia. Para isso precisamos compreender o que as motivam, quais suas intenções, suas reações e suas relações. Os softwares vão de mais em mais permear tudo isso. 

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Regulamentação da Profissão de Informática

O primeiro tema que emergiu nos debates, por email, do Conselho de Leitores do Jornal O Povo acabou sendo mais atual para mim do que poderia pensar. Discutiu-se a questão da regulamentação da profissão de jornalista e pude ver logo, logo que era uma questão semelhante a que estamos vendo em várias outras profissões. Em particular, o debate sobre a regulamentação da profissão de informático (até o nome é difícil de definir), que não é regulamentada, acontece há mais de 25 anos. Tema polêmico e que, como tudo o que ocorre na Informática, pela rapidez das mudanças que caracteriza a área, merece reavaliação constante. Dito isso, devo dizer que minha opinião ainda não mudou do que defendo há alguns anos. Compartilho a posição da Sociedade Brasileira de Computação de que não é salutar uma regulamentação que dê reserva de mercado aos formados em Informática. Sei que isso pode parecer um tiro no pé, para um professor que tem demonstrado tanta preocupação com a significativa redução da procura de alunos pelos cursos de Informática. Será que esse não seria uma das razões? Talvez. Mas não acredito que uma visão meramente corporativa deva ser a melhor forma de abordar a questão. Acredito que em uma área em que a multidisciplinaridade é inata, nada pode substituir a liberdade de todos poderem contribuir. Um dos argumentos mais fortes pró-regulamentação é de que ela é necessária para proteger a sociedade, pois determinadas profissões podem causar danos sociais, principalmente os que levam à exposição de vidas humanas. Nestes casos, justifica-se a submissão dos profissionais às regras de órgãos fiscalizadores. Quando esses riscos não são evidentes e a sociedade tem outros mecanismos para sua proteção, como acredito ser o caso da Informática, o melhor é deixar prevalecer a liberdade. O controle social deve ser feito pelo produto ou serviço a ser prestado. Meus alunos poderiam perguntar: mas é justo, professor, passar quatro anos estudando (e há ainda aqueles que fazem mestrado por mais dois anos) e competir com outros profissionais que não tiveram a formação adequada? Bem, se um aluno de informática não conseguir, por sua habilidade, ser melhor do que outros que não fizeram o curso, das duas uma. Ou ele não era tão bom profissional assim e nesse caso a sociedade lucra em não privilegiá-lo, ou o contratante não zela pela qualidade do que estará a produzir e nesse caso o mercado irá avaliá-lo (o dano nesse caso será mais ao contratante). Mas como proteger o contratante? Sabemos que esse não é motivo de preocupação, pois diferentemente de um médico ou de um advogado, o mais comum é que as pessoas físicas contratem o software pronto ou o serviço a ser prestado. Nesse caso existem inúmeros mecanismos para proteger o contratante. Até o direito do consumidor pode ser evocado aqui. O mais típico é quando as contratantes são as Empresas e elas são bem espertinhas para saber o que contratar não? Senão, não estariam vivas no mercado competitivo! Embora compreenda a pressão das entidades que representam os profissionais, desculpem, mas ainda não vejo justificativas para reservas de mercado.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Mineração de Dados e Futebol

Semana passada estive a assistir uma reportagem na TV que, além de me fazer rir, me levou a uma relação entre o conceito de mineração de dados (data mining, em inglês) e o futebol. A reportagem era uma entrevista do técnico do Grêmio Celso Roth depois de uma derrota em casa inesperada (para ele e para os gremistas) diante do Goiás. O técnico argumentou que achou “estranho” (ele certamente queria dizer algo mais forte...) a forma de atuar da arbitragem que, segundo ele, não apitou conforme esperava (dá prá imaginar o que ele esperava, não?!). Ele disse que o árbitro só havia apitado dois jogos no campeonato (incluindo esse) e os dois foram jogos do Goiás. Pois é, ele foi bem hábil em encontrar uma correlação entre arbitragem e o adversário. Zero para o futebol, dez para a mineração de dados. E o que mesmo a mineração de dados tem a ver com isso? O conceito de mineração de dados se refere ao desenvolvimento de programas de computador que tenham a capacidade de encontrar correlações significativas em um conjunto (normalmente grande) de dados. Aqui duas palavras merecem destaque: significativas e conjunto grande de dados. Deixem-me mencionar o exemplo canônico de mineração de dados (o termo Business Intelligence – Inteligência de Negócio é também muito usado nesse contexto). O exemplo vem de uma grande rede de supermercados nos EUA que, ao analisar os registros de compras de seus clientes, começou a perceber que havia uma correlação, em compras feitas a noite, entre fraldas e cervejas. Um estudo mais aprofundado pôde explicar que se tratava de pais de famílias que, ao se verem obrigados a comprar fraldas para as crianças a noite, aproveitavam e compravam cerveja. A descoberta desse conhecimento fez com que o supermercado propusesse kits especiais onde fraldas e cervejas podiam ser compradas juntas e em promoção (evidentemente com fraldas e cervejas que apresentavam a maior margem de lucro!). Dá para perceber que o grande desafio dessa tarefa é descobrir uma correlação realmente útil em um banco de dados gigantesco como o de todos os itens comprados pelos clientes do supermercado. As historietas populares só contam o final feliz. Quantas outras correlações encontradas e que não agregam nenhum conhecimento útil tiveram que ser exploradas? Nesse sentido, a analogia com a mineração é bem feliz: há que se peneirar muito pedregulho até encontrar uma pepita. Há uma alternativa a qual recorrem alguns (políticos em maioria) e que Celso Roth também escolheu: só olha para a correlação que lhe interessa. E nem precisa ser um conjunto de dados muito grande.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Second Life

Semana passada participei de algumas apresentações dos alunos do Mestrado em Informática Aplicada da UNIFOR sobre o Second Life (SL). Trata-se de um jogo onde há um mundo virtual com cidades, bancos, escolas, cinemas e tudo mais. Os espaços físicos são divididos em ilhas. Os avatars (bonecos que habitam o mundo virtual e são pilotados por pessoas) vivem nesse contexto e interagem com outros avatars. É como se as pessoas pudessem ter uma segunda vida (por isso o nome do site). Eu já tinha escrito sobre o SL e avatars em Março (veja o texto aqui), mas as apresentações dos alunos serviram para me alertar de novas coisas deste cenário inovador. Os brasileiros estão descobrindo o SL e muitas empresas estão se instalando lá. O SENAC – promove cursos de como criar avatars e objetos virtuais no SL (alguns cursos são de graça). A ilha vestibular Brasil congrega mais de vinte faculdades brasileiras num espaço de 130km2. A maioria delas é privada e se instalaram no SL por uma iniciativa da ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior). Cursos à distância começam a ser ministrados. Os bancos também já se instalaram. Neste mundo virtual pode-se conseguir emprego real. Como os avatars precisam de pessoas que os manobrem, é comum se encontrar proposta de emprego para ser um atendente de uma loja virtual ou mesmo para ser ajudante de avatars de usuários iniciantes. Todo o comércio no SL é feito em Linden que é o nome do criador do jogo. Os usuários devem comprar Lindens para fazer comércio no SL (um dólar equivale a 220 Lindens). Atualmente o marketing é a maior motivação para participação das empresas no SL. Algumas fornecem bônus para que os avatars visitem as ilhas onde estão instaladas. A Globo, por exemplo, paga periodicamente alguns Lindens para avatars se sentarem em cadeiras perto de um grande logotipo global. Só com o interesse de agregar visitantes em torno de seu símbolo. Algumas faculdades dão cinqüenta por cento de desconto se inscrição feita pelo SL. Encontra-se de muita coisa curiosa. Pode-se voar e se tele-transportar para qualquer ilha do mundo virtual. Dá para sair de Copacabana diretamente para a Torre Eiffel para conversar com um avatar francês. Uma das mais interessantes situações que vi foi um avatar que era uma bailarina de rua. A bailarina ficava dançando numa praça, mas o usuário só escutava a música que estava tocando se pagasse alguns Lindens. Trata-se de uma situação interessante, pois é algo que não se pode ter na vida real. De mais em mais se presencia depoimentos de pessoas que escolhem o SL ou como hobby ou mesmo como empreendimento. Soube de um lixeiro na vida real que a noite se tornou um comerciante no mundo virtual do SL. Não tenho certeza que SL pode continuar crescendo se a proposta for unicamente de marketing. Acho que aplicações com caráter social deverão surgir como novas formas de educação. De qualquer forma, atualmente a tendência no Brasil é de crescimento. Vale a pena fazer uma visitinha.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Mercado de Desenvolvimento de Software Off-shore no Ceará

No mês de Abril escrevi que achava que a profissão de informática passava por uma espécie de crise de identidade (veja o texto clicando aqui). Não me é muito clara a direção que ela está tomando mesmo para um futuro em médio prazo. Tenho gradativamente aumentado esse sentimento (reconheço que não muito confortável para um professor na área), principalmente após a minha participação nas reuniões de um grupo de estudo coordenado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará que se propõe a elaborar um plano estratégico para o setor de Tecnologia da Informação no Estado. Este grupo tem por objetivo definir políticas de desenvolvimento para o setor e um dos temas recorrentes refere-se à definição de estratégias de formação de mão de obra. Essa questão toma proporções ainda mais relevantes quando se pensa a atender o mercado internacional de empresas de software. Os países em desenvolvimento como os EUA e a Inglaterra, por exemplo, tem contratado empresas na Índia para desenvolver softwares que serão usados em seus países. Isto tem sido cunhado de desenvolvimento off shore (ao pé da letra seria fora do porto em português). A infraestrutura de comunicação mundial estabelecida com a Internet e a tecnologia de redes existente permitem que tais atividades sejam desenvolvidas transparentemente em locais totalmente diferentes das sedes das empresas. Para as contratantes a atração principal desse modelo é a redução de custos, pois em países em desenvolvimento como a Índia se consegue serviço de boa qualidade com salários baixos. Os modelos indianos e recentemente os chineses deram certo porque nesses países havia, e ainda há, uma grande quantidade de mão de obra qualificada e muito barata disponível. Esta não é bem a realidade brasileira, principalmente porque não há tanta oferta de pessoal, embora alguns casos de sucesso nacionais nessa direção já possam ser identificados. A IBM de Hortolândia em São Paulo, por exemplo, possui cerca de cinco mil funcionários que fazem desenvolvimento de software para serem usados pelas próprias fábricas e escritórios da IBM ao redor do mundo. Exemplos como esse e estudos de consultorias internacionais indicam que o Brasil também tem condições de se tornar um desses paraísos de off shore. O Estado do Ceará, sabendo dessa possibilidade, tem buscado criar condições para que o desenvolvimento econômico nesse setor se torne realidade no Estado. O principal problema é que a maioria do pessoal necessário para desenvolvimento off shore é de programadores e a quantidade necessária para atender a demanda é normalmente bem maior do que as Universidades e Faculdades cearenses hoje lançam no mercado. Por esta razão urge um forte investimento em qualificação de pessoal que poderá assim resultar na criação de um novo nicho para o profissional de informática com a captação deste mercado. Uma das idéias é investir na formação de um profissional técnico mesmo sem a base acadêmica tradicional de cursos de ciência da computação, mas com qualificação em matemática e áreas afins que o permitam ter a abstração necessária para ser um bom programador de computador. Várias alternativas têm sido estudadas dentre os quais menciono a formação de programadores já no nível médio e a requalificação de desempregados de nível superior. O debate no tema está longe de se exaurir e não se pode dizer com certeza se os resultados de tais estratégias trarão o retorno desejado. O fato é que tal situação serve para reforçar o que já sabíamos, mas infelizmente não temos sido capaz de reverter: é preciso um forte investimento na formação de pessoas para se aproveitar as oportunidades da sociedade do conhecimento. Como lamentar-se não levará a lugar nenhum, só nos resta começar logo a agir, pois antes tarde do que nunca.