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terça-feira, 14 de outubro de 2008

IBERAMIA 2008

A partir de hoje estou a participar do IBERAMIA 2008 aqui em Lisboa. Trata-se do Congresso Ibero-Americano de Inteligência Artificial. Tivemos, Thiago Assunção e eu, um artigo completo aceito que deverei apresentar amanhã. Trata-se de uma conferência que se realizou primeiramente em 1988 e que ganhou gradativamente seu espaço para que, em 1998, tivesse seus anais publicados pela prestigiosa editora alemã Springer Verlag, o que vem ocorrendo desde então. A conferência passou então a ter maior reconhecimento, divulgação e tornou-se lugar importante para estreitar os laços de pesquisas entre cientistas dos dois lados do Atlântico, em particular daqueles da Penísula Ibérica com os da América Latina. A programação completa do Congresso pode ser acessada aqui bem como a descrição das edições anteriormente realizadas quer seja no Brasil ou na Europa.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Onde Está a Transparência no CNPq?

Embora ainda sinta a existência de um estereótipo de que cientista é acomodado e só quer fazer pesquisa na Universidade, creio que isso vem mudando nos últimos anos. Na verdade, a profissão de cientista/pesquisador sempre foi uma das mais competitivas do mundo. O conceito de globalização, tão comum nos dias atuais em especial no mundo empresarial, é conhecido pelos cientistas há muito tempo. A ciência não tem e nunca teve fronteiras. A descoberta de uma nova idéia e o lançamento de uma nova teoria sempre tiveram que ser validadas (e aceitas) por outros pesquisadores no mundo. É o que se chama no contexto acadêmico de avaliação por pares. Quando se submete um artigo a uma revista científica para análise, os editores da revista convidam outros cientistas, reconhecidamente competentes no tema em questão, para avaliar o trabalho submetido. As críticas e sugestões feitas ao trabalho são retornadas ao autor do trabalho quer seja para dar-lhe crédito, quer seja para apontar-lhe as deficiências encontradas no trabalho. Neste último caso o pesquisador tem condição de saber onde falhou e assim, de forma construtiva, melhorar seu trabalho. Esse sistema é universal e causa orgulho a comunidade científica, pois embute transparência e democracia. Pesquisadores quando demandam recursos financeiros aos órgãos de pesquisa para realizar suas pesquisas seguem um sistema similar(ou deveriam!). No Brasil, o mais importante órgão financiador de pesquisa é o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Pesquisadores frequentemente submetem projetos ao CNPq solicitando dinheiro. Este ano tive a desagradável experiência de submeter um pedido de auxílio ao CNPq e tê-lo rejeitado. Foi o sentimento de indignação ao receber a mensagem do CNPq indicando o indeferimento de meu pedido que me moveu a escrever esse texto. Recebi uma negativa que tinha o seguinte texto “O projeto não foi recomendado pelo Comitê por suas características técnico-científicas ou produção científica ou tecnológica do coordenador, ou pela proposta orçamentária”. Esclarecedor, não ? Como posso saber o que não me credenciou a receber os recursos? Como devo proceder no ano que vem? Vale ressaltar que os critérios a serem usados para a escolha do projeto são extremamente vagos e deixam a entender que basicamente será a qualidade do projeto (em termos científicos e financeiros) que será determinante. O mínimo que se deseja num caso desses é que se especifique a razão de uma rejeição. Enfim, o titulo deste texto no blog diz o que sinto.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Inovação Tecnológica na FIEC

Essa semana a Federação das Indústrias do Estado do Ceará promoveu um evento centrado na temática da inovação. Uma louvável iniciativa que deveria deixar-nos esperançosos de que um futuro melhor se apresente na difícil tarefa de se conseguir mais produtividade na economia cearense. Na abertura do evento ocorreu uma apresentação do presidente da Caloi, o Sr. Edson Musa. Antes da apresentação do palestrante convidado para falar sobre inovação tecnológica, ouvi do presidente da FIEC seu diagnóstico de porque a indústria não investe em pesquisa: alta carga tributaria(sic). Lembrei-me de um dos primeiros textos que escrevi neste blog (clique aqui para acessá-lo ) que admitia mea culpa, de nós professores, por não termos sido hábeis suficientes para formar nossos empresários com uma visão de que pesquisa científica é investimento. Felizmente o palestrante convidado, durante sua apresentação, fez um diagnóstico bem mais elaborado para a pergunta: Porque a indústria não investe em pesquisa? Basicamente os seguintes fatores foram enumerados: i) o desenvolvimento de produtos foi historicamente destinado ao para mercado interno o que não levou a muita competição; ii) um mercado protegido ou pelo governo ou por situações de monopólios e oligopólios que também reduzem a competição; iii) Instabilidade econômica do País que favoreceu a visão de curto prazo; iv) Altos custos e baixa disponibilidade de recursos; v) Excesso de Burocracia; vi) Cultura de cópia de produtos americanos e, vii) baixa interação Universidade-Empresa. Eu adicionaria a esses fatores o puro desconhecimento dos empresários do que vem a ser a pesquisa, o que favorece a aceitação de clichês pejorativos da atividade e dos pesquisadores. Gostei especialmente de uma opinião do palestrante com a qual concordo fortemente: a competitividade microeconômica é um índice muito mais confiável para medir a riqueza de um país. Ou seja, a relação número de pequenos negócios em relação ao total de negócios dá um tom de quão dinâmica e emergente é a economia. Veja que essas observações vão ao encontro às minhas observações em textos anteriores de que a formação de doutores empreendedores, as incubadoras e o incentivo a criação de empresas com capital de risco, tipo modelo Vale do Silício, devem ser perseguidas para dinamizar a economia (veja texto sobre assunto aqui). Outra grande notícia trazida pelo palestrante foi a de que Empresas, como a Natura, estão criando um conselho de ciência e tecnologia e colocando professores universitários para participar do mesmo. Desta forma se consegue um processo de aproximação com a abertura das portas da Empresa o que facilita a identificação de oportunidades. Resta-nos esperar que as Empresas cearenses sigam a mesma idéia (e que não esperem os impostos baixarem para fazerem isso!).

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Ensino Universitário e Ciência: Mea Culpa

Prosseguindo sobre o aspecto do reconhecimento da sociedade à pesquisa científica, queria tocar num ponto que considero essencial. Refere-se a nossa própria postura, professores universitários, no que tange ao ensino da ciência e do seu papel na sociedade e no futuro de um país. Em quatro ou mesmo cinco anos de um curso de graduação na universidade, tiramos algum tempo para ensinar algo sobre a pesquisa científica aos nossos alunos? Pelo menos informações básicas que os motivem a aprofundar conhecimento ou pelo menos os façam reconhecer sua importância. Parece-me que não fazemos muito isso. Tenho dado palestras sobre o assunto e não me surpreende mais, escutar dos alunos que não sabem nem o que é mestrado e muito menos a diferença para o doutorado. Nem sabem o que é uma tese. Não têm uma definição clara do que vem a ser e nem como se faz pesquisa científica. E por aí vai. Aqueles que se engajam em programas de iniciação científica (que são uma minoria) têm a possibilidade de conhecer mais. Os outros ficam totalmente ignorantes. Qual a conseqüência disto? Quando se tornarem empresários, trabalhadores públicos, profissionais liberais, enfim quando abraçarem sua profissão, eles terão dificuldade de reconhecer o valor de um cientista. Serão presas fáceis para os estereótipos pejorativos. Não é preciso procurar muito para encontrar um cidadão que considera que um cientista é um cara alienado, meio doido, tipo a foto famosa do Einstein descabelado e com língua pra fora. Como querer fazer cooperação Empresa-Universidade num contexto desses? Mea Culpa.

sábado, 27 de janeiro de 2007

A Pesquisa em Informática

Em se tratando da experiência americana no que se refere ao contexto da pesquisa em Informática, que é o que estou fazendo aqui, provoca-me sentimentos antagônicos. Se por um lado aumenta minha motivação por estar percebendo que aprendo mais cada dia. Por outro lado dá um enorme desânimo ao perceber o quanto estamos em desvantagem no Brasil. O ambiente de pesquisa aqui é extremamente rico e dinâmico. As duas mais conceituadas universidades são Stanford e Berkley que nutrem uma saudável rivalidade. Acho que a rivalidade é mais de Berkley com Stanford. Pois Stanford prefere nutrir a rivalidade com o MIT (no lado leste, em Boston) para se considerar a melhor Instituição tecnológica dos EUA. Alem das universidades, todas as grandes empresas de informática estão aqui: IBM, Google, Microsoft, Apple, SAP, HP, só para citar algumas. Todas essas empresas desenvolvem pesquisa internamente ou em conjunto com as universidades. Já dá pra perceber por que então há tanto dinamismo. Toda semana recebo a programação de palestras que ocorrem na região. Imagine um círculo de aproximadamente 20 Km2 com centro em Cupertino. Acesso fácil em torno de 15 a 30 minutos. São em torno de 20 palestras por semana! Gente do mundo todo que expõe suas idéias, as mais novas. O aprendizado é por osmose. Não precisa fazer força. A palavra-chave é interação. Conte sua idéia, argumente, fortaleça-a através da discussão. Aqui vai uma primeira questão a refletir. Porque interagimos tão pouco no Brasil? E no Ceará, então? Vivemos encastelados fazendo nossas pesquisas como se fossem para nos mesmos. Será que é por medo de se expor? O fato de sermos menores (em numero) deveria ser um fator que fortalecesse a interação, é mais fácil de se conhecer. Tenho algumas opiniões do que dificulta isso. Discorrerei em outro momento. Por enquanto deixo a pergunta no ar.