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terça-feira, 20 de março de 2012

Janelas e Calçadas Quebradas

Abaixo reproduzo artigo meu publicado no O Povo de hoje, coluna Opinião, que dedico a meu pai, um frequentador assíduo do centro da cidade de Fortaleza e que sofre há anos com as calçadas de lá.


Semana passada, o cientista político James Wilson, 80, autor juntamente com George Kelling de artigo em 1982 que lançou a teoria das janelas quebradas, faleceu. Impossível lembrar de Wilson e Kelling sem lembrar dos problemas urbanos verificados em Fortaleza. Em particular da questão da ocupação irregular das calçadas, fato evidenciado pelo mapa construído pelos internautas aqui no O Povo.
 Wilson e Kelling sugeriram que a ordem pública é frágil e se não se conserta a primeira janela quebrada, logo as outras também estarão quebradas. Para eles, em termos comunitários, desordem e crime são coisas que se desenvolvem como consequência um do outro. Eles enfatizaram que as janelas não são quebradas porque os cidadãos que vivem na comunidade são inerentemente, digamos quebradores-de-janela. Isso ocorre porque cria-se o sentimento de que é coisa de ninguém. Como não há quem se importe, não há custo em quebra-las (na verdade é até divertido, os jovens que o digam!). Ou seja, o negócio é não deixar o efeito dominó acontecer.
 Uma das declarações mais emblemáticas feitas por Wilson diz que “A Segurança Pública tem que proteger a comunidade tanto quanto os indivíduos. Nossos trabalhos de vitimização e estatística medem somente as perdas individuais, mas não medem as perdas coletivas.” Da mesma forma que médicos devem tratar da saúde como um todo do que simplesmente da doença específica, todos nós devemos reconhecer a importância de manter intactos comunidades sem janelas quebradas.
 Todos os casos de sucesso de políticas públicas nos EUA e mesmo fora dele, desde então, levam em contas as premissas dessa teoria. Será que conseguiríamos aplica-las aqui em Fortaleza? Para começar, seria possível ter alguma ordem nas calçadas do centro da cidade que forma que os cidadãos nelas pudessem andar? A Segurança Pública agradeceria com certeza.

segunda-feira, 19 de março de 2012

A Nuvem de Opiniões

Creio que um excelente exemplo de  Jornalismos de dados com web social é a nuvem de opiniões (The Opinion Cloud) do The Economist. Sugiro dar uma olhadinha, pois em minha foto abaixo não consigo capturar o fato de que a nuvem é dinâmica e pode mostrar opiniões relacionadas ao tópico que faz parte da nuvem. Ela mostra ainda quais os temas que chamam a atenção do leitor a cada minuto.

The Economist usa o Appinions que você pode conhecer mais abaixo.

Appinions - Influencer Exchange from Appinions on Vimeo.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ambiguidades Elementares Meu Caro Watson

Watson foi um dos hot-topics ano passado aqui no blog e na comunidade científica em geral. Esse computador da IBM que venceu o jogo de perguntas Jeopardy foi descrito aqui.  

Volto ao tema porque um de nossos projetos de pesquisa visa fazer com que programas de computador entendam textos e seus conceitos. Nesses trabalhos um dos desafios são as palavras ambíguas. É difícil para um programa de computador “ler” um texto que fala de Fortaleza e saber se refere-se ao time de futebol ou à cidade. Manga fruta ou de camisa, Jaguar carro ou animal são outros exemplos de ambiguidades que podem levar a confusões.

Pois bem, li recentemente que Watson durante a competição cometeu uma gafe incrível ao responder “Toronto” para a pergunta que referia a cidade americana com o maior aeroporto com nome de um herói da segunda guerra e o segundo maior tem o nome de uma batalha também da segunda guerra. Além de levantar a ira dos canadenses que detestam se achar um estado a mais dos EUA, esse erro fez pesquisadores buscarem entender como o programa tão competente e que acabou vitorioso no torneio batendo os maiores campeões humanos pode se enganar tanto.

A resposta vem da ambiguidade que ele pegou em sua base de conhecimento que o deixou confuso. Uma cidade americana pode se referir aos EUA, mas também a uma canadense, não? Aliás, brasileira também. O problema é que temos um conhecimento de senso comum de que esse termo na maioria dos contextos se refere aos EUA. Watson sabia disso, mas teve dúvida e como tinha que responder com rapidez, acabou entrando pelo cano. Vida dura essa de replicante, eih? Veja mais sobre isso aqui.


quarta-feira, 14 de março de 2012

Key West: Sunset Moderno

Na volta a Florida para o Complenet, pus-me na rota de Key West no fim de semana. A mais distante e mais a oeste das ilhas chamadas Keys da Florida. Não a conhecia e a curiosidade de descobrir o que atrai tanto os americanos me motivou. Lá vê-se de tudo. Há desde a típica Florida repleta de aposentados bem como de turistas das mais diversas idades que descem diariamente dos luxuosos navios de cruzeiro.

A cidade é “mignon” com arquitetura colonial (inglesa), cheia de restaurantes, museus e vida noturna. Poderia falar sobre várias dessas coisas, mas o que mais me impressionou foi a forma como os americanos estruturaram a cidade. A ergueram sem nenhum pudor ao meio ambiente. A beira-mar é ampla, arejada e, digamos, dentro do mar. Assim são os restaurantes e os hotéis. Estava hospedado em um hotel que, ao acordar na abertura da janela, vi um cruzeiro que parecia ter invadido o quarto. Chocante! Lembro do amigo Amaral que gosta de dizer que nos dias atuais o Cristo Redentor não teria nunca sido construído por causa da agressão ao meio-ambiente. Talvez Key West também não o fosse. Outros tempos.

Key West se orgulha de ter o por do sol (sunset) mais bonito dos EUA. Todos os dias os turistas se reúnem na beira-mar e depois de assistirem a espetáculos circenses na Malory Square assistem ao por do sol e o aplaudem. É bonito mesmo, talvez seja o mais bonito dos EUA, mas não pude deixar de lembrar-me de nossa Jericoacoara onde os aplausos ao por de sol também são calorosos.

Comparar os dois ambientes é injusto. São tão diferentes que não conseguiria estabelecer critérios mínimos, por mais que me esforçasse. Mas minha verve patriótica (nesse caso, mais cearense do que brasileira) vai me forçar a preferir nossos queridos verdes mares, pela simples razão de que são uma obra de arte original: a originalidade da natureza selvagem.

Pensei. Que enorme desafio temos pela frente. Criar uma infraestrutura que nos permita acesso fácil aos povos do mundo às nossas belezas e que as mesmas sejam geradoras de riqueza para a população (principalmente a nativa), mas preservando aquilo que é o valor mais absoluto: sua virgindade. Isso é possível?

As fotos abaixo de Malory Square com as pessoas se preparando para ver o por do sol e um sol poente em Key West foram extraídas de sunset celebration.



segunda-feira, 12 de março de 2012

Complenet 2012

Estive na semana passada participando do Complenet 2012 (3rd Workshop in Complex Networks) em Melbourne na Flórida. Uma oportunidade para discutir com pesquisadores de diferentes áreas sobre como as redes complexas podem resolver problemas, digamos complexos. Mas afinal isso não explica muito, não? A ideia por trás das redes complexas é de que os problemas devem ser compreendidos sob uma perspectiva que considere a conexão de elementos que interagem e assim formam uma rede. Ainda abstrato? Deixem-me exemplificar.

Considere os problema de doenças causadas por vírus que se propagam por contágio que pode ocorrer pela simples interação entre as pessoas. Por que algumas doenças se propagam tanto e geram uma epidemia e outras não? No campo das redes sociais, o que podemos dizer de um rumor oriundo de uma simples fofoca e que se torna um tópico superpopular entre as pessoas ? Um exemplo recente disso foi o rumor sobre a garota Luiza nos EUA e que circulou nas redes sociais há pouco tempo.

Pesquisadores que trabalham com redes complexas acreditam que há algo em comum entre essas coisas bem mais do que nossa vã filosofia  pode imaginar. De uma forma geral, eles acreditam que há propriedades comuns entre esses e outros problemas, os mais diferentes, mas que compartilham os efeitos que emergem quando há uma rede que evolui e que podem evidenciar características muito surpreendentes. Escrevi sobre isso quando falei sobre o efeito mundo pequeno” aqui. 

Não sou expert em redes complexas, mas creio que o que caracteriza essa área é exatamente essa diversidade de pesquisadores de áreas diferentes que gradativamente começam a se interessar pelo tema, pois percebem que há aplicabilidade dos conceitos dele oriundo para um certo domínio de estudo.

No meu caso vislumbro pelo menos duas aplicações interessantes desses conceitos em problemas de pesquisa. Primeiramente, estamos investigando como a atuação de usuários de WikiCrimes que tentam registrar crimes gerando uma tendência falsa pode ser capturada pelo fato dessas ações diferirem de padrões demonstrados  na rede complexa que representa a  interação entre usuários regulares do sistema e locais de registro de crimes. Para maiores detalhes o artigo a ser publicado nos anais do Complenet é uma boa fonte (se tiver pressa e quiser logo saber de algo, envio por email).

Outro tema de pesquisa em que os conceitos de rede complexa se aplicam fortemente refere-se a busca de padrões de colaboração entre pesquisadores através de suas colaborações em artigos científicos. Será que podemos estabelecer alguma conexão formal entre a conectividade e a produtividade dos pesquisadores, em especial dos pesquisadores cearenses. Trata-se de um projeto de pesquisa desenvolvido dentro do quadro de minhas atividades na FUNCAP e que espera auxiliar na elaboração de políticas de fomento à pesquisa. Escreverei mais sobre isso em um futuro breve.


sábado, 10 de março de 2012

Seminários Valor Econômico

Estarei, no final do mês (28/03) , em São Paulo para palestrar e debater no seminário promovido pela revista Valor econômico sobre o futuro das megacidades. Em particular, vou participar de um painel sobre "O avanço das cidades inteligentes como legado da Copa 2014". Será uma ótima oportunidade para falar de governo aberto, participação cidadã e tudo mais que está ao redor e que tem motivado algumas de minhas pesquisas. Estejam convidados. Para maiores informações o site do evento (ainda em formação) está aqui.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Fofocas e a Política Personalista

A pobreza da política cearense ganhou um grande aliado: os meios de comunicação. Lendo os jornais e as redes de TV locais, vejo como os mesmos caíram integramente na armadilha de ficar insistentemente focando na posição das “personalidades políticas” e desfocando o conteúdo do que pode (e deve) emanar das mesmas. O nome para isso não é outro senão fofoca.

É verdade que nossa política é e sempre foi muito personalista. Não me parece ser algo específico do Ceará. Mas atualmente, isso está cansativo demais. A aliança Luizianne, Cid, Pimentel, Eunício, gregos e troianos gera notícia de péssima qualidade e extremamente fútil. O tititi já chegou a ser primeira página de jornal. Um mar de especulações sobre quem apoia quem, quem vai apoiar quem, quem falou de quem, arghhh. E as ideias? Alguém tem alguma?

Não satisfeitos com essa fofocada geral, correm para escutar Tasso Jereissati em um ambiente onde ele falaria sobre empreendedorismo e liderança empresarial. Perguntam-no de qualquer forma sobre o que acha do tititi requentado diariamente. Deve ter sido muito triste escutar a resposta do ex-senador: “isso é problema deles”. Não xingou ninguém? Não tem graça.  

Seria bom fugir dessa armadilha. Estamos em ano de eleição e não há absolutamente nenhuma discussão sobre a cidade. Estou querendo demais?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Cidades Inteligentes

Um exemplo interessante de uso de sensores para otimizar recursos públicos em cidades é este entre a empresa Trimble especializada no desenvolvimento de aplicações de localização via GPS e a Irlandesa Smartbin especializada em desenvolvimento de software e hardware de sensores eletrônicos.

Elas uniram suas expertises e fizeram um sistema completo de apoio logístico que usa sensores dentro dos containers de lixo e entulhos para saber o nível dos mesmos e assim otimizar a rota dos caminhões de coleta. Além dos sensores, os containers também contem GPS o que permite saber onde eles estão e assim calcular rotas até o seu destino. Um módulo que roda no celular e no computador da frota de caminhão permite, por exemplo, computar as rotas dinamicamente durante o dia de coleta.

Esse sistema é o que vem sendo exaustivamente chamado de cidades inteligentes. A nova cidade de Songdo na Coréia é talvez o projeto mais arrojado de uma cidade inteligente criada do zero. Seu funcionamento é previsto para 2015. Deve ter sensores distribuídos por toda a infraestrutura de  transporte, iluminação e coleta de lixo. Além disso, ela é toda projetada dentro dos princípios de sustentabilidade e assim emitir um terço de gases de uma típica metrópole de mesmo tamanho (previsão é de 300 mil pessoas).

Todo o projeto de Songdo foi adotado e em grande parte patrocinado pela Cisco. A empresa californiana acredita que a cidade será capaz de definir padrões e odelos a serem adotados em outras cidades. A aposta é arrojada e repetida pelas grandes da área de TIC no mundo. A IBM, por exemplo, vem desenvolvendo seu projeto, ainda mais ambicioso, de planeta inteligente já há algum tempo. Veja aqui alguns exemplos de projetos implementados pela Big Blue nesta direção.  A IBM não esperou a tecnologia de sensores estar amadurecida para lançar seus projeto. Ela acredita que os governos, atualmente, já têm muitos dados à disposição, não conseguem é explora-los.

Isso eu concordo perfeitamente. Só acho que a melhor forma de uma cidade virar inteligente é abrindo esses dados e não contratando uma plataforma privada para explora-los. A razão de meu argumento é muito simples. Não creio que uma cidade inteligente se resuma à questão tecnológica, mas de pessoas competentes para explorar os dados. Por essa ótica, internalizar tecnologia em governos para explorar dados pode se tornar somente custo.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ensino de Religião nas Escolas Públicas

Vou voltar ao tema da mistura religião e Estado motivado pelo artigo da professora Sandra Helena no O Povo de ontem. Vou reproduzir um texto que havia escrito sobre um debate que ocorreu no jornal O Povo tempos atrás. No debate, o Jornal O Povo escutou a opinião de algumas pessoas sobre o que elas achavam da proposta que está para ser votada no Congresso de tornar facultativo o ensino religioso nas escolas públicas. Para minha surpresa, a opinião da maioria dos entrevistados foi de que se tratava de uma boa idéia. Em uma sociedade onde a maioria professa uma fé religiosa, isso não era para causar nenhum espanto. Meu espanto se deveu pelo fato  de que dois dos entrevistados eram deputados estaduais e educadores, um outro era o presidente do Conselho de Educação do Estado do Ceará e uma outra educadora. Deles, eu esperava uma postura diferente. Afinal de contas somos um Estado laico (ou não?). Minha surpresa maior foram as respostas dadas pelos ilustres Deputados Artur Bruno e Teodoro Soares de que disciplinas religiosas eram importantes para moldar a ética dos alunos. Vejam um trecho da resposta de Soares:

Sou favorável à inclusão do ensino religioso nas escolas por acreditar na relevância da religião para a formação ética dos adolescentes, funcionando como um resgate de valores morais tão enfraquecidos nos dias de hoje

Considero que isso é totalmente contrário à lógica de uma escola laica e democrática. Nada contra a religião.  Reconheço que a religião (para os que crêem) pode ter um papel importante na formação de jovens em seus valores e  disseminação de uma ética. Mas os estabelecimentos religiosos (escolas, igrejas, seminários, etc.) estão aí para preencher esse vácuo (para os que acham que ele existe). É obrigação da escola sim, formar os alunos nos valores éticos, mas não através da religião. Sem mencionar que há várias questões adicionais a serem respondidas: qual a ética que vai ser ensinada na escola? De qual religião? Quem vai decidir isso? Os diretores? Os pais? Os professores? Já imaginou uma cidade com um prefeito tipo Bispo Macedo? As escolas da prefeitura vão ensinar religião desde cedinho, né? Não dá para esperar muito de nossos congressistas, mas sinceramente, torço para que tenham um pouco mais de discernimento do que os educadores entrevistados e sejam contra essa medida. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Mais Lenha na Fogueira Acesa por Rita Lee

Plinio Bortolotti e Fábio Campos travaram um debate muito interessante sobre o episódio que aconteceu no show da cantora Rita Lee em Aracaju mês passado. Plínio defendeu haver um erro de prioridade da Polícia de Sergipe quando decide fazer revistas nas pessoas que estavam ao pé do palco da cantora ao invés de combater crimes mais importantes. Fábio Campos em artigo anterior já havia se posicionado contra os argumentos de Plínio (e o fez depois aqui) argumentando que “Quando uns e outros passam a entender que cumprir ou não a lei depende do ponto de vista, é sinal de que há algo de 
muito errado em nossa sociedade”. Ele considera que a relativização das leis atenta contra a democracia e não cabe à polícia decidir quem deve ou não se submeter ao rigor da lei.

Os argumentos de Fábio, de que a lei é para todos e que ninguém está acima da mesma digo que são, literalmente, politicamente (e legalmente) corretos. Em essência não há como discordar dos mesmos, não? Como não creio que as coisas sejam assim tão preto no branco, acho que vale a pena sim fazer algumas considerações. Faço-as sem a menor pretensão de estar legalmente fundamentado, até porque nem é essa a minha formação, mas creio que devamos descortinar outras facetas que estão além dos argumentos de priorização levantados por Plínio.

Para fundamentar meu argumento, deixem-me exemplificar uma prática comum da polícia americana. Lá, as blitz com revistas aos cidadãos, só ocorrem se há alguma evidência, a menor que seja, de que uma pessoa possa oferecer perigo a outros (ou a si mesmo). Por exemplo, um motorista que troca de vias em velocidade ou dirige em zig-zag será certamente parado e revistado. Claro que a decisão para saber se algo “oferece perigo” e do quão pernicioso é esse perigo é subjetiva e vai mesmo além de uma ameaça física como a de provocar um acidente. Mas o fato relevante é de que os cidadãos não aceitam ser e por isso mesmo não são indiscriminadamente objetos de batidas com revistas.

Morei quatro anos na França e 1 ano e dois meses nos EUA.  Nunca fui parado por uma blitz em nenhum dos lugares. Aliás, nunca vi uma blitz tipo as que fazemos aqui. O princípio por trás desta postura é de que a polícia, em suas atividades ostensivas e repressoras, deve obrigar-se sempre a considerar as fronteiras que lhes são impostas pelo necessário zelo que devem ter às liberdades individuais dos cidadãos. Exceção a esta regra, que passou a ocorrer depois de 2001, são as extensas revistas nos aeroportos as quais todos que viajam devem se submeter.

O episódio ocorrido em Sergipe, mais do que uma questão de priorização, deve remeter-nos à questão de deveres do poder constituído, mas igualmente dos seus limites perante os direitos individuais. Não conheço os detalhes da operação, creio mesmo que poucos de nós que estamos a escrever sobre a questão conheçamos. Mas de uma forma geral, fazer revista em cidadãos que assistem ordeiramente um show em um espaço público, quer seja sob a suspeição de uso de droga ou não, me parece claramente uma agressão, no mínimo, um atentado contra a privacidade. Mas o espaço não é público? Sim, mas a individualidade do cidadão deve estar acima de tudo esteja ele onde estiver.

Se temos ou não como esperar que nossa polícia atualmente saiba se portar dentro desses princípios em qualquer ambiente de qualquer classe social é outra história. Mas para remar nessa direção, precisamos primeiro nos por de acordo que isso é importante e é o que queremos.  

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

É chegada a hora

Aaai, aaai, ai, ai, tá chegando a hora!

Vivemos de crise em crise na Segurança Pública. Parece que nos acostumamos com elas. Crises que matam inocentes, vitimizam permanentemente minorias, escravizam cidadãos de bem e dizimam jovens. Mesmo assim não somos capazes de prover mudanças consistentes para a área. Está sendo necessário que os próprios responsáveis por resolver esses e todos os outros problemas de  segurança e que vivem na cruel realidade gritem em alto e bom tom: NÃO DÁ MAIS. As greves e as ações irresponsáveis, marginais e descontroladas dos policiais não podem ser vistas simplesmente como luta por salario. É algo maior.

Durante a greve aqui no Ceará, escrevi sobre o quanto os governadores estão reféns das forças de segurança, em especial da PM, e do quanto as reformas da polícia requerem atuação do governo federal. Não deveria nos surpreender as crises atuais que eclodem justamente na época em que nosso País festeja a alegria.

Talvez a última reforma a ser feita pós-ditadura seja a de nossas forças de segurança. Hoje em dia elas estão disformes, acéfalas e perdidas. Não as queremos mais militares, da forma como sempre foram, mas não determinamos como devem sê-las. As diretrizes mínimas de respeito aos direitos humanos são compartilhadas pela maioria, mas são minimalistas e soam ingênuas quando vistas isoladamente. Há muito mais a ser feito.

O que caracteriza uma verdadeira reforma nas policias? Qual o modelo de gestão deve ser implantado? Como substituiremos os dogmas militares de disciplina absoluta e amor a pátria, quase cego, por algo que seja tão forte e que permita atuações corajosas, disciplinadas e respeitosas em situações de confronto que infelizmente não são exceções na nossa sociedade tão violenta?  Como avaliar a produtividade das forças de segurança? Como monitorar, investigar e punir os desvios? Como requalificar e educar o contingente atual e o novo que entra? Por fim, quanto estamos dispostos a pagar por esta conta e, em particular, aos agentes de segurança?

As greves atuais tem que ser o derradeiro estopim. Crise maior só uma guerra civil. A elite brasileira não pode mais se esconder. O governo federal tem que tomar uma posição. Os governadores têm que se unir e pressionar o Congresso Nacional. Precisamos de um pacto nacional amplo como os que fizemos quando do combate à economia frágil. Já chegou a hora (e passa rápido).

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Os Riscos do Clássico-Rei

Nunca vi tanta baboseira ser dita sobre o clássico-rei. Incrível como a coisa foi tomando uma direção negativa que fica depois difícil de entender o que a ocasionou. Uma coisa é certa, a PM levantou a bola e os presidentes dos times ajudaram a piorar a situação.  

Todo clássico é de risco. No entanto, é também uma oportunidade para se discutir seriamente a questão do radicalismo das torcidas. Antes de continuar, deixem-me esclarecer que sou tricolor de aço fanático (além de vascaíno, nome assim o indica). E sou daqueles que torço contra o Ceará. Claro! A rivalidade faz parte do futebol.  Arrisco dizer que é impregnada em alguns genes. Detesto esses comentários politicamente corretos de que isso é negativo e coisa e tal. Agora, eu nunca vou deixar essa rivalidade me levar a praticar um ato de violência contra uma pessoa só porque ela torce Ceará. Faço piadas quando o Ceará perde. Como todo cearense, zoo e sou zoado. Essa é a beleza do negócio.

Essa tentativa de resolver os problemas dos emburrecidos que querem se matar não os deixando ficar perto um do outro me parece errada. Essas reações radicais, que são as mesmas dos que não conseguem conviver com quem tem escolha sexual diferente, tem cor diferente, tem religião diferente, etc., não pode ser combatida desta forma.  Esse povo tem mais é que se misturar mesmo. Perceber que somos todos de sangue e suor (às 4 horas da tarde o PV é quente!) igual. As autoridades que se virem! Se são somente alguns doentes que provocam toda essa celeuma, que sejam identificados e isolados. Os outros, a grande maioria, tem o direito de torcer, xingar, zoar, chorar e vibrar. Afinal, na segunda-feita, vão ter que trabalhar. 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

WikiCrimes OpenGov no Celular

Para os que solicitaram, vejam a reportagem da TV jangadeiro sobre WikiCrimes OpenGov. Criamos aplicações para iPhone e Android para consultar as áreas mais perigosas da cidade de São Paulo. Vejam no vídeo abaixo.



*PS. Pergunta que não quer calar: Porque São Paulo e não Fortaleza? porque os dados de São Paulo estão disponíveis.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Novas Formas de Interação Gestual

Vejam que vídeo interessante sobre novas formas de interação que combinam realidade aumentada, holografia e GPS. A interação gestual decididamente vai ganhar cada vez mais espaço. Depois de Kinect da Microsoft, o conceito se popularizou.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Transparência e Dados Abertos na TVT

Estarei hoje em um debate que pode ser acompanhado on line pela TVT  onde debaterei sobre transparência e dados abertos no programa Clique e Ligue. Em especial, falarei sobre WikiCrimes e do mais novo lançamento WikiCrimes OpenGov.

Terei a companhia de  Daniela Silva da transparencia hacker (www.thacker.com.br), Claudio Abramo da ONG Transparência Brasil e Gil Castelo Branco da ONG Contas Abertas.

O debate começa as 14:30hs de Fortaleza (15:30hs de Brasília) e a interação com internautas é muito bem vinda. Participem!