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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Ocupação de Pequenos Espaços


Fui alertado por Lara sobre como a arquitetura tem buscado ocupar pequenos espaços com apartamentos que se transformam. Paredes se movem e os ambientes vão aparecendo do nada. Vejam no vídeo abaixo um exemplo desse tipo de apartamento em Hong Kong.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A Invasão dos Pixels

No vídeo abaixo o diretor Patrick Jean cria um ataque a Nova Iorque feito por ....pixeis! Isso mesmo, personagens de jogos eletrônicos vão destroçando a cidade de forma criativa e totalmente ionvadora. Genial !






quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Excessiva Qualificação e Crowdsourcing

Esse texto é uma continuação dos dois anteriormente escritos quando falei de excessiva qualificação (aqui) e quando falei de um exemplo de Crowdsourcing com o projeto Innocentive (aqui). Sabem onde as duas coisas se conectam? É que muitas pessoas que estão em situação de qualificação excessiva tendem a encontrar trabalhos alternativos às suas tarefas profissionais. O mais interessante é que elas buscam, nesses trabalhos alternativos, fazer aquilo que as agradam. São movidas por motivações como o reconhecimento da comunidade, obtenção de reputação ou simplesmente o prazer de fazer o que gostam. Vejam o exemplo da pesquisadora que mais teve prêmios na solução de problemas do Innocentive, Giorgia Scargetta. Essa italiana fez seu doutorado em química orgânica em 1997. Trabalhou com projetos de criação de bio-catalisadores, mas não tendo muitas opções para se tornar pesquisadora na sua pequena cidade de Cannara, preferiu ficar com a família a se mudar para centros mais avançados. Conseguiu um cargo de professora de Química em escola de segundo grau e continuou a realizar suas pesquisas “nas horas vagas”. Já ganhou duas vezes prêmios do Innocentive e com o dinheiro foi incrementando seu laboratório de pesquisa bem como sua residência. O livro Crowdsourcing de Jeff Howe fornece vários exemplos de pessoas que participam de atividades de produção de conhecimento em massa. Em vários deles, identificou que as pessoas que mais participam desses projetos já tem um emprego e estão em condições de excessiva-qualificação. Se essa correlação é significativamente relevante e se o mesmo fenômeneno ocorrerá aqui no Brasil, o futuro dirá.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Innocentive – Onde o Mundo Inova

Tenho escrito sobre crowdsourcing que significa produção de conhecimento em massa feita de forma distribuída e com pouco ou nenhum controle centralizado. Trata-se de uma forma de terceirização de pessoas, mas que não implica obrigatoriamente na remuneração das mesmas pelas atividades realizadas. O exemplo típico de crowdsourcing é a Wikipedia onde as pessoas contribuem na feitura de artigos sem que recebam nenhuma remuneração. Escrevi recentemente sobre como as grandes empresas como a Dell têm usado crowdsourcing (veja aqui). Uma forma de motivar as pessoas e que tem sido cada vez mais usada é oferecer prêmios para as melhores contribuições. Uma espécie de concurso aberto a todos os interessados. O(s) melhor(es) leva(m) os prêmios. Um exemplo de sucesso de projeto desse tipo pode ser encontrado no excelente site Innocentive. Trata-se de um projeto dedicado exclusivamente à inovação. No site são colocadas chamadas para solução de problemas, os mais diversos. Há chamadas por propostas nas áreas de química, computação, negócios, física, matemática, ciências da vida, engenharia e políticas públicas. Normalmente essas chamadas são feitas por empresas com o intuito de motivar inovadores, inventores e pesquisadores a se debruçarem sob problemas que possam lhes trazer diferencial competitivo. Cada problema apresentado tem um prêmio associado que pode ser dinheiro e/ou participação em royalties pela exploração do produto. Por exemplo, atualmente há uma chamada da Câmera de Comércio da Cidade de Chicago para redução de emissão de gases poluentes pelo uso eficiente de transporte coletivo, de caminhadas, de uso de bicicletas, enfim de alternativas aos automóveis. O prêmio pela melhor proposta é de 5.000 dólares. As propostas podem ser enviadas até dia 5 de Dezembro. Alguém se habilita? Detalhes dessa chamada e de outras ligadas às inovações de políticas públicas podem ser encontradas aqui. Encontrei uma chamada na área de química em que o prêmio é de 1 milhão de dólares. Em 2007 foram mais de 160 mil problemas solucionados. Os maiores solucionadores de problemas aparecem no site, o que os motiva mais ainda (afinal, pesquisador prefere reputação ao dinheiro!). Abaixo, mostro os países que mais tiveram inovadores premiados (quanto maior o nome, maior o número de soluções). Imperdível uma visita por lá de vez em quando.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Genialidade Grupal – Resposta dos testes

Semana passada, coloquei dois testes realizados por psicólogos quando tentavam compreender como se dá a criatividade. O resultado para o primeiro pode ser visto na figura abaixo. Parabéns ao Adriano que foi o único que enviou a solução. A dificuldade de resolvê-lo é chamada em inglês de “thinking outside the Box” (algo abrir os horizontes ou ao pé da letra pensar fora da caixa). Os gestaltitas acreditavam que o insight era algo diferente do nosso pensamento tradicional e que estava influenciado por um bloqueio que ao ser eliminado leva a conclusão. No caso do jogo dos nove pontos, o bloqueio é não pensar que as retas podem passar dos pontos. Testes mais recentes com uso de scanners computadorizados indicam que isso não é bem assim. O insight é um mecanismo de raciocínio e busca de solução como os outros. Por essa razão depende mesmo é da experiência de casos similares vividos. Fica difícil ligar os pontos do teste, porque tradicionalmente a experiência das pessoas está ligada ao joguinho de labirinto onde ligar os pontos é feito dentro dos limites. Não há aprendizagem de outra estratégia. Por isso fica difícil encontrar a solução. Outros testes realizados com o intuito de provar essa hipótese mostraram que ao serem ensinadas com estratégias similares as pessoas acabam resolvendo problemas desse tipo mais rapidamente. Para finalizar, a resposta do teste do Raio X é a seguinte: coloque vários aparelhos de Raio X em posições diferentes e direcionados ao tumor. Ligue-os ao mesmo tempo com uma intensidade que não destrua os tecidos, mas de forma que os raios atinjam o tumor ao mesmo tempo. Dessa forma a intensidade que atinge o tumor será forte o suficiente para destruí-lo. O mais interessante desse problema é que ele é resolvido muito mais rapidamente quando várias pessoas discutem sobre o mesmo e colaboram na solução.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Errata : Genialidade Grupal

Desculpem-me o erro. Esqueci de dizer que para o jogo 1 é preciso ligar os pontos com quatro retas. Senão ficava muio fácil, não?!

Genialidade Grupal

Li recentemente Group Genius: the Creative Power of Collaboration (Grupo Gênio: a força creativa da colaboração) de Keith Sawyer. O livro trata de assuntos interessantíssimos e que estão fortemente ligados às minhas atividades atuais: criatividade, inovação e colaboração. De uma maneira geral, no entanto, me decepcionou pelo o que considero uma infeliz estratégia seguida pelo autor. Ele caiu na armadilha de dar receitas do que fazer e não fazer e assim dirigiu-se a um terreno arenoso de obra tipo auto-ajuda e que particularmente detesto. Principalmente quando se trata de assuntos que estão na fronteira do conhecimento, melhor deixar o leitor tirar suas conclusões do que ficar querendo propor receitas. Por esta razão não o estarei postando na coluna ao lado. No entanto, há muita coisa interessante no livro que em resumo busca quebrar certo estereotipo de que a criatividade e a inventividade vêm através de insights repentinos por indivíduos iluminados, isolados e mesmo alienados. Ao contrário, criatividade está mais ligada a trabalho em equipe, experiência com tentativa e erro e muita interação, quer seja diretamente com colegas, quer através de idéias que vão sendo gradativamente assimiladas e evoluídas. Quando o autor não está dando receitas de como ser criativo, a leitura flui agradavelmente muito em função das diferentes e interessantes experiências feitas por psicólogos cognitivos descritas no livro. Para relaxar, deixem-me exemplificar com dois testes realizados na década de 60 por psicólogos “Gestaltistas” (consideram que o pensamento e as percepções das pessoas não podem ser entendidos por análises de componentes individualizados, mas somente com a visão completa do todo). Eles fizeram vários testes em busca de entender o fenômeno “aha”ou “heureka” que caracteriza o momento do click, da descoberta, o chamado “cair a ficha”.
1º teste – Nove Pontos
Veja a figura abaixo. Tente conectar os nove pontos com quatro retas sem tirar a caneta do papel, nem passar duas vezes no mesmo caminho.


2º teste – Problema do Raio X
Suponha que você é um médico e tem um paciente com um tumor maligno no estômago. É impossível operá-lo, mas se o tumor não for destruído o paciente irá morrer. Existe um tipo de Raio X que pode ser usado para destruir o tumor. Se esse Raio X atingir o tumor todo de uma vez com uma intensidade alta o tumor será destruído. Infelizmente, com essa intensidade necessária o Raio X destruirá todo tecido de pele e nervoso que encontrar pela frente. Com uma intensidade baixa os tecidos não são destruídos mas o tumor não é destruído. Como fazer para não deixar o paciente morrer sem destruir seus tecidos nervoso e da pele?


Quem souber resolver, pode colocar as soluções nos comentários. Em alguns dias, farei alguns comentários sobre a dificuldade de se resolver esse tipo de problema (além de dizer a solução).

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Portal Inovação

Nessa sexta-feira estive na FIEC no lançamento do Portal Inovação feito pela CGEE (Centro de Gestão de Estudos Estratégicos) e ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial). O portal tem o objetivo de mapear competências e ofertas permitindo que empresários e demais atores de inovação as conheçam em nível nacional. Por outro lado, mapeia as demandas de empresas e dos demais atores que podem se consistir em um embrião para o começo de uma cooperação. O portal não só fornece informações, mas permite também a realização de interações entre os atores. Outro módulo importante refere-se ao apoio à gestão da inovação por meio de sistemas de informação e de conhecimento que produzem gráficos esclarecedores sobre os dados disponibilizados no Portal. Os palestrantes disseram que o uso do Portal é imprevisível. A Siemens, por exemplo, tinha interesse em convencer a matriz alemã de que era viável realizar pesquisa no Brasil. Utilizou-se dos dados existentes no Portal para mostrar que há competência aqui. É possível saber dados preciosos de como anda a cooperação Universidade-Empresa. Qual a quantidade de interação de Universidade com Empresa. A iniciativa é sem dúvida inovadora e o produto per se é de inegável bem feitura e qualidade. No entanto, nem tudo é só maravilha. Boa parte dos dados modelados no Portal deve ser fornecida pelos próprios usuários. Se por um lado isso o faz inovador, requer um grande potencial de articulação e divulgação do produto (algo similar que estou vivendo com WikiCrimes). Os atores do sistema de C&T serão certamente atores fundamentais nesse contexto. O Presidente da FUNCAP, Prof. Tarcísio Pequeno, anunciou que todos os demandantes de incentivo devem cadastrar seus dados no Portal se quiserem concorrer aos incentivos daquela Fundação. A integração com o currículo Lattes foi automaticamente realizada, o que deixa o Portal com cerca de 1,5 milhão de curricula vitae. Integrações com a ANPROTEC e INMETRO seguindo a mesma idéia do Lattes estão sendo estudadas. Finalmente, vale a pena ressaltar o ponto alto do Portal: seus mecanismos de busca. Elas podem ser feitas por palavras-chave e incorporam algoritmos de similaridade entre CVs além de auxiliar na identificação automática de demandas e ofertas. Vale a pena dar uma conferida em http://www.portalinovacao.mct.gov.br/pi/.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Inventar Não é Obrigatoriamente Inovar

Percebo que muito freqüentemente as pessoas não distinguem bem a diferença entre inovação e invenção. Nos dias atuais o conceito de inovação tem ganho popularidade e, por isso, usado em todo e qualquer discurso. É ainda muito comum ouvir discursos que impreterivelmente fazem uma associação entre registros de patentes e inovação. Senti-me impelido a buscar uma definição que seja esclarecedora e mais precisa desses conceitos. A inovação refere-se a todo um processo de desenvolvimento de uma idéia em uma aplicação. Normalmente está ligada a geração de valor. Ao se tentar desenvolver uma inovação passa-se por uma fase de geração de idéias que podem se transformar em invenções, modelos, planos antes de se tornarem inovações. O economista austríaco Schumpeter escreveu freqüentemente sobre esses conceitos. Ele enfatiza que a invenção por si só não produz nenhum efeito economicamente relevante enquanto que a inovação subentende um esforço para transformar idéias em resultados para alguém (normalmente a organização). Mas e para que servem mesmo as patentes? As patentes protegem as invenções. Ou seja, ela é um pedido de reserva do direito de ser reconhecido como o inventor do produto, processo, idéia, etc. Agora, se essa patente vai estar relacionada com algo inovador é outra história. Pode-se argumentar que há uma correlação positiva entre as duas coisas, visto que é provável que quanto maior o número de invenções, maior será o número de inovações. No entanto, nem tudo é tão linear assim. E aqui vale a pena retomar o que já comentamos anteriormente aqui no texto "software livre". Na área de computação nasceu um grande movimento contrário a política de patentes e direitos autorais de uma forma geral. É fácil perceber que o sistema de registro de patentes comporta um viés defensivo e mesmo egoísta. Primeiramente, ele, por reservar o direito da idéia, impede ou pelo menos dificulta a inovação que outros poderiam fazer baseados naquela idéia. As grandes empresas que podem submeter uma grande quantidade de pedidos de patente e com grande velocidade acabam por impedir que outros se desenvolvam. Ora, em computação temos visto novas idéias surgirem todos os dias, mas nem todas elas se tornarão inovações. Já tínhamos comentado no texto em que falamos das inovações na web lançadas recentemente pela Google, Mozilla, Apple, etc. que o grande desafio não é mais lançar a novidade, mas fazê-la pegar. Todos os exemplos inovadores de desenvolvimento e uso de software livre são iniciativas concretas para quebrar o sistema defensivo de proteção de idéias. Em essência, uma idéia para resolver um dado problema e materializada por um software passa a ser de domínio público e quem quiser melhorá-la ou inovar a partir dela tem o direito. Aos interessados, todas as implicações desse novo contexto podem ser melhor compreendidas no livro de Yonchai Benker, já mencionado aqui e que faz parte da lista de sugestões de livros ao lado.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A Indústria Criativa e a Economia da Cultura

Neste dia do professor, quero voltar a refletir sobre um aspecto que tenho reiterada vezes abordado nesse blog: a cultura de empreendedorismo, da inovação e da criatividade. Em particular vou me concentrar em um assunto que descobri após uma dica do Presidente da Fundação Cearense de Pesquisa do Estado do Ceará, Prof. Tarcísio Pequeno, sobre um site que congrega várias organizações que se dedicam a questão da criatividade como instrumento de produção de riqueza(clique aqui para acessar o site). Um dos conceitos básicos dessa iniciativa chama-se Indústria Criativa. Não se trata aqui de simplesmente dar um adjetivo às indústrias tradicionais. Estou me referindo a toda atividade que foi originada por uma idéia criativa, em função de um talento próprio, que pode gerar renda, bem-estar e emprego através da geração e exploração de propriedade intelectual. Essa é uma definição dada pelo departamento de cultura, mídia e esporte do governo do Reino Unido que, aliás, investe fortemente em iniciativas do tipo e por isso mesmo boa por parte das iniciativas da creative industries vêm de lá. O congresso de indústrias criativas reunirá expositores de todo o mundo e será em Londres em Novembro. Dentre os diversos setores que compõem iniciativas criativas pode-se elencar o audiovisual, a música digital, a publicidade e propaganda, artes de uma forma geral, designer e arquitetura, enfim, atividades que o Brasil tem um portfólio considerável e que pode ser explorado continuamente. A operacionalização de uma indústria criativa se dá normalmente com suporte da tecnologia e métodos modernos de gestão. Ressalte-se que o valor econômico do "produto" é baseado nas suas propriedades intelectuais ou culturais. Aqui entra um outro aspecto importante nessa nova economia, o valor cultural. Hoje em dia, as iniciativas específicas de uma cultura estão sendo cada vez mais difundidas globalmente. Por envolverem peculiaridades próprias de seu contexto de origem, são quase sempre inéditas e inovadoras à luz de boa parte do mercado global consumidor. Desta forma podem agregar valor e se tornam um excelente produto comercial. Vale aqui a máxima típica do mundo globalizado: produza local e comercialize global. Interesso-me particularmente por essas idéias por dois motivos. Primeiramente, deve-se perceber que todo esse contexto de indústrias criativas é convergente com a web2.0 e com o mundo digital. A web é a infra-estrutura comum e disponível a todas essas atividades criativas. Quer seja somente como veículo de disseminação, quer seja como próprio componente da solução criativa, a grande teia mundial potencializa as idéias criativas e apresenta-se como forma natural para abrigá-las. Acrescente-se a isso o fato de que os meios analógicos de armazenagem de mídia estão sendo radicalmente mudados para meios digitais. O segundo aspecto que me atrai deve-se ao fato de que o conceito de indústria criativa pode e deve ser aplicado às atividades governamentais, principalmente, à de transformação de cidades em espaços agradáveis e que promovam o bem-estar da população. Boa parte das iniciativas criativas a serem apresentadas no congresso mundial de indústrias criativas que se desenrolará em novembro em Londres, destinam-se a esse fim. Enquanto professores cabe-nos não somente apresentar esses conceitos aos alunos universitários mas, principalmente, fomentar a aplicação dos mesmos. Isso certamente será o vetor de transformação econômico e social com capacidade de transformação radical da realidade que vivemos hoje.