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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Crowdsoucing Brasileiro: Faça sua moda

Um site para venda de camisetas estampadas pela Web. Nada mais simples e comum nos dias de hoje, não? Seria possível inovar nesse contexto? Brasileiros empreendedores do projeto Camiseteria mostram que isso é perfeitamente possível. Trata-se de um bom exemplo de como o conceito de crowdsourcing (produção colaborativa) pode ser usado comercialmente. O Camiseteria tem um site de venda de camisetas estampadas, mas as estampas, por sua vez, são produzidas pelos próprios internautas.

A ideia mantem a simplicidade como linha mestra. As pessoas são convocadas para mostrar seus talentos na produção artística como bem diz o slogan: “faça sua moda” . Os interessados participam de concursos nos quais são chamados a enviar desenhos de estampas. As mais votadas são escolhidas para entrarem na linha de fabricação. Os vencedores do concurso ganham um prêmio em dinheiro e crédito para compra na loja (atualmente, R$ 800,00 em dinheiro e R$ 500,00 em créditos de compras). A cada nova reedição da estampa ganha-se R$ 300,00.

Vejam que não se trata somente de ganhos financeiros que são prometidos aos vencedores. Eles veiculam seus nomes aos produtos. Vejam na foto abaixo. O lançamento das novidades está associado ao nome dos designers. Ou seja, há uma ótima oportunidade de divulgação de talentos. Decididamente uma idéia que captura a essência da participação ad hoc que caracteriza a sabedoria das massas. Vejam também o vídeo abaixo onde o empreendedor Fábio Seixas descreve o projeto (o vídeo foi patrocinado pela Microsoft, não se espantem com a propaganda). Para aqueles que acham que as coisas são fáceis e que tudo na web acontece de repente, percebam que o projeto começou em 2005.





terça-feira, 19 de maio de 2009

Mastercard e Crowdsourcing

Tenho escrito frequentemente sobre crowdsourcing (veja aqui para uma definição mais detalhada) que consiste da produção de serviço feita de foram colaborativa e voluntária. Uma lista de exemplos de iniciativas desse tipo pode se consultada aqui. Um dos exemplos mais marcantes e emblemáticos de crowdsourcing é a campanha da Mastercard “O que não tem preço para você”. A idéia, iniciada em 2008, visava induzir a comunicação direta com o cliente. As pessoas podiam enviar para a companhia um vídeo contendo sua estória em que diziam o que consideravam sem preço. A participação levava-os a obter prêmios diversos e o maior deles era a possibilidade de ter a estória como tema da propaganda. Mais de 60.000 estórias foram enviadas e cerca de 40 milhões de visitas ao site já ocorreram após o início da campanha. Esses resultados não são surpresa se considerarmos os números da última pesquisa da Deloitte sobre o uso das mídias eletrônicas. 44% das pessoas que assiste TV, o fazem concomitantemente com a Web. A interação com a televisão através da web é cada vez mas realidade. Veja um dos vídeos premiados abaixo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Experiências de Produção Colaborativa de Conhecimento

Quem quiser saber mais sobre exemplos de produção colaborativa de conhecimento pelas massas (minha tradução para crowdsourcing) deve recorrer ao Wiki do Crowdsourcing (clique aqui para acessar) . O site é iniciativa de Anjali Ramachandran um entusiasta no assunto e com livros e blogs sobre o assunto. Tem muita coisa interessante e naturalmente WikiCrimes e WikiMapAid também já estão registrados lá. As contribuições estão divididas em quatro módulos:
1. Sites individuais que abrem espaço para a participação das massas (wikicrimes e wikimapaid constam aqui);
2. Iniciativas patrocinadas por Empresas ou Marcas de criação de fóruns que dependem da participação das massas;
3. Iniciativas de empresas ou marcas que permitem os usuários customizarem seus produtos;
4. Iniciativas patrocinadas por Empresas ou Marcas focadas em competições ou desafios de participação das massas.

Vale a pena dar uma olhada para descobrir as inovações em aplicações colaborativas que estão surgindo no mundo.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Innocentive – Onde o Mundo Inova

Tenho escrito sobre crowdsourcing que significa produção de conhecimento em massa feita de forma distribuída e com pouco ou nenhum controle centralizado. Trata-se de uma forma de terceirização de pessoas, mas que não implica obrigatoriamente na remuneração das mesmas pelas atividades realizadas. O exemplo típico de crowdsourcing é a Wikipedia onde as pessoas contribuem na feitura de artigos sem que recebam nenhuma remuneração. Escrevi recentemente sobre como as grandes empresas como a Dell têm usado crowdsourcing (veja aqui). Uma forma de motivar as pessoas e que tem sido cada vez mais usada é oferecer prêmios para as melhores contribuições. Uma espécie de concurso aberto a todos os interessados. O(s) melhor(es) leva(m) os prêmios. Um exemplo de sucesso de projeto desse tipo pode ser encontrado no excelente site Innocentive. Trata-se de um projeto dedicado exclusivamente à inovação. No site são colocadas chamadas para solução de problemas, os mais diversos. Há chamadas por propostas nas áreas de química, computação, negócios, física, matemática, ciências da vida, engenharia e políticas públicas. Normalmente essas chamadas são feitas por empresas com o intuito de motivar inovadores, inventores e pesquisadores a se debruçarem sob problemas que possam lhes trazer diferencial competitivo. Cada problema apresentado tem um prêmio associado que pode ser dinheiro e/ou participação em royalties pela exploração do produto. Por exemplo, atualmente há uma chamada da Câmera de Comércio da Cidade de Chicago para redução de emissão de gases poluentes pelo uso eficiente de transporte coletivo, de caminhadas, de uso de bicicletas, enfim de alternativas aos automóveis. O prêmio pela melhor proposta é de 5.000 dólares. As propostas podem ser enviadas até dia 5 de Dezembro. Alguém se habilita? Detalhes dessa chamada e de outras ligadas às inovações de políticas públicas podem ser encontradas aqui. Encontrei uma chamada na área de química em que o prêmio é de 1 milhão de dólares. Em 2007 foram mais de 160 mil problemas solucionados. Os maiores solucionadores de problemas aparecem no site, o que os motiva mais ainda (afinal, pesquisador prefere reputação ao dinheiro!). Abaixo, mostro os países que mais tiveram inovadores premiados (quanto maior o nome, maior o número de soluções). Imperdível uma visita por lá de vez em quando.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Excessiva-qualificação

Vou chamar aqui de excessiva-qualificação quando uma pessoa tem uma qualificação acima daquela necessária para realizar suas atividades profissionais. Mas será que isso ocorre com frequencia? Não temos sempre ouvido falar de que o que ocorre é a falta mão de obra qualificada para ocupar cargos vagos no mercado? Claro que dependendo do País e do contexto, isso ocorre em diferentes proporções. Durante meu doutorado na França, há dez anos atrás, já convivi com esse fenômeno. Meus colegas franceses recém doutores não encontravam trabalho em universidades ou em empresas que faziam pesquisa e aí acabavam por se ocupar em atividades que exigiam minimamente de sua qualificação. Na Europa, havia (e ainda há) muito PhD disponível e o contexto de recessão que sempre rondou o Velho Mundo torna o processo de excessiva-qualificação um problema real. Evidente que, como já disse em textos anteriores (acesse aqui), a capacitação para pesquisa traz, além da qualificação técnica, uma formação adjacente que é ampla e útil para a resolução de problemas em geral, o que, sem sobra de dúvidas, pode ser aproveitada pelo mercado de diversas formas. Não há dúvida, no entanto, que isso nem sempre é simples de ser conseguido. Vale ressaltar que excessiva-qualificação não se refere somente a PhDs ou pessoas que estudaram muito. É algo bem mais abrangente. Semana passada estive conversando com algumas pessoas da Polícia Militar e da Guarda Municipal e vi claramente esse fenômeno presente. A febre de concursos públicos para cargos com salários atraentes e a estabilidade inerentes ao Serviço Público leva uma legião cada vez maior de pessoas com qualificação acima da necessária para o cargo a assumir cargos que lhes exigem bem menos daquilo que podem dar. Conversei com soldados e patrulheiros municipais que estavam extremamente desmotivados porque se achavam mal aproveitados nos seus trabalhos. Tinham que fazer nada motivadoras rondas de patrulha em prédios públicos ou em ruas e avenidas e só. Eles achavam que podiam render muito mais em outros setores e em outras atividades e que não eram percebidos. Tinham mágoas de suas Instituições. Quando lhes alertei que suas Instituições talvez necessitassem de gente para fazer exatamente o que lhes eram solicitados, percebi que passaram a compreender claramente que estavam em situação de excessiva-qualificação. Alguma receita? Não por mim. Os gerentes e as próprias pessoas que se encontram em situação de excessiva-qualificação devem buscar trilhar seus caminhos. E ainda, por favor, me entendam. Não estou querendo dizer que qualificações podem ser excessivas e que não devemos buscar tê-las. Na verdade, minha intenção foi só de introduzir o problema porque quero refletir sobre a relação entre Excessiva-qualificação e Crowdsourcing em um próximo texto. Confiram!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Dell está CrowdSourcing

Que título é esse eih? Para aqueles que não são de computação então! Eu me explico. Relembro que crowdsourcing significa produção de conhecimento em massa feita de forma distribuída e com pouco ou nenhum controle centralizado. Vários exemplos de crowdsourcing estão surgindo no mundo. Gostaria de descrever o exemplo da Dell, uma das empresas líderes no mundo na produção de computadores. Parece-me emblemático de como as grandes empresas estão dando atenção ao assunto. Em fevereiro de 2007 a Dell lançou o projeto chamado IdeaStorm (tempestade de idéias) com o modesto objetivo de permitir ao usuário se expressar e dizer a Dell que novos produtos eles gostariam de ver a Empresa produzindo. Em dez dias, uma chuva de pedidos para que a Dell lançasse suas máquinas com um sistema operacional com código aberto chamou a atenção dos executivos da Empresa. Desde então a Dell percebeu que estava diante de um novo fenômeno. As pessoas estavam ávidas por participar, mas a Empresa tinha que dar o retorno. Máquinas com Ubuntu(um sistema operacional baseado em Linux desenvolvido pela comunidade) passaram então a ser produzidas. Depois disso, nove tipos de laptops foram lançados baseados nas sugestões vindas do IdeaStorm. Percebam que isso não se faz da noite para dia. Exige muita paciência e investimento da Empresa para discutir com os usuários, detalhar, refinar e filtrar as idéias e mostrar sempre aos mesmos de que suas idéias estão sendo consideradas. Outro ponto importante é de que o retorno desse tipo de estratégia nem sempre é financeiro, mas acima de tudo de uma imagem de proximidade e cumplicidade com o usuário. No mundo de hoje computadores estão se tornado commodities. Já não é novidade que a escolha de uma marca de equipamento possa ser baseada simplesmente no sentimento de confiança e mesmo de carinho que o usuário tem pela marca. A Apple é um exemplo categórico disso. Usuários Apple são quase que torcedores da marca. A estratégia da Dell é um passo nessa direção e creio que deverá ser seguida por outras grandes. É esperar para ver.