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terça-feira, 21 de agosto de 2012

SPAM Eleitoral


Para os não familiares com o informatiquês que invade nosso cotidiano, deixem-me definir o que significa SPAM. Trata-se do uso de sistemas eletrônicos de comunicação para enviar uma grande quantidade de mensagens não-solicitadas às pessoas.

A atual campanha para prefeito tem posto à prova o conhecimento dos candidatos e de suas equipes sobre o que é SPAM e sobre as formas que ele pode assumir. Os incômodos carros de som e, mais recentemente, o SPAM telefônico com o envio de mensagens gravadas mostram que as campanhas precisam evoluir muito na questão.

Detenho-me aqui ao SPAM por telefone, pois o acho até mais intrusivo e incômodo ao cidadão do que o popular SPAM através de emails. Uma chamada telefônica interrompe a rotina da pessoa, força-lhe uma ação, sem que ela tenha a menor ideia de quem seja e de que assunto se trata. Já imaginou se todos os candidatos decidem fazer a campanha disparando chamadas para a população? E se todos os empresários também decidem fazer o mesmo para anunciar seus produtos?

Além disso, a questão do SPAM telefônico levanta uma outra problemática: a da privacidade. Como os números telefônicos têm sido conseguido? De que base de dados eles vêm? Não me consta que essa informação esteja aberta ao público. Se está sendo comprada, quem tinha o direito de vende-la? Os usuários que tiveram seus números de telefone usados, permitiram o uso para esse fim?

Além de tratar-se de um péssimo exemplo, pois demonstra desconhecimento da ética de uso saudável dos meios de comunicação, duvido da efetividade de tal medida. Será que os que dela recorrem gravam a quantidade de desaforos que recebem das pessoas que se aborrecem ao receber o telefonema? Será que medem o impacto negativo nas redes sociais de tal prática?

Os candidatos têm obrigação de conhecer e respeitar essa nova ética porque, como homens públicos, têm um papel preponderante na tarefa de zelar para que os recursos eletrônicos e as informações privadas das pessoas sejam usados de forma responsável.  É uma boa hora de dar o bom exemplo.

* Artigo publicado na coluna Opinião do jornal O Povo de hoje

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Financiamento Público de Campanha


Volta e meia a questão do financiamento público de campanha é discutida no Brasil. Ouço sempre argumentos prós e contras, mas creio que os mesmos não focam o principal.

Quero logo esclarecer que sou a favor. Mas não o sou porque ache que isso vai impedir candidaturas milionárias ou que o poder econômico deixe de prevalecer nos certames. Não sou inocente de achar que essa medida vai fazer com que todos os candidatos compitam no mesmo patamar.

No entanto, acho que o maior benefício do financiamento público de campanha é o de elevar o debate. Uma das razões de nossa política ser tão sofrível é porque os candidatos são ruins. Há muita gente boa que tem uma mensagem qualificada a passar, possui boas idéias, boa vontade e pode defender valores louváveis, mas que não entra na política porque não tem dinheiro para uma campanha mínima.

Embora não deixe todos os candidatos em condições iguais, o financiamento público vai colocar gente boa na política e isso é essencial para a melhoria do País como um todo.  Repito que sei que o poder econômico ainda será determinante para ganhar eleições, mas tenho certeza que vai ter muita gente que vai qualificar o debate. Algumas surpresas acontecerão. Será a única forma de renovar verdadeiramente os parlamentos.

O grande desafio é convencer a população de que o dinheiro gasto nas campanhas tem retorno. Acho que a renovação do parlamento, como espero que ocorra, por menor que seja, vale qualquer preço.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Governos e Campanhas Eleitorais


Governos não conseguem resolver sozinhos muitos dos problemas que afloram diariamente na vida de uma comunidade. Precisam da participação das pessoas, mas sofrem para serem catalisadores da energia popular. Muitas vezes nem percebem essa necessidade. Recentemente, li uma matéria jornalística que versava sobre como o lixo depositado nas ruas gerava poluição nas praias. Um exemplo clássico de como as ações governamentais de limpeza urbana não são suficientes. Se as pessoas sujarem indiscriminadamente não há serviço de limpeza que baste.

Conseguir o engajamento dos cidadãos às causas comunitárias envolve, dentre outras coisas, uma campanha educacional para além da sala de aula. A postura dos cidadãos no seu cotidiano pode e deve ser educada. Usar a criatividade em campanhas de conscientização com exemplos claros dos danos que atos inadequados podem causar é a melhor estratégia educacional.

Mas não é somente isso. O verdadeiro desafio para tornar essas campanhas efetivas é fazer com que sejam apropriadas pelos cidadãos. Elas precisam ser marcantes e gerar o sentimento de contágio. As pessoas têm que se sentir impelidas a participar, pois compreendem os impactos e, acima de tudo, se contagiam com a participação dos outros.

Alguns mais céticos acreditam que nossos governantes não são capazes de gerar isso. Digo que são, sim. O fazem muito bem quando querem se eleger. A mesma dinâmica usada durante uma campanha eleitoral que visa criar um movimento em torno de uma ideia ou de um nome de um candidato pode e deve ser usada nas ações de governo.

Temos exemplos de políticos que são excelentes na campanha. Agitam, interagem, convencem. Agindo assim conseguem ajuda para se eleger. Quando no governo, se apequenam, se fecham. Não conseguem ajuda para governar. Custa usar a mesma estratégia? 

*publicado na coluna opinião do Jornal O Povo, 22 de Fevereiro, 2011

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Eleições Municipais – Esquisitices, Pérolas e Curtas Reflexões

A iniciativa de um grupo de pessoas encabeçado por Rosa da Fonseca e a ex-prefeita Maria Luiza Fontenele pedindo que as pessoas não votassem foi uma pisada de bola sem tamanho. Qual a alternativa ao não-voto? Um regime de exceção? Mas não foram exatamente essas pessoas as que mais sofreram as conseqüências cruéis da falta de democracia? Esse fato é muito simbólico de que parece faltar um inimigo (e idéias) para candidatos a revolucionários. Aliás, incentivar o não-voto não seria incentivo a cometer um crime? Com a palavra o Ministério Público.

Gravações de Ciro Gomes pedindo voto para sua candidata a prefeito, sua ex-mulher Patrícia Saboya, e que foram enviadas indiscriminadamente aos usuários de celular. Inacreditável exemplo de desrespeito! Um autêntico spam eleitoral e eletrônico.

Ainda na campanha da candidata Patrícia Saboya. A “terceirização” da irmã de Ciro Gomes para passar uma mensagem de apoio a candidatura de sua cunhada (creio que não existe a figura da ex-cunhada). Que coisa estranha. Uma espécie de "nepotismo" de cabo eleitoral terceirizado ! Queria saber quem pôde imaginar que essa façanha podia conquistar votos.

Licença de cargo eletivo executivo para fazer campanha. Será que alguém consegue encarar, durante uma semana ou dez dias, um chefe do executivo licenciado como não representando o cargo que o povo lhe deu o direito?!

Proposta do candidato a Prefeito de Fortaleza Moroni Torgan para realizar entrega de remédio de graça na casa ao cidadão por moto táxi. Como prometer é de graça ...

A esquisitíssima e mal explicada desistência do candidato a prefeito de Fortaleza Luiz Gastão que teve que voltar correndo à presidência da FECOMÉRCIO sob denúncias de irregularidades em sua gestão. Alegou complô.

Aula de lógica: o que é abdução? A campanha dizia 100% Lúcio é 100% Adahil. Resultado da campanha: 0% Adahil. Qual a conclusão lógica?

Para finalizar. A prefeita de Fortaleza recém eleita acaba de dizer que o estádio Presidente Vargas vai estar entre o rol de estádios a sediarem jogo na Copa do Mundo de 2014. Menos Prefeita, menos. Deixa pelo menos o Leão jogar lá, senão a gente cai para a terceirona.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Promessas Digitais: Visões de Prefeitas

Coincidentemente (ou talvez não?) deparei-me semana passada com dois comentários, uma com teor de promessa, outra de realização política na área da computação que me surpreenderam. Primeiramente, a prefeita de Fortaleza divulgou que deixou de comprar um software por 23 milhões, encomendado na gestão anterior (herança maldita sempre rende!) , e que o mesmo está sendo desenvolvido, com a mesma qualidade, por menos de novecentos mil reais pelos alunos do projeto Pirambu Digital. Para os que não o conhece, esse projeto refere-se a uma iniciativa de inclusão social no bairro do Pirambu um dos mais populosos e pobres de Fortaleza. Iniciativa louvável (inclusive premiada pela FINEP) que visa dar uma nova alternativa de trabalho e renda para os jovens do bairro. A Cooperativa Pirambu Digital teve origem num projeto de formação de jovens em tecnologia da informação do CEFET-CE e desenvolve soluções em TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) oferecendo ao mercado local e nacional os serviços de desenvolvimento de software, criação de sites, manutenção de computadores, criação e implantação de projetos de redes, treinamentos em TIC e implantação de projetos de Inclusão Digital. Esses projetos dão sustentabilidade para que a cooperativa ofereça serviços de inclusão à comunidade como ensino de inglês e empreendedorismo, a preparação para o vestibular, o reforço escolar para crianças, as atividades de canto e dança, o suporte técnico em informática e o acesso à Internet gratuito. Nada contra a cooperativa, muito pelo contrário, mas o que me surpreendeu na afirmação da prefeita foi o fato que o tipo de software, a que ele se destinava, se o mesmo já está em funcionamento e implantado, onde está funcionando, bem como outros detalhamentos para a perfeita compreensão dos porquês dessa grande diferença de preço, nada disso, foi fornecido. A forma como a questão foi colocada me parece excessivamente simplista. Quem trabalha com computação ou mesmo somente precisa dela sabe que a especificação de um software e seu desenvolvimento podem sofrer variações grandes em termos de qualidade e preço em função das escolhas e exigências realizadas. Usar em um discurso político um exemplo de economia dessa magnitude sem detalhamentos é no mínimo incorreto. Outra declaração que me surpreendeu foi a promessa da candidata a prefeitura de São Paulo Marta Suplicy de que forneceria Internet Wireless de graça em toda a capital paulista, para todo paulistano. Pensei comigo mesmo, “será que escutei direito”. Não é que seja impossível, mas é uma proposta tão arrojada que nos faz desconfiar. Seriam cerca de 4.000 antenas espalhadas pela cidade tanto em prédios públicos como privados. Os detalhes técnicos não foram fornecidos, muito menos o custo para se ter algo do tipo. Esses dois assuntos me alertam para algo que já havia percebido em outras iniciativas, mas que parece estar começando a se popularizar: computação tornou-se assunto popular, mas com forte tentação a populismo. Os candidatos incorporaram de que devem dizer algo sobre o mundo digital. Como são normalmente pouco conhecedores do tema, são levados a dar declarações de impacto e que não se sustentam a uma análise mais criteriosa. Senti-me na obrigação de alertar e solicitar cautela.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A Campanha Americana na Internet

É muito interessante acompanhar a campanha americana pela Internet. Todos os candidatos possuem suas páginas que descrevem detalhadamente seus programas e, principalmente, essas páginas são componente essencial para arrecadação de fundos. Nada surpreendente, pois a Web faz cada vez mais parte na vida dos americanos. Ao acessar os sites dos candidatos pode-se ver claramente o que os mesmos priorizam além de conseguir dinheiro. Vejam os sites dos candidatos Hillary, Obama, Romney, McCaine. IRAQ,Imigração , Saúde Pública, Segurança Pública, Educação, Autonomia Energética, disciplina fiscal e competitividade econômica são temas que todos mencionam. Algumas diferenças básicas entre democratas e republicanos estão bem evidentes. Republicanos enfatizam sempre a questão dos valores morais e do corte de impostos. Os democratas enfatizam sempre a necessidade de proteção aos mais pobres, lei contra uso de armas e meio ambiente. O mais interessante é verificar que alguns temas tipicamente democratas estão sendo usados pelos republicanos. Enquanto Rudy Giulinani manteve a tradição e não demonstrou nenhuma preocupação com a questão do aquecimento global (talvez por isso mesmo teve que desistir da candidatura em função de sua pobre performance), o senador John McCaine elegeu esse tema como um dos prioritários. Creio que McCaine tem sido muito inteligente em sua campanha ao perceber que a política de Bush para o setor é desastrosa (ver texto para dados sobre isso) e que conseguiu desagradar a todos. Aliás a posição do New York Times é sintomática. De ideologia claramente democrata, o jornal declarou em se editorial que apóia a candidatura de Hillary Clinton e do lado republicano, respeita bastante a candidatura de John McCaine “ o único republicano que promete pôr fim ao estilo Bush de governar”. Recebi a aposta do amigo Bill Clinton de que Hillary baterá McCaine e que os EUA terão uma mulher democrata como presidente. Basta torcer para que Bush não acabe com a economia mundial até lá.