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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mapa da Descontinuidade: Isso sim, seria inovação

Semana passada li uma notícia no jornal O Povo que me causou espanto. Nela dizia-se que a Secretaria de Segurança ia criar um mapa da criminalidade. Havia depoimentos de que se usavam planilhas e que agora iriam usar um software com mapas digitais. Leia a matéria aqui.

A surpresa que tive deve-se ao fato de que as ferramentas para criar mapas desse tipo, inclusive com a possibilidade de colocá-los à disposição do cidadão foram feitos há cerca de dez anos. Desde a implantação do CIOPS em 1998, softwares de geoprocessamento foram feitos para indicar os locais mais perigosos e subsidiar o planejamento das ações de policiamento ostensivo e repressivo.

Lembro-me que foi desenvolvido um site, inovador na época, chamado de estatísticas mapeadas que era disponibilizado pela intranet da Secretaria para que todos os comandantes de companhia e delegados pudessem fazer consultas nesses mapas.

Se tivessem pelo menos anunciado que iriam reativar ou melhorar o que existe, teria ficado menos surpreso. Estou pensando em criar um WikiMapp para mapear colaborativamente as iniciativas que são descontinuadas no serviço público.  Será que isso já existe?

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Análise de Crimes: Um Livro Referência

Acabei de ler o livro “Artificial Crime Analysis Systems: Using Computer Simulations and Geographic Information Systems - Sistemas Artificiais de Análise de Crimes: O uso de simulações computadorizadas e sistemas de informação geográficos”. Trata-se de uma coletânea de artigos escritos por pesquisadores de todo o mundo e que foram editados pelos pesquisadores Lin Liu e John Eck da Universidade de Cincinati. O livro foi lançado no começo do ano e congrega os diversos aspectos que estão sendo estudados hoje no mundo em computação, sociologia, criminologia e áreas afins sobre métodos científicos para mapeamento criminal. Mapeamento criminal refere-se a técnica de usar sistemas computadorizados em conjunto com sistemas de informação geográficos com fins de compreensão da criminalidade e investigar meios de reduzi-la. Pode-se dizer que, embora recente, a obra já tornou-se uma referência na área de Segurança Pública por sua abrangência, diversidade e representatividade. Ressalto que, junto com alguns alunos e colegas professores, escrevi o capítulo XV, que descreve nosso enfoque multiagente para simulação de crimes contra o patrimônio. É leitura obrigatória para qualquer estudioso no assunto. Maiores referências podem ser acessadas na coluna ao lado de leituras obrigatórias.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

WikiCrimes e Diário do Nordeste



WikiCrimes a partir de hoje ganhou um novo parceiro: o jornal Diário do Nordeste. Além do registro de crimes que coleta para suas matérias, a parceria prevê o uso de widgtes nas matérias on-line do jornal. Widgets são pequenos aplicativos que normalmente são copiados de um site para outro. No caso de WikiCrimes, os widgtes são pequenos mapas que mostram crimes e que indicam um determinado crime em particular destacado na matéria. Acima coloquei uma foto de como a matéria do DN fica com o widget de WikCrimes. Para acessar a matéria diretamente no jornal on line, clique aqui.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Seja um Colaborador de WikiCrimes!

No texto anterior desse blog mencionei que Wikicrimes está entrando em uma nova fase: a de abrir-se aos parceiros. Queria então detalhar como estamos pensando as colaborações em WikiCrimes. Elas podem basicamente ser de duas formas: colaboradores individuais voluntários ou entidades certificadoras. Os colaboradores individuais voluntários são aqueles que têm interesse em ajudar basicamente com o registro de crimes, moderação (realizando confirmações e identificando abusos, por exemplo) e com a divulgação do projeto. A única exigência que se faz a esses colaboradores é que façam registros de crimes periodicamente. Eles formarão uma comunidade que será chamada a discutir as melhorias e direções que devem ser seguidas no sistema. Eles terão ainda prioridade na recepção de novas versões do software e na participação de promoções que forem realizadas. As entidades certificadoras podem ser instituições ou mesmo pessoas físicas que detenham informação sobre crimes e que desejem cadastrá-lo em WikiCrimes. Ao serem inscritos com tal elas terão o poder de criar seu próprio mapa de crimes através da funcionalidade de pesquisa avançada de crimes. Além disso, os mapas gerados pela entidade certificadora podem ser exportados em forma de widgets a serem instalados em outras páginas. Para ser entidade certificadora é necessária uma atuação consistente e contínua de registro de crimes que sejam obrigatoriamente de fonte com credibilidade. São potenciais entidades certificadoras os meios de comunicação, as associações classistas, ONGs e evidentemente os órgãos públicos de segurança e justiça. Para se inscrever como entidade certificadora é necessário o pagamento de uma mensalidade a ser negociada. Se tiver interesse em participar, mande uma mensagem para faleconosco@wikicrimes.org.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Mais Novidades Em WikiCrimes

Uma nova versão de WikiCrimes está no ar. Primeiramente, peço desculpas aos usuários que ao tentar acessar WikiCrimes tarde da noite de sexta-feira não conseguiram acesso, pois tivemos que tirar o sistema do ar para realizar a atualização de versão. Como WikiCrimes está sendo usado por pessoas em todas as partes do mundo é praticamente impossível encontrar um momento em que não exista acessos. A solução definitiva para esse problema só virá quando tivermos recursos para termos dois servidores que funcionem em paralelo. Assim poderemos trocar a versão de um e imediatamente transformá-lo no servido principal. Se tivermos isso um dia significa que o projeto é um sucesso (do lado financeiro, é claro). Bem, a nova versão permite filtrar os crimes que foram confirmados pelos usuários. Lembrando que a confirmação de crimes é uma característica fundamental do sistema. Todo registro de crimes deve contemplar pelo menos UMA confirmação do registro. Dessa forma o informante dá mais credibilidade à informação entrada. Outra novidade de WikiCrimes é a possibilidade de filtrar crimes por entidades certificadoras. O conceito de entidade certificadora é outra novidade de WikiCrimes. As entidades certificadoras podem ser instituições ou mesmo pessoas físicas que detenham informação sobre crimes e que desejem cadastrá-la. Ao serem inscritos como tal elas terão o poder de criar seu próprio mapa de crimes através da funcionalidade de pesquisa avançada de crimes. Além disso, os mapas gerados pela entidade certificadora podem ser exportados em forma de widgets a serem instalados em outras páginas (widgets são pequenos programas que podem ser customizados e instalados nas páginas dos usuários). Para ser entidade certificadora é necessária uma atuação consistente e contínua de registro de crimes que sejam, preferencialmente, de fonte com credibilidade. São potenciais entidades certificadoras os meios de comunicação, as associações classistas, ONGs e evidentemente os órgãos públicos de segurança e justiça. A primeira entidade certificadora cadastrada em WikiCrimes é o Jornal Diário do Nordeste. Já estamos registrando todos os homicídios da região metropolitana de Fortaleza de 2008 que estavam em um banco de dados alimentado pela equipe de jornalismo policial do Jornal. Esperamos entrar numa nova fase de cadastramento de crimes com essas parcerias institucionais.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Web 2.0 e WikiCrimes

A TV UNIFOR recentemente me perguntou o que era Web 2.0(veja textos em que falo sobre isso aqui e aqui) e que exemplos deste novo conceito poderíamos prover. Foi uma boa oportunidade para introduzir alguns conceitos e, principalmente, para explicar WikiCrimes. Vejam a matéria abaixo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Dados Criminais e “Furos” Jornalísticos

O Jornal O Povo ofereceu em sua primeira página de ontem em letras garrafais a seguinte manchete “Homicidios: Estado usa números errados. 33% de mortes a mais”. O fio condutor da matéria foi a descrição de um estudo de um sociólogo, que “descobriu” que o número de homicídios registrados pelo CIOPS e o número registrado pelo IML não batiam. Fiquei estarrecido pela forma como essa matéria foi realizada. Primeiro, porque não é novidade para ninguém que entende um pouco de como funciona o sistema de coleta e registros de dados das Secretarias de Segurança Pública no Brasil de que os CIOPSs não têm o número mais preciso de registros de homicídios. Também não é novidade de que o dado do IML juntamente com o dos inquéritos da Polícia Civil é mais confiável no que se refere a homicídios (muitas vezes o dado da Secretaria de Saúde também pode ser usado). Segundo, surpreende-me dizer que o Estado usa o número errado. Ora, o outro número usado na reportagem é do próprio Estado, aliás da mesma Secretaria. Historicamente, o dado usado pelas Secretarias é uma consolidação das fontes que já mencionei. Os próprios dados enviados ao Ministério da Justiça não são os dados do CIOPS. Na matéria, a resposta da Secretaria de Segurança, tenta esclarecer, mas passa-se a impressão de que era algo errado e que passará a ser feito correto. Quero crer que os responsáveis que entendem de tudo isso que estou dizendo não tiveram espaço para esclarecer a situação. É preciso antes de tudo compreender o que é o CIOPS, qual sua finalidade e que dados ele congrega. O CIOPS é uma central de atendimento de emergência. Centrais de emergência não se destinam a coletar dados muito detalhados dos envolvidos . Devem coletar dados que permitam um rápido atendimento ao cidadão que pede socorro. É muito comum acontecerem chamadas que são registradas no CIOPS como lesões e que posteriormente, com a morte da vítima, torna-se um homicídio. Somente com a abertura do inquérito e com as informações periciais é que se pode precisar que este tipo de ocorrência se caracteriza como um homicídio. Um cadáver encontrado em via pública é outro exemplo. Só se pode confirmar que houve um homicídio após análises periciais. No CIOPS o registro fica somente como encontro de cadáver. Esses exemplos servem para mostrar que o trabalho de consolidação dos dados para a contagem de homicídios é tarefa necessária de ser realizada. Normalmente, para realizar essa consolidação tem-se uma central de tratamento de informações que toma nomes diversos nas Secretarias de Segurança do País. Esse é o dado oficial e é ele que é usado pelas Secretarias. Não tenho razões para crer que a gestão atual da SSPDS mudou esta prática. Vale ressaltar que não estou dizendo que os CIOPSs não possuem estatísticas úteis. Claro que as tem. Mas são de outra natureza. As estatísticas do CIOPS servem primeiramente para identificar zonas perigosas a partir de chamados do cidadão. É o dado mais importante para a realização de policiamento preventivo. Trata-se de informação geoprocessada e que dá um enorme subsídio às policias para, por exemplo, um programa tipo ronda do quarteirão. Agora, quando se fala de estatística qualitativa, com dados desagregados e para subsidiar investigações o dado mais adequado é o da Polícia Judiciária (aqui se insere os Institutos Científicos). De qualquer forma, com uma coisa dita na matéria concordo plenamente: há subnotificações de crimes. Aqui e em qualquer lugar do mundo. Por isso (e por outras) estou propondo WikiCrimes. Acho que ele merece muito mais barulho do que esse falso debate dos números de homicídios.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

WikiCrimes: Uma Semana Depois…


Depois da matéria no O Globo (clique aqui para ver a matéria) que lançou WikiCrimes vale a pena uma reflexão sobre a agitada semana pós-lançamento. A repercussão do site e a reação das pessoas me têm sido uma experiência muito enriquecedora. A fantástica sensação de estar aprendendo ao se tentar fazer acontecer é ao mesmo tempo excitante e angustiante. A constante descoberta de novidades, furos, reações inesperadas das pessoas compõem o cotidiano. Tenho dito sempre que WikiCrimes é, antes de tudo, um projeto social e de cidadania. Requer motivar as pessoas a participarem por uma causa. Trata-se ainda de criar uma cultura de compartilhamento que está muito forte em países anglo-saxões, mas que não me parece sedimentada na América Latina. Os aspectos tecnológicos são claramente secundários. Afora alguns bugs que identificamos e melhorias que já estamos desenvolvendo, fica claro que um dos maiores desafios é de comunicação. Comunicação, a princípio, para fazer a divulgação do site. Em segundo lugar, comunicação de uma mensagem convincente que consiga fazer as pessoas se motivarem e participarem. Os meios de comunicação tradicionais e os blogs têm aberto espaço para WikiCrimes. A avaliação dos usuários têm sido muito positiva. Recebo muitos e-mails de felicitações, embora preferisse receber mais mensagens de engajamento. Agora os que são empresários já olham para o projeto com um ar preocupado. Pensam que as informações criminais podem afastar os fregueses e clientes. Uma preocupação que não deixa de ser compreensível, mas contra a qual contraponho o seguinte questionamento: vale a pena tentar esconder a verdade dos clientes? Ao fazer isso não estariam arriscando a segurança destes e assim desmerecendo-o? Espero no futuro ter empresas parceiras do projeto e que elas passem a mensagem que suportam o projeto, pois estão preocupadas com o bem-estar do cliente (em última instância do cidadão) e por isso zelam pela transparência das informações. Em uma semana WikiCrimes já tem 100(cem) registros de crimes (tirei uma foto do site e o postei acima). A maioria dos registros deu-se em Fortaleza que tem sido a cidade mais participativa pela óbvia razão de ter sido o local onde WikiCrimes teve maior divulgação. Essa constatação aponta para a necessidade de se conseguir manter um alto nível de divulgação (o que está longe de ser evidente). Lembro-me de um livro interessante que li ano passado que se chama Tipping Point. Fala de um ponto de inflexão que um fenômeno atinge e que a partir dele seu crescimento é exponencial. Atingir o Tipping Point é o grande desafio de qualquer desenvolvedor de site na web. A estratégia é manter um crescimento constante e esperar que com o tempo o tipping point aconteça. O quanto se deve esperar para que isso ocorra, ninguém sabe. Há que se ter paciência e persistência. É minha primeira experiência nessa direção e, fazer isso, sem uma estrutura comercial nem organizacional torna o desafio ainda maior. Todo esse contexto faz parte do processo de aprendizagem. Acho que a idéia de WikiCrimes é tão boa que ela arrisca dar certo mesmo sem maiores estruturas. De qualquer forma, sei que precisaremos de parceria para manter a chama acessa. Será meu próximo passo e minha nova disciplina a cursar.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

WikiCrimes: Compartilhe Informações Sobre Crimes. Saiba Onde Não É Seguro

Os que me conhecem mais de perto sabem o quanto tenho investido minhas energias no projeto que concebi recentemente chamado WikiCrimes. Ele está se tornando realidade com a ajuda dos alunos, parceiros e todos os membros da célula de engenharia do conhecimento da UNIFOR. Antes de dizer como funcionará o projeto, deixem-me manter um pouco o suspense e apresentar a motivação para o mesmo. A veracidade e precisão das informações sobre onde ocorrem crimes bem como as informações sobre a tipificação desses crimes sempre esteve na pauta das discussões sobre Segurança Pública no Brasil. Tradicionalmente essas informações são monopolizadas pelas instituições policiais e caracteriza-se assim por um mecanismo altamente centralizado. Esse monopólio acaba por criar uma tensão na relação dessas instituições com a sociedade, pois, vez por outra, se contrapõe ao preceito da publicidade e da transparência das informações que requer um regime democrático. Alie a esse contexto, as recentes crises que têm caracterizado o dia-a-dia das instituições policiais bem como suas limitações para prestar um serviço público de qualidade que tendem a reduzir a confiança do cidadão nessas instituições. Esses fatores compreendem algumas das razões para o agravamento das sub-notificações: baixo índice de notificações de crimes ocorridos. Tornou-se comum escutar de alguém que foi assaltado dizer que não deu queixa a polícia por considerar que isso não surtiria algum efeito. Pesquisas feitas com vitimados em alguns estados brasileiros mostram que a sub-notificação pode, em áreas densamente povoadas, chegar a 60% para certos tipos de delitos. O resultado disso pode ser desastroso em termos da formulação de políticas públicas e em especial no planejamento da ação policial, pois o mapeamento criminal oficial pode estar refletindo uma tendência bem diferente da que ocorre na vida real. Seria possível modificar essa lógica da centralização e do monopólio oficial da informação criminal que tem prevalecido nos últimos tempos? Por achar que sim, idealizei WikiCrimes. A idéia é fornecer um espaço comum de interação entre as pessoas para que as mesmas façam as notificações e possam acompanhar onde os crimes estão ocorrendo. Parte-se do princípio que quem detém a informação sobre um crime é o cidadão. Se ele desejar torná-la pública pode fazê-lo. Desta forma a participação individual, de forma colaborativa, pode gerar uma sabedoria das massas. Ou seja, se houver participação ativa o mapeamento criminal passa a ser feito colaborativamente e todos terão o benefício de ter acesso às informações sobre onde ocorrem crimes. Vejo WikiCrimes como um projeto do cidadão para o cidadão. Seu slogan é “Compartilhe informações sobre crimes. Saiba onde não é seguro!”. Como Wikicrimes vai ajudar para que isso seja feito será explicado em um próximo texto.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Mapeamento Criminal em Debate Na Escola de Saúde Pública

Na semana passada fui convidado para participar de uma mesa de debates com a Profa. Glaucíria Brasil e com o Dr. Luis Carlos Galvão médico legista de Salvador. Excelente iniciativa da Escola de Saúde Pública, pois a Segurança é um problema multidisciplinar e a área de saúde é uma das que mais sofre as conseqüências da falta de políticas efetivas na área. O Dr. Mário Mamede me disse que a cada cinco minutos chega um motoqueiro acidentado ao IJF (que não vêm só de Fortaleza). Foi igualmente uma ótima oportunidade para que eu pudesse disseminar os conceitos de mapeamento criminal e de como isso pode ser útil como ferramenta de gestão pública. A Segurança tem o que aprender com a Saúde. Desde a criação do SUS (Sistema Único de Saúde), uma cultura de coleta e análise de dados se criou e hoje dados sobre o sistema de saúde são bem mais confiáveis do que os dados da Segurança. Não é a toa que muitas vezes o Ministério da Justiça recorre às estatísticas de homicídios vinda do SUS ao invés das que vêm das polícias estaduais.