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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Ser Empregado ou Empregador, Não Há nem a Questão

Em Abril de 2007, tinha recém chegado da Califórnia e saltou-me aos olhos a postura dos jovens universitários excessivamente interessados em fazer concursos públicos. Escrevi o texto “profissão concursado” (clique aqui para acessar o texto) descrevendo esse meu espanto. Semana passada, voltei a pensar no assunto quando tive a grata satisfação de assistir a uma palestra do ex-ministro e presidente da Embraer Ozires Silva que agora está presidente do Fórum de Líderes Empresariais. Fez uma apresentação bem informal alicerçada na sua enorme experiência. Duas historietas que contou foram bem interessantes. Na primeira, ele contou que ao dar uma palestra para jovens em uma universidade americana perguntou “quem quer um emprego?” Pouquíssimos alunos disseram que sim. Enquanto que ao serem perguntados se queriam ser empreendedores a maioria respondeu positivamente. Disse que fez a mesma pergunta no Brasil e quase ninguém respondeu que queria ser empresário. Ele enfatizou que acredita que a cultura de empreendedorismo passa por uma mudança de postura das universidades, mas também por um maior espírito patriótico. É preciso acreditar que o País pode dar certo e que para que isso aconteça é preciso ter gente com espírito desbravador. O comodismo da juventude em busca de concursos não pode ser a regra. A outra estória enfatiza esse segundo aspecto meio que patriótico. Contou à platéia que um dia teve a oportunidade de perguntar a um avaliador do Nobel, porque nunca houve um cientista brasileiro vencedor do prêmio. Teve como resposta que quando Cesar Lattes foi indicado, recebeu tantas críticas dos próprios brasileiros que teve sua candidatura retirada. Voltou a cobrar um espírito nacionalista que estivesse acima de querelas pessoais e que congregasse a nação em torno daquilo que nos orgulha. Disse que sente isso ainda hoje em relação a Embraer. Ainda não existem aviões da Empresa voando no espaço aéreo brasileiro embora eles estejam em toda parte do mundo. Diante um depoimento tão contundente de quem tem respaldo, bem que os jovens poderiam pelo menos começar a a se questionar do que vale mais a pena (e nem precisa de crise existencial).