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quinta-feira, 25 de março de 2010

Estaleiro no Titanzinho em Fortaleza: Minha Opinião

Ideologia, Eu quero uma pra viver
Cazuza

A novela sobre a instalação do estaleiro em Fortaleza motivou-me a escrever esse textos, um pouco maior do que os que normalmente faço, mas que senti-me impelido a fazê-lo. Para os que não são familiares com a questão, vale a pena uma pequena introdução. Uma licitação feita pelo governo federal para construção de estaleiros no País teve como um dos vencedores uma Empresa que deseja construir um deles na cidade de Fortaleza. O local escolhido foi a praia do Titanzinho, local conhecido na cidade pela adequação à prática do surf. Não se trata de um dos pontos turísticos da capital sendo mais explorado pelos habitantes da cidade e moradores da região. Embora sem infra-estrutura turística a praia é bem dentro da cidade.

O Governador do Estado, Cid Gomes, assumiu pessoalmente a causa pró-instalação, pois vê vários pontos positivos do empreendimento, em particular, a criação de empregos. Os que são contrários ao empreendimento argumentam que os impactos negativos, por exemplo, por questões ecológicas não justificam o entusiasmo do governador. O surpreendente é que os que contrários são, em maioria, membros da coligação que apóia o próprio Governador embora mais ligados à prefeita de Fortaleza. Cheguei a assistir um debate entre o líder do Governo na Assembléia(do PT) contra o líder da Prefeitura na Câmara Municipal (do PT). Foi exatamente esse debate e uma declaração do líder do governo, Nélson Martins, que disse que a questão do estaleiro não era ideológica, que me motivaram a escrever sobre o tema.

O contexto é bem complexo e compreendê-lo e analisá-lo não pode ser feito em poucas linhas. Não tenho conhecimento técnico nem todas as informações sobre o empreendimento, mas ao escutar os discursos de lá e de cá fui gradativamente tendo o sentimento que não era necessário tanta profundidade para tecer os comentários que seguem. Creio que o debate inteligente pode nos fazer mais fortes como sociedade. Infelizmente, não me parece ser isso que ocorre.

Vejo o imbróglio como emblemático da falta que nos faz uma ideologia. E aqui quero dizer que não me refiro à ideologia no sentido crítico e até pejorativo de instrumento de dominação e convencimento alienador da consciência humana. Refiro mais ao sentido neutro “de conjunto de ideias, de pensamento ou de visões de mundo de um indivíduo ou de um grupo, orientado para suas ações sociais e, principalmente, políticas” (segundo a Wikipedia).

As partes têm tentado vários argumentos para defender o ponto de vista. E nesse tocante cometem alguns absurdos. Primeiro. Decidiram escutar a comunidade que mora na região. E desde quando uma decisão dessa magnitude só afeta a comunidade que vive na região? O Governador chegou inclusive a dizer que se a comunidade não quisesse, ele desistia do empreendimento (só não disse como ele pensa em medir o sentimento da comunidade). O fato de freqüentar ou não o Titanzinho não desmerece a opinião de nenhum Fortalezense para uma questão desse porte.

Outra coisa que não aceito é quando começam a argumentar que os estudos técnicos vão decidir a instalação ou não do estaleiro. Balela. A não ser que o empreendimento fosse absurdamente degradante do meio ambiente (aliás, se assim o fosse, seria identificado e barrado nos órgãos técnicos que liberam alvarás para sua instalação). Os estudos técnicos só vão suportar um ou outro ponto de vista que se quer defender. A questão climática ambiental em escala global tem nos mostrado o quanto se pode encontrar estudos técnicos para suportar as mais diversas teorias.

Por fim, a politicagem entrou em cena. A Prefeita Luizianne Lins decidiu apresentar um projeto controverso (saído do forno, bem quentinho) para o local. O projeto transformaria o local, com praças e parques. O dinheiro para tal, ninguém sabe de onde vem, nem quando vem. A iniciativa serviu para acirrar os ânimos. A credibilidade de que o mesmo seja implementado é baixíssima. Isso fez então com que aqueles que já não pensam muito, pensassem menos ainda (ou passassem a pensar da forma pequena como muitas vezes o fazem) : “Se a Prefeita é contra, eu sou o favor”, “a prefeita nem faz, nem deixa fazer.

No centro do debate “Titanzinho” deve estar uma questão ideológica, sim: que tipo de desenvolvimento se quer para a cidade. A primeira coisa a se fazer é reconhecer que qualquer que seja a decisão, há prós e contras. Ideais são fundamentais para unir uma sociedade. Para passar uma mensagem de que se reconhece o que se perde, mas que se acredita no que se faz. Nada de visões simplificadoras e lineares de que se pode tudo prever, nem pelos melhores estudos técnicos. Por isso, digo que a ideologia é fundamental. De um lado, o argumento de que a oportunidade de trazer o desenvolvimento econômico, necessário à região, justifica os malefícios que por ventura podem trazer. De outro lado, o argumento de que embarcar no estaleiro (com o perdão do trocadilho) não é sustentável a longo prazo e é incoerente com uma visão voltada ao turismo e mesmo ao desenvolvimento econômico futuro. Um impasse bem representativo do mundo em que vivemos durante esses últimos cem anos.

Por fim, minha ideologia. Creio que já está na hora de agirmos concretamente na direção de outro tipo de desenvolvimento. Os impasses tipo Titanzinho marcam o fim de uma era de desenvolvimento: a era industrial. Chega de pensar que porque uma certa região é carente ela aceita qualquer tipo de desenvolvimento. Queria saber se o local mais adequado para fazer o estaleiro fosse o Porto das Dunas se alguém teria coragem de propor sua instalação lá. Chega de tripudiar da nossa enorme riqueza que é nossa orla marítima. Gerações futuras não esquecerão das decisões como a que estar a ser tomada. Ainda hoje não consigo entender como temos um IML(em expansão, aliás) e uma estação de tratamento de dejetos no belíssimo mirante da praia do Pirambu. São exemplos de intervenções estatais equivocadas que, se não mataram, dificultaram fortemente, a possibilidade de crescimento turístico da área. A conseqüência é a manutenção de uma condição econômica desfavorável para a população dos arredores. O impasse do estaleiro exige da sociedade fortalezense uma mensagem clara de que estamos conseguindo ver um futuro diferente. Digo-lhes, os investidores estrangeiros vão compreender a rejeição, pois seria o mesmo que ocorreria nos seus países de origem. Se não fizerem negócio agora, lembraram da cidade quando quiserem fazer um negócio em um local onde a sociedade sabe o futuro que quer.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Uma Desastrosa Política Ambiental

Enquanto o New York times anuncia a “vontade” do Governo Bush de continuar discutindo (e de fato continuar sem fazer nada), vale a pena observar alguns dados que Paul Krugman (articulista deste jornal) descreveu a partir da comissão de energia Americana (Energy Information Administration) sobre a emissão de dióxido de carbonos:
A emissão de CO2 em milhões de toneladas.

Periodo------------1980 1997 2005

Europe_______4672 4446 4675

EUA_________4748 5544 5957

China________1455 3969 5323

Lembrem-se que 1997 é o ano do protocolo de Kyoto. Krugman alerta que as gerações futuras não perdoarão os EUA pela política irresponsável que desenvolvem hoje. Vale a pena também observar que o crescimento econômico chinês é um enorme desastre. Vejam esses números no gráfico abaixo. Fica mais fácil de perceber como o crescimento está ocorrendo.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Franceses no Brasil

Estive semana passada no Rio de Janeiro participando de um workshop (nome em inglês para seminário) com pesquisadores sobre um dos temas de minhas pesquisas: simulações e negociações entre agentes de software. No entanto, não é do aspecto técnico que desejo falar nesse texto, mas de outro aspecto que me chamou fortemente atenção. Dentre os pesquisadores participantes do workshop (e outros que conheci em outras circunstâncias) havia quase uma dezena de franceses. Nada fora do normal, pois os franceses têm cientistas de gabarito nessa área de pesquisa. O que me surpreendeu, primeiramente, foi o fato de que todos falavam muito bem o português. Além disso, estavam morando no Brasil, já há algum tempo. A maioria trabalha em uma entidade chamada CIRAD (Centre de coopération International de Recherche em Agronomique pour le Dévelopment – Centro de Cooperação Internacional de Pesquisa em Agronomia para o Desenvolvimento). Trata-se de uma instituição criada para desenvolver projetos de pesquisa científica em regiões subdesenvolvidas e/ou em desenvolvimento em várias áreas de expertise ligadas a agronomia. No caso dos pesquisadores do workshop, eles eram ligados a área de meio ambiente. Pude conhecer trabalhos muito interessantes relativos a preservação ambiental seja na Floresta Amazônica, na floresta da Tijuca e mesmo de preservação da qualidade da água em bacias hidrográficas no Estado de São Paulo. Trata-se de um exemplo louvável de transferência tecnológica. Os pesquisadores franceses trazem suas experiências teóricas e, juntamente com pesquisadores brasileiros, vão literalmente a campo para a aplicação de modernas tecnologias investigadas nas Universidades e nos centros de pesquisa. Grande parte dos recursos vem da Comunidade Européia que oferece periodicamente propostas de financiamento a fundo perdido para equipes compostas de pesquisadores europeus com pesquisadores de países em desenvolvimento.