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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Valeu a Pena?


Vi-me refletindo sobre qual balanço deve fazer Cid Gomes após a aliança (dita) com Luizianne ter se desfeito. Uma aliança que inclusive o levou, cerca de um ano e meio atrás, a romper com Tasso Jereissati quando apoiou o Pimentel para o senado. Ao contrapor-se a Tasso tomou uma decisão que parece-me ter se fundamentado na crença de que a troca de conveniências que vivia era por demais valiosa. Mais valiosa do que afinidades de estilo, pensamento e forma de governar que pareciam existir. 

Para alguém que não vive na política como eu é difícil compreender a lógica seguida pelos que nela vivem.  É fácil repetir que a política é feita de coligações, partidos, alianças, sapos engolidos e blá, blá, blá. Mas tendo a achar que existe alguma ética de afinidades programáticas ou ideológica que devem ser perseguidas. Pelo menos era para ser assim. Não vem sendo o caso aqui no Estado.

Sempre ficou evidente que os governos estadual e municipal pensavam diferente em suas ideias mais determinantes (e.g. estaleiro no titanzinho).  Na verdade, PT e PSB pós Ferreira Gomes também deram várias mostras que pensavam diferente. Bem, se Cid considera que valeu a pena ou não, não cabe a mim dizer e nem é de fato muito relevante. A questão mais relevante refere-se ao balanço que nós cidadãos fizemos desse tempo de aliança. Ela nos foi positiva ?

Não consigo achar indicações que sim. Não vi o surgimento de políticas integradas, muito pelo contrário (e.g. buracos nas ruas). Não vi plano integrado por prevenção em Segurança Pública, coisa que considero fundamental para o combate á violência e nem vi ações políticas articuladas pela bancada em prol do Estado. A aliança teve ainda o deletério efeito de sufocar as opiniões contraditórias. Implantou-se um pacto do silêncio que só era quebrado pelas tuitadas de alguns em razões e momentos muito pouco claros.  

O que espero é que não escutemos novamente, nas próximas eleições, as promessas de que vamos trabalhar em sintonia com Estado e União porque somos aliados. Os acordos de conveniência tem feito como que esse discurso fique cada vez mais desagastado.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Fortaleza Salva pela Oposição ... de Luizianne

O episódio do estaleiro em Fortaleza é emblemático do quão pobre é nossa política. Fica claro que a maioria de nossos representantes não se pauta por nenhum ideal. Não há debates de idéias. Já tinha comentado que ao meu ver a questão do estaleiro deveria ser vista por um ponto de vista ideológico. Os parlamentares decidiram se posicionar somente em função de suas conveniências políticas.

A exceção à essa regra foi a Prefeita Luizianne Lins. Mostrou-se aguerrida e combativa como deve ser uma boa parlamentar de oposição. Eu já tinha escrito que achava que o Governador Cid Gomes tinha conseguido ressuscitar Luizianne. Antes do evento “estaleiro” Luizianne estava se afogando num mar de críticas ante sua inaptidão para administrar os problemas da cidade e propor soluções para os mesmos. O estaleiro a acordou e a levou a fazer o que faz de melhor: oposição. Fez oposição a Lula e a Cid. Demonstrou que quando se tem um ideal (não discuto o mérito) cria-se força para espernear. Quando não se tem, vive-se só fofoca politiqueira.

Agora, não esperem que a Prefeita venha propor e desenvolver alguma alternativa ao estaleiro para o Titanzinho. Teve tempo de sobra para fazê-lo e não fez. Não consegue nem fazer o que tinha prometido em campanha (vide Hospital da Mulher), quanto mais o que aparece repentinamente. Que sirva de exemplo a quem quer fazer oposição, ou melhor, a quem quer fazer política de uma forma geral: tenha uma ideia e lute por ela. Detalhe: mantenha (ou pelo menos tente manter) a coerência.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Sem “Diretas Já”, “Fora Collor”, “Fora FMI” ou “Fora FHC” sobra “Fora Bill Gates”

Uma reflexão adjacente à questão do software livre que fiz anteriormente veio-me após uma pequena conversa anedótica com Prof. Riverson Rios logo antes da audiência pública sobre software livre na Assembléia Legislativa do Estado do Ceará. O movimento estudantil, em particular dentro das universidades, sempre foi afeito à contestação, à crítica, ao embate por uma causa, ao esquerdismo, etc. Lá, é comum se eleger os inimigos públicos número um de diversas gerações. No Brasil recente, depois da ditadura, o combate pelas eleições diretas, o pedido de impeachment do Presidente Collor, a solicitação de moratória ao FMI e mesmo o fora FHC são exemplos de bandeiras investidas pelos jovens universitários mais ativistas. Quem é o vilão atual? Estariam nossos jovens universitários, hoje em dia, sem esse tipo de referencial ? Não há nenhuma ideologia que mereça uma boa luta? A entrada de Lula e do PT no poder, deixou os jovens universitários órfãos de inimigos (pelo menos no campo político), coisa que os jovens informáticos parecem não se ressentir. Bill Gates, com sua Microsoft, encarna o papel do grande vilão perfeitamente. Ela acumula capital em função de direitos autorais com licenças de uso de softwares, em particular do sistema operacional Windows. Há aqui todos os ingredientes de uma boa briga, visto que a Microsoft é um Golias e tanto: superpoderoso, dominador, rico e ainda por cima, americano (de quebra bate-se no Bush!). Mas ainda acho que há uma lacuna de ideais políticos que necessita ser preenchida. Difícil prever ou programar um que se torne esse foco, mas que eu acho que seria muito bom para o País se o combate a falta de ética ganhasse esse espaço. Será que isso pode acontecer de alguma forma caótica e descentralizada ou precisamos de uma liderança que lidere e capitalize o processo? Boa pergunta para futuras reflexões, mas vale a pena ter atenção para as recentes invasões de reitorias por estudantes como na UNICAMP, USP e mais recentemente UNB. Seria um indicativo de que uma nova bandeira está sendo hasteada?