Ao ler que Neymar tinha estranhado as vaias que levou no jogo da Seleção contra a África do Sul, percebi que o garoto e seus assessores não compreenderam ainda o que se passa com sua imagem. Mano Menezes então, esse é que não entendeu mesmo ao decidir substituí-lo no último minuto de jogo.
Já escrevi aqui mesmo nesse blog sobre o quanto acho arriscada a estratégia que o Santos encontrou para mantê-lo no Brasil e na equipe. Fatiaram cada minuto que ele tem extracampo para uma infinidade de marcas que buscam, muitas vezes sem muita noção, explorar a imagem de um preposto “gênio”.
O risco dessa estratégia é que qualquer pessoa, seja um verdadeiro gênio ou não, enquanto celebridade exposta tem um tempo de ascensão que vem logo precedido de queda. Há um natural desgaste na imagem e que pode ter consequências muito negativas não só à imagem, mas que pode afetar o futebol do garoto. Isso acontecendo, confirmar-se-á o que diz a sabedoria popular, além da queda, o coice.
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terça-feira, 11 de setembro de 2012
Neymar e as vaias “estranhas”
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terça-feira, 5 de junho de 2012
Neymar e a Época de Celebridades Efêmeras
Não vou aqui desenvolver nenhum argumento técnico com o intuito
de avaliar quem é o melhor. Sinto-me motivado, no entanto, a refletir sobre
esse desejo de alguns de realizar tal comparação e, principalmente, sobre a
forma como a marca Neymar está sendo construída.
Neymar é hoje celebridade no Brasil. A forma encontrada pelo
Santos de mantê-lo no País foi a de reparti-lo entre diversos patrocinadores, o
que lhe exige em contrapartida uma exposição midiática intensa. Jovem e com
talento evidente, ele passou a ser celebridade, fenômeno, mito, prodígio além
de os outros superlativos que normalmente são aplicados a alguém que se
diferencia em sua área de atuação.
A grande diferença de Neymar para os outros, e aqui vale a
comparação não somente com Messi, mas com outros grandes craques do passado, é
que ele atingiu esse nível de notoriedade no Brasil antes de ter sua obra
completa ou pelo menos realizada com algum impacto internacional. Muitos têm
tentado torna-lo estrela internacional baseados somente pelo seu potencial. Mas o mundo não engole essa. A
imprensa mundial analisa com frieza os jogos internacionais de Neymar e não
consegue se entusiasmar como os colegas brasileiros conseguem.
Creio que Neymar é um exemplo dos nossos dias em que
celebridades têm ascensão meteórica, muitas vezes sem terem nem mesmo muito
portfólio. Caem na mesma velocidade como que sobem, pois o que a mídia precisa
mais do que cultivar um ídolo é ter notícias de sucesso e de fracasso dele. É
exatamente esse o receio que tenho do que possa vir a ocorrer com o garoto.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Ganso e Neymar
Estive este fim de semana em São Paulo e aproveitei a oportunidade para ir ao Morumbi assistir Santos e São Paulo. Não torço por nenhum dos dois times, mas tive vontade de ir. Achei que veria um bom futebol, principalmente, porque queria ver Ganso e Neymar jogando.
Não me arrependi. Não que o jogo tenha sido lá essas coisas, mas a impressão de que os dois jovens me deixaram foi a melhor possível. Merecem a atenção midiática que vêm recebendo.
Neymar é irritante: para os adversários. Tinhoso, rápido, objetivo e chato. Muito chato. A despeito de cair a todo momento, muitas vezes sem nenhuma razão, ele é muito diferente dos outros jogadores. Possui uma habilidade sem igual e é perigosíssimo ao gol adversário. Agora, em matéria de diferença, Ganso é campeão. Joga super simples. Passa com uma maestria, incrível. E anda em campo. Isso mesmo, anda. Mas é rápido. Demonstra com a pouca idade que tem de que aprendeu, provavelmente por intuição, de que correr com a bola não é sinônimo de rapidez. Sabe que por mais que corra, a bola sempre será mais rápida.
Lembrei-me do querido Prof. Roberto Bastos, ainda hoje companheiro de racha no Náutico, meu primeiro técnico de basquete. Costumava fazer um exercício técnico conosco, garotos de 12 anos de idade, que tinha o objetivo de dar-nos agilidade, mas também mostrar-nos o quanto a bola era veloz. Os jovens adoram correr com a bola (no caso do basquete, picando. No futebol, com a bola no pé). Não bastava Roberto dizer-nos que a velocidade da bola deveria ser maior se corresse de mão em mão. Precisava mostrar-nos. Punha-nos no final da quadra e fazia-nos apostar uma corrida contra a bola. Ele jogava a mesma rasteirinha pelo chão e, nós, disparávamos atrás dela. Aos mais fominhas, ele sempre dava uma forcinha maior. Por mais que o cara fosse rápido, nunca vi um que ganhasse essa corrida, quando Roberto não queria.
Se Ganso fez exercício similar, não sei. Mas aprendeu bem a lição. O toque na bola refinado, esse não creio que se aprenda. É nato. O gol que fez, o segundo do jogo, foi um exemplo do que digo. Um jogador normal teria fechado os olhos e enchido o pé. Ele tocou com o lado de dentro do pé, sem muita força, entre Rogério e Miranda. Pegou os dois no contrapé. Ficaram inertes.
No mais, a ida ao Morumbi foi-me também nostálgica. A última vez tinha sido num Santos e Corinthias muito sem graça há cerca de sei lá quanto tempo (melhor nem me esforçar). Havia esquecido de como o acesso ao estádio é caótico, mas isso é assunto para outro texto.
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