Siga-me no Twitter em @vascofurtado
Mostrando postagens com marcador modelagem de crimes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador modelagem de crimes. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Preservação do Local de Crime


Ao assistir o Governador Cid Gomes falar hoje a noite na televisão sobre a necessidade de se preservar a cena de crimes para que o processo de investigação criminal ocorra a contento, motivei-me a escrever um pouco sobre o tema. Me angustia escutar autoridades falarem recorrente desse problema e demonstrarmos tão pouca capacidade para resolvê-lo. A incapacidade de atuarmos efetivamente nessa questão é preocupante. Aqui as soluções para problemas, que parecem simples, não podem ser alcançadas sem ações integradas e coordenadas.  Para os que não são da área, deixem-me fazer uma pequena introdução à questão.

O trabalho de investigação criminal começa no momento em que a autoridade policial é comunicada do crime. Uma das etapas primordiais desse processo é a visita do delegado que, acompanhado do perito forense, deve dirigir-se ao local do crime para iniciar a coleta de evidencias, provas e/ou indícios  que auxiliem na elucidação do fato. Daí a importância da preservação do local do crime para que vestígios que podem ser elucidativos não sejam perdidos. É preciso compreender ainda que na maioria das ocorrências criminais o primeiro a chegar é um policial militar e não o delegado, nem muito menos o perito.

Os problemas para se conseguir manter o local do crime preservado começam exatamente por ser uma questão que envolve diferentes atores da área de segurança. O policial militar deve ao chegar na cena, isolá-la e bloquear radicalmente o acesso de qualquer pessoa ao  local. Para começar, o próprio policial militar não deve tocar em nada. Remexer o bolso de um cadáver, verificar seu relógio, buscar a carteira de identidade, etc., nada disso é responsabilidade da PM. Esse isolamento deve acontecer até a chegada ao local do delegado e do perito (que pode ser um perito do Instituto de Criminalística, de Identificação ou do Instituto Médico Legal).  

Isso não é de forma alguma o que ocorre hoje e não é simplesmente por falta de treinamento dos policiais. A falha de treinamento é sim, uma das razões elementares, mas isso não é tudo. Os delegados de distrito raramente vão ao local de crime. Não porque não querem, mas não podem. Devem ficar na delegacia para atender os cidadãos que lá chegam para realizar queixas ou para cuidar das cadeias superlotadas. Os peritos criminais, por outro lado, por serem em número reduzido, chegam aos locais de crimes muitas horas depois do fato ocorrido. Segurar a imprensa, por exemplo, durante todo esse tempo não é fácil. Ainda por cima, a patrulha que deveria estar na rua fazendo policiamento preventivo, fica parada no local de crimes por horas. Ou seja, deficiências em cascata, fazem com que o próprio sistema contribua para o estrangulamento.

Há dez anos atrás, quando ainda estava na Secretaria de Segurança, presenciei toda essa problemática. Na época o Secretário de Segurança de então, Gen. Vargas de Freire, baixou uma portaria regulando o acesso aos locais de crimes. Comprou-se material para isolar as cenas de crimes, fez-se treinamento de pessoal, orientou-se os delegados e peritos (novos haviam sido contratados), enfim, tentou-se envolver todos. Tudo indica que aquilo não foi suficiente. Estaremos sempre a reviver os mesmos problemas?

terça-feira, 30 de março de 2010

Novidades em WikiCrimes



Não é só WikiMapps que apresenta novidades, WikiCrimes também tem novas funções. Uma nova versão já está no ar e com ela é possível explorar características sociais. Fica mais fácil para os usuários compartilhar informações sobre áreas perigosas com outras pessoas. Ao entrar no sistema, o usuário agora vai ver imediatamente o mapa de manchas que representa o locais com mais registros de crimes. Na verdade, essas manchas não indicam somente a quantidade de crimes mas uma densidade relativa à área de visualização. Essa densidade é calculada por um método de Kernel que, em linhas gerais, que áreas no mapa apresentam uma maior concentração de crimes. A visão dos alfinetes que indicam crimes específicos marcados na mapa é obtida automaticamente quando o usuário escolhe aproximações (zoom) da área de visualização até se ver o nome das ruas.
As manchas perigosas vistas no mapa podem ser editadas pelos usuários. Pode-se, por exemplo, enviar uma mensagem de alerta aos seguidores do twitter ou amigos do facebook. Nesse caso, um link é enviado como conteúdo da mensagem que, quando acessado, revela a área escolhida do local do alerta com uma breve estatística da criminalidade no local. Além de enviar uma mensagem de alerta, pode-se editar a área para mudar seu tamanho e contornos. Outra novidade é que cada usuário pode dar um nome a uma área identificada como perigosa pelo sistema. Nossa idéia é capturar os diferentes significados e batismos que aquela área pode ter para as pessoas. É uma forma de “taggear” (dar-lhes rótulos) o que pode ser útil na identificação de interesses comuns.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Courrier International

Nessa semana em que a mídia foi a prioridade desse blog, vou aproveitar para falar desse jornal semanal francês que é um dos meus preferidos. Courrier International (Correio Internacional) é uma compilação do que de mais importante (sob a visão dos editores do jornal) acontece no mundo. O jornal divide basicamente suas matérias por continente. Um das seções mais divertidas é a que faz compilações de notícias veiculadas em jornais britânicos. Incrível como sempre são publicadas matérias críticas, satíricas e as vezes sádicas contra os franceses. Mostra bem o quanto os ingleses gostam de nutrir uma rivalidade bem irônica contra àqueles que já foram inimigos de cem anos. Tinha a assinatura do mesmo quando morava na França e continuo acompanhando suas matérias, agora, pela web. Mas esse texto não vem somente com o propósito de informar sobre o Jornal. Nessa semana ele abriu espaço para falar de algo que considerou inédito: WikiCrimes. Vejam a foto da matéria abaixo (se quiser expandir a figura, basta clicar na mesma) e explorem a matéria ao clicar aqui.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Dahlem Konferenzen – Éticas em Modelos

Na Dahlem Konferenzen, como já mencionei, participei dos grupos de modelagem de crime com criminologistas, sociólogos, matemáticos e físicos. Mas outros grupos também discutiram a modelagem matemática das interações sociais. Obviamente, a Economia é uma das áreas que historicamente vem fazendo isso. E por essa razão um dos aspectos mais largamente debatidos foi à necessidade de uma ética na manipulação de modelos econômicos. Os economistas argumentaram que modelos matemáticos em economia vêm exercendo um papel de mais e mais relevante no mundo. Isso fez com que modelos fossem sendo usados sem que se tivesse a perfeita dimensão das conseqüências e limitações que eles contêm. A crise atual foi para muitos um exemplo de como havia um gap nas teorias econômicas e a prática e, por isso mesmo, é um momento fantástico para se rever o que se está fazendo. Percebi que mesmos os pesquisadores da área estavam espantados com o fato de que nenhum modelo econômico tinha previsto o que ocorreu e nem sabe como proceder diante da situação. A conclusão deles é que, primeiro, crises são parte da dinâmica do sistema, como conviver com elas deve ser previsto, pois sabe-se que elas vão acontecer. Depois, há que existir uma ética na criação dos modelos de forma que se possa sempre ter a perfeita conseqüência dos limites dos mesmos e das implicações se estiverem incorretos. Essas preocupações já passaram a fazer parte dos outros grupos mesmo daqueles onde o tema é embrionário como é o caso da modelagem matemática das relações sociais que levam à criminalidade. Quiçá essas preocupações passem, em breve, a estar na pauta de minhas pesquisas.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Dahlem Konferenzen – Representantes

Só agora que acabou tive tempo de organizar as idéias discutidas em Berlim na Dahlem conferência. Vou começar falando da diversidade de pesquisadores presentes no grupo que foi, pelo meu ponto de vista, um dos fatores mais positivos da reunião. Sem querer entrar muito em detalhe, nós pesquisadores estudamos e discutimos sobre como é possível definir modelos matemáticos (aqui inseridos os modelos computacionais) para representar aspectos da vida em sociedade. O objetivo foi o de definir uma agenda com temas e questões de pesquisas que sejam direcionadores das pesquisas a médio prazo no tema. Éramos 40 pesquisadores de diversas partes do mundo representando áreas diversas como Economia, Sociologia, Criminologia, Física, Matemática e Computação. A representação por nacionalidade dos pesquisadores era a seguinte Alemanha 12, EUA 8, França 5, Reino Unido 4, Dinamarca 2, Suiça 1, Suécia 2, Holanda 2, Austrália 1, Brasil 1, Romênia 1, Itália 1. Vejam que do hemisfério sul somente um australiano e eu fomos convidados. O convite foi formulado pelo conselho da Dahlem Konferenzen, formado por professores da Universidade de Berlim e pelos organizadores e moderadores escolhidos para discutir o tema. A escolha foi baseadas no currículo dos pesquisadores e, principalmente, nas publicações científicas realizadas no tema em questão. Minha participação deveu-se as publicações realizadas no contexto de simulações de crime. WikiCrimes ajudou ainda a tornar-me, digamos, “mais popular”. Aliás, durante a conferência fui convidado a dar uma entrevista, juntamente com um colega holandês, para uma rádio alemã em um programa que fala sobre ciência. Dois aspectos merecem menção. Primeiro, ressalte-se que crime é notícia até em países com índices baixíssimos de criminalidade. Dentre os assuntos discutidos, a rádio escolheu exatamente dois representantes desse tema. Mesmo a crise econômica não teve tanta prioridade. Segundo, o jornalista que me entrevistou era um alemão que tinha doutorado em matemática e possuía um conhecimento profundo em simulações. Foi uma das entrevistas mais desafiadoras que pude dar. Ele me fez uma sabatina, sempre buscando ir além do que eu respondia. Bem diferente da maioria das entrevistas que dou no Brasil onde muitos jornalistas nem mesmo escutam o que estou a dizer (ou se tentam, não conseguem entender). Vou ver se consigo o áudio da entrevista para disponibilizá-la aqui. Falei em inglês, mas será traduzida para o Alemão. Vamos ver como vai ficar.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Dahlem Konferenzen

O novo milênio é caracterizado pela crescente globalização e maior especialização científica. A complexidade crescente das exigências enfrentadas pelas pesquisas exige cada vez mais forte cooperação para além das fronteiras dos campos de investigação e de países. Com as oficinas da Dahlem Konferenzen, a Universidade Livre de Berlim (Berlin Freie Universität) proporciona um fórum para os pesquisadores altamente qualificados participarem de um diálogo internacional e interdisciplinar para enfrentar os desafios científicos do futuro.

A conferência, que é dividida em oficinas, foi iniciada em 1974 para fomentar a criatividade científica, o intercâmbio de informações e de idéias entre diversas áreas, bem como o desenvolvimento de novas teses sobre a base de estudados bem fundados. Ao mesmo tempo, as oficinas são destinadas a incentivar os investigadores a conceber futuras agendas de investigação. A metodologia de trabalho se baseia na avaliação do estado da arte e na produção de 16 documentos de trabalho preparados para um seminário final. Todo ano 40 estudiosos são convidados a discutir os temas do seminário com o objetivo de identificar as lacunas em matéria de investigações científicas, encontrar possibilidades de convergência em questões polêmicas, e influenciar a orientação de futuras investigações. Este ano a Dahlem Konferenzen tem o tema conduzido pela pergunta “Is there a Mathematics in Social Entities ? ” (Há uma matemática nas entidades sociais?). Grupos de trabalhos vão estudar a questão sob quatro diferentes perspectivas: modelagem do mercado de moedas, modelagem de regiões inovadoras e modelagem de crimes. O quarto grupo estudará uma questão ortogonal aos outros três temas onde a idéia de modelos, metáforas e visualização serão discutidas.

Estou introduzindo a Dahlem Konferenzen para dizer que, esse ano, terei a grande honra de participar da mesma. Fui convidado pela Universidade Livre de Berlim para ser um desses 40 pesquisadores que vão compor o grupo de altos estudos e participar das oficinas e da conferência. No meu caso, em particular, me concentrarei na questão da modelagem de crimes. Estarei de Agosto a Dezembro participando de estudos e discussões que ocorrerão pela internet e em dezembro irei à Alemanha para a reunião final. O convite é uma distinção importante e que me lisonjeia sobremaneira. Trata-se de um reconhecimento pelos trabalhos que venho desenvolvendo na área de computação com aplicações na segurança pública. Nesse momento de júbilo não posso deixar de agradecer a todos que formam a equipe da célula de engenharia de conhecimento. De alunos da graduação, mestrado e doutorado até os colegas professores com quem colaboro, todos têm contribuído e queria compartilhar com eles essa realização. Obrigado!