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terça-feira, 10 de março de 2009
Nunca na História Desse País...
Há quase um ano atrás, esse havia sido o título de um texto nesse blog (acesse-o aqui). Nele eu falava do quanto o setor de Ciência e Tecnologia brasileiro estava sendo inundado de dinheiro. Acreditava (e ainda acredito) que isso nunca havia acontecido. Meu objetivo aqui, infelizmente, não é tão positivo. Não posso deixar de refletir sobre o quanto a política brasileira chegou a níveis insuportáveis de nojeira. Sarney, Calheiros, Temer e agora Collor, tudo isso com o endosso do governo, é decididamente, de fazer nojo. Não há dúvida que Lula é um fenômeno eleitoral e que sua pessoa estará para a história desse País. Agora, não tenho dúvidas de que a contribuição para enlamear mais ainda o Congresso Nacional de seu governo, do PT e de tantos outros “esquerdistas” que buscavam se distanciar da pasmaceira que era a política brasileira (ou pelo menos diziam isso) é também inédita. O governo Lula e o PT conseguiram gerar um sentimento cada vez mais forte de que os políticos e a política brasileira são decididamente sem saída. A capitulação deles ao PMDB e aliados é um marco no País. Aqueles que se diziam guardiões da moralidade se tornaram os guardiões dos vilões. Teremos força para reverter isso? Não sei. O cidadão comum tem a sua disposição todos os argumentos que precisa para racionalizar toda e qualquer atitude não compromissada com os governos e com a sociedade. Nossa classe política é capaz de ser usada como argumento para perdoar todos os pecados. Lembro que uma das características marcantes dos golpes de Estado e tomada de poder por vias antidemocráticas é a fraqueza inconteste das instituições representativas da vontade popular. A postura de Lula face a tudo isso, me parece ainda mais simbólica. Vem-me a tona a dúvida sobre o quanto isso parece motivar sentimentos autocráticos (a la Chavez). Afinal de contas, no Brasil de hoje, estaríamos mais próximos de um golpe de estado de direita ou de um golpe branco que promovesse a permanência de Lula? Talvez esteja exagerando, mas a desilusão com a política faz-me realmente ver (o que espero ser somente) fantasmas.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Google, Pedofilia e O Congresso Brasileiro
A decisão da Google de permitir ao Congresso Nacional o acesso aos dossiers fechados de usuários do Orkut para fins de investigação da CPI da pedofilia é histórica e emblemática. A decisão da Google não deve ter sido fácil de tomar. De um lado a intenção de zelar por uma imagem de bom moço que lhe é tão cara além da louvável intenção de auxiliar a combater um flagelo que se espalha pelas redes sociais. De outro lado a garantia da manutenção da privacidade de seus usuários. Se insistisse em não liberar os dados, talvez tivesse conseguido. Os dados estão armazenados nos EUA e não creio que a justiça brasileira tivesse mecanismos para forçar a Empresa a fornecê-los (pelo menos na intempestividade necessária). É importantíssimo que os congressistas brasileiros que fazem parte da CPI tenham a responsabilidade de realizar as análises investigativas mantendo totalmente a privacidade dos usuários. Qualquer exposição indevida da imagem de algum deles pode fazer um estrago imenso na imagem da Empresa e, principalmente, na luta contra a pedofilia. Isso geraria um precedente de desgaste que certamente levaria a difuldades futuras de cooperação. Lá estamos nós de novo esperando uma atitude digna de nosso Congresso. Cruzemos os dedos!
quinta-feira, 15 de maio de 2008
WikiCrimes na InfoBrasil
Nessa semana WikiCrimes está sendo demonstrado na InfoBrasil (veja a programação do evento aqui) que está ocorrendo no SEBRAE durante todo o dia até às 19:00hs. A coordenação do evento gentilmente nos cedeu um pequeno (mas largamente suficiente) espaço para nos instalarmos. Está sendo uma ótima oportunidade de divulgarmos o projeto e o “corpo a corpo” com as pessoas que conhecem o sistema pela primeira vez é muito enriquecedor. Percebo que não é fácil entender de pronto os objetivos do projeto. Algumas pessoas, a primeira vista, têm uma reação de desinteresse. Quando começam a perceber tudo que pode se obter com o projeto, logo mudam de postura e se declaram fãs da idéia. De uma forma geral, são levados ao entusiasmo quando percebem que podem ter diversos serviços de consulta de onde pode estar ocorrendo crime e com isso se precaver. Além disso, quando percebem o que podem obter, fica mais fácil mostrar que se não houver participação, nada daquilo será viável. Hoje (quinta-feira, dia 15) Leonardo Ayres e eu estaremos dando uma palestra sobre WikiCrimes no congresso tecnológico-científico. O grupo de engenharia de conhecimento que coordeno estará ainda representado hoje de manhã por Thiago Assunção, recém entrante aluno de mestrado na UNIFOR, que apresentará um artigo que foi basicamente seu trabalho de final de curso de graduação. Neste trabalho, investigamos métodos eficientes de particionamento de grafos para serem aplicados na demarcação de áreas de policiamento. Quem tiver interesse em conhecer mais sobre outros projetos do grupo que coordeno na UNIFOR, clique aqui.
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quinta-feira, 20 de setembro de 2007
(Des)Controle Social e a Resistência de Renan Calheiros no Senado
Ao convivermos em um ambiente limpo com pessoas que zelam pela limpeza relutamos em jogar lixo no chão. Trata-sede um exemplo simples de controle social. As pessoas ficam inibidas a realizar ações que serão reprovadas pelos outros. Somos naturalmente controlados por uma necessidade de sermos reconhecidos e aceitos dentro de uma sociedade ou mesmo por termos medo da reprovação dos outros. Esse fenômeno social regula o comportamento das pessoas em grupos, sejam pequenas comunidades como um clube social, sejam em cidades ou mesmo um País. Esses grupos criam regras implícitas de comportamento que servem de balizadores a seus integrantes. Tenho já escrito sobre o quanto a nossa lógica de controle social está deturpada por uma corrosão de nossos valores morais e sociais. As pessoas não têm vergonha de dizer que se beneficiam de situações ilegais. É normal admitir que se sonega, que se corrompe(e que corrompe), que os fins justificam os meios, etc. Demonstra esperteza. Otário é quem não faz. O “reconhecimento” dos outros (ou pelo menos a não reprovação) permite a realização de ações que normalmente deveriam ser reprovadas, mas, que por serem feitas por todos, acabam não sendo. Ou seja, reina o descontrole social. Nossos políticos são um exemplo clássico disso. Tomemos o caso Renan Calheiros. Porque é tão difícil repreende-lo? Porque os políticos não se sentem pressionados pelo controle social do congresso (que deveria existir) e principalmente da sociedade em geral? Simples. Calheiros fez e faz algo que grande parte dos membros do congresso faz e que não se sente confortável em repreender. Seria aceitar que, ao repreendê-lo, se estaria repreendendo a si mesmo. Por outro lado, eles sabem que a sociedade, mesmo indignada não consegue articular-se consistentemente com ações punitivas e de controle social. Na verdade, há mesmo uma cultura passiva de aceitar que todos os políticos roubam (o livro a cabeça do brasileiro jogou uma luz sobre essa questão). Por isso, queria repetir o que já tenho dito. Mudar essa realidade consiste em mudar toda uma cultura nefasta de “jeitinho” e de passividade que se alojou em nossa sociedade. O poder público tem um papel fundamental na instituição de um processo educativo que permeie o cotidiano dos cidadãos. Não se trata somente de educação escolar, mas a educação dentro de uma cultura de respeito, compreensão do comunitário, de respeito aos direitos e deveres, etc. Isto tem que estar como prioridade em qualquer plano de governo. Deve ser transversal ao programa de governo. A implantação de uma política desta natureza potencializaria todas as outras medidas que se quisesse implantar.
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