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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Quem Merece Estar na Elite do Futebol Brasileiro?

Essa semana, ao ler a notícia que a equipe de futebol de Americana estreou na série B com um público de 54 torcedores pagantes, vi-me impelido a escrever sobre algo que já vinha pensando há algum tempo.

Primeiro, vale esclarecer para os menos aficionados que o time de Americana é o sucessor do Guaratinguetá. Como este último havia sido penalizado pela CBF, o primeiro jogo do Americana teve que ser fora de casa, em Sorocaba, o que certamente contribuiu para um público tão pequeno.

Agora, não acredito que a torcida de Americana seja assim tão grande e atuante  e que sua média de público será muito diferente da deste primeiro jogo. Esse cenário já é conhecido. São Caetano, Santo André e Duque de Caxias são outros exemplos de equipes que estão sempre entre os melhores times de futebol, série A e B confundidas, mas que não possuem uma torcida representativa.

Não vou nem assumir que a prefeitura dessas cidades, de alguma forma, usa dinheiro publico para apoiar esses times. Acho isso um absurdo como já deixei claro neste blog aqui. O prefeito de Americana, quando do lançamento do time da cidade disse que prefeitura “não iria ajudar com recursos financeiros, mas no que for preciso para buscar isso, seja com empresas na cidade”. Não sei o quanto isso se verifica atualmente, mas o fato é que é impossível deixar de pensar em times como Paysandu, Santa Cruz, Fortaleza, ABC e tantos outros que levam centenas de milhares de torcedores aos estádios.

Vem-me a cabeça naturalmente a pergunta: este modelo de escolha dos times que ficarão entre os melhores do Brasil está correto? Uma pergunta que pode não ser lá muito politicamente correta. Afinal, qual critério pode ser mais justo do que a vitória em campo? Se os times de grande torcida não conseguem vencer os de pouca, paciência. Que prevaleça o melhor em campo. Simples, não?

Não acho que seja assim tão simples. Não podemos ser inocentes e não constatar que essa configuração de equipes que participam da elite do futebol brasileiro reproduz a disparidade econômica existente no País. As regiões mais ricas do País tendem a possuir mais representantes. Isso é bom? Será que o tamanho da torcida e a representação nacional não mereceriam mais importância? Não digo isso com o intuito de promover protecionismo, nem reserva de mercado para um ou outro time, só acho que essas características poderiam ser levadas em conta nem que fosse para repartição de cotas de transmissão.

Não tenho resposta para minha própria indagação. Mas volto a mencionar o modelo da NBA que acho muito interessante. Lá os times que são os mais fracos de uma temporada têm a prioridade de escolher os melhores jogadores universitários. A representativa das equipes no País é fundamental até porque lá, os times disputam campeonatos por região geográfica (leste e oeste, por exemplo). Isso faz com que o campeonato seja sempre muito competitivo e uma equipe que foi a última em um ano pode ser a primeira no outro.

terça-feira, 17 de julho de 2007

“Y se sabe, Brasil es Brasil, tenga los nombres que tenga” e “Que Vença a Argentina!”

Ao ler as duas frases que fazem o título deste texto me motivei a refletir um pouco sobre o jogo Brasil e Argentina de Domingo. A primeira frase, que está em castelhano, li no site do jornal argentino El Clarin (ela diz basicamente que “é sabido que Brasil é Brasil qualquer que sejam os jogadores”). A outra frase foi escrita no blog de esporte do Jornal O Povo um dia antes do jogo. Primeiramente, tenho que dizer que minha admiração pelo futebol é acima de tudo uma admiração pelo esporte. Não me canso de observar como ele pode nos surpreender, pregando-nos peças incríveis. Evidentemente que sendo brasileiro este sentimento de admiração pelo esporte logo transborda para sentimentos de prazer e orgulho (não há como negar a virtude de nossos futebolistas desde a criação do esporte). Em um texto passado refleti sobre a noção de patriotismo brasileiro e o amor ao futebol (clique aqui para acessar). Algo que a grande maioria dos brasileiros não consegue dissociar. No entanto, não quero entrar nesta seara aqui. O jogo de domingo e a reação de parte da imprensa me levou a refletir o quanto este esporte consegue pregar peças nos jornalistas também. Boa parte da imprensa tentou ressuscitar o debate jogo bonito e perdedor versus jogo feio e vencedor. Exemplar disso foram os jornalistas cearenses do jornal O Povo que assinaram em grupo um texto que argumentava que “para o bem do futebol a Argentina deveria ganhar”. Acho que o jogo (e não só o resultado) pregou uma peça nesta parte da imprensa. O debate jogo feio versus jogo bonito foi por água a baixo. Não se pode dizer que o Brasil jogou feio. Um time equilibrado taticamente, compacto, com disposição defensiva e realizando contra ataques pontiagudos (normalmente com "um-dois" que era até então o estilo argentino de jogar). O golaço de Julio Baptista já foi motivo de embelezamento do jogo independente de qualquer coisa. Sobre a frase "que vença a Argentina”, quanta infelicidade! Não porque ache que é antipatriótico dizer isso, mas acho que não cabe a jornalista tomar partido em uma disputa deste nível e, ainda por cima, sob o prepotente argumento de que isso é para o bem do futebol. O futebol é o que é, justamente porque é sem lógica, sem nexo, surpreendente. De certo não temos uma seleção que possa ser considerada favorita em qualquer competição que participe. Nem se pode dizer, depois que o time ganhou, que todos são craques. Mas como os argentinos do El Clarin disseram com sabedoria, a seleção brasileira é reconhecidamente forte quaisquer que sejam os jogadores convocados. A seleção é cheia de deficiências e está longe de ser um time dos nossos sonhos. Reconhecer as limitações foi a grande virtude da comissão técnica e da equipe. Isso permitiu a realização de um plano de jogo bem delineado e que levou a um futebol, senão vistoso e envolvente, mas objetivo e vencedor. Querer insistir no debate Feio vs Bonito e de que a equipe deveria ter perdido para mostrar os podres da CBF, etc. simplesmente não é pertinente.