Siga-me no Twitter em @vascofurtado
Mostrando postagens com marcador small world. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador small world. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 4 de março de 2008
The Social Atom
Minha mais recente leitura foi The Social Atom (O Átomo Social) do físico e editor da conceituada Nature, Mark Buchanan. Já tinha lido Nexus do mesmo autor e pude ver em The Social Atom muitos dos conceitos anteriormente discutidos. No entanto, neste seu novo livro, Buchanan centra seus argumentos na necessidade de se prover as ciências sociais de um ferramental mais formal. Mas, ao invés de buscar levantar o cansado debate humanas vs exatas, ele apresenta uma série de argumentos para mostrar que há um quadro conceitual comum às duas áreas e que está sendo configurado em grande parte com o recurso das simulações computadorizadas. Para começar, ele ataca a suposição da racionalidade que tanto esteve presente nas ciências sociais recentemente. Defende que o ser humano não é racional calculista, mas de fato um “jogador” que vai se virando a cada momento. Usa uma série de estudos sobre a evolução da espécie para defender que as pessoas criam, a todo o momento, regras adaptativas para enfrentar as situações que a vida real os apresentam (o que ele chama de oportunistas adaptativos). Emenda ainda que a imitação está nas nossas raízes herdadas de nossos longínquos ancestrais pré-históricos. No entanto, a característica inerentemente social é a que merece maior atenção em seus argumentos. Ele argumenta que o ser humano foi evoluindo sua característica de altruísmo recíproco desde o momento que os caçadores pré-históricos perceberam que era fundamental viver em sociedade e assim aprenderam a cooperar. Onde entra mesmo a simulação computacional nessa estória? Na verdade, não se trata aqui de se usar os métodos tradicionais analíticos de simulação e que existem há mais de trinta anos. O enfoque analítico matemático tradicional não é suficiente para modelar fenômenos sociais que se caracterizam por sua extrema complexidade, não linearidade, diversidade e grande quantidade de variáveis que, por sua vez, normalmente assumem valores incertos. A modelagem desses complexos fenômenos sociais deve ser realizada com modelos baseados em agentes (ABM- Agent-based Models) que permitem representar as regras adaptativas e individuais que ele acredita ser o que caracteriza as pessoas. Essas simulações mesmo ainda incapazes de fazer previsões muito precisas, são ótimas para compreender fenômenos sociais ao se detectar padrões que podem ser matematicamente formalizados. Foi assim, por exemplo, que se descobriu como as redes sociais de relacionamento seguem uma distribuição que segue uma lei de potência como já comentei em um texto anterior (clique aqui para ver o texto que fala do fenômeno Small World). Enfim, considero The Social Atom leitura fortemente recomendada aos pesquisadores das ciências sociais bem como ao de computação. Através de exemplos e de uma narrativa muito fluida o autor é bem convincente de que a exatas e humanas podem se encontrar bem mais rápido do que se podia imaginar poucos anos atrás. A lista de livros interessantes ao lado estará assim sendo atualizada.
Marcadores:
Aget-based Models,
livros,
Mark Buchanan,
O Átomo Social,
small world,
The Social Atom
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Exemplos de Redes Small World
Continuando no tema que vinha discorrendo no texto anterior, a rede de artistas de cinema, por exemplo, é uma rede Small World, pois a distância que existe entre dois artistas de cinema a partir de filmes que eles atuaram é sempre muito pequena (em média seis conexões). Suponha a título de exemplo que queremos analisar a distância de Lima Duarte a Kevin Bacon (dois atores que aparentemente deveriam estar bem distantes). Poder-se-ia verificar que ele tinha atuado com Sonia Braga que tinha atuado com Robert Redford que atuou com Kevin Bacon (somente três passos). Muitos sites hoje em dia promovem um serviço para encontrar as conexões entre artistas a partir de bancos de dados de filmes e músicas. Vejam, a título de exemplo, em um site da Universidade de Virginia nos EUA, que a distância há entre qualquer artista ao superconectado ator Kevin Bacon (clique aqui para acessar). Descobri em outro site, que Gilberto Gil e Phill Collins, dois cantores aparentemente que não tem muito a ver um com outro, estão conectados por apenas seis links (clique aqui para saber quais são essas conexões e realizar outras consultas em uma base de cantores). Em função de seis ser em média o número de conexões de uma rede Small World, este fenômeno é também conhecido de seis graus de separação (six degree of separation já foi título de filme. Clique aqui para saber mais sobre o filme). Como já disse em texto anterior, não é só no mundo das celebridades artísticas se identifica claramente as redes Small World. Ela está junto de nós. Basta você mesmo que está lendo este blog fazer um pequeno exercício. Quantas conexões lhe separam do Presidente americano George Bush? Você acha que ele está muito longe? Pensem e me digam.
Marcadores:
cantores,
ciencia das redes,
filmes,
kevin bacon,
redes sociais,
seis graus de separação,
small world
quarta-feira, 18 de julho de 2007
A Ciência das Redes Explica Porque o Mundo é Pequeno
Um dos livros sugeridos na coluna ao lado, chamado Linked, discorre sobre um dos temas mais fascinantes que tenho estudado recentemente e que alguns pesquisadores têm batizado de ciência das redes. Trata-se de um tema multidisciplinar em que físicos, biólogos, economistas, cientistas de computação e psicólogos dentre outros têm se debruçado. A idéia básica por trás destes estudos refere-se ao fato de que redes tanto naturais (por exemplo, rede de células) como artificiais (como redes de relacionamento entre pessoas) possuem uma forma (dita topologia) padrão. Isso faz como que as mesmas compartilhem várias propriedades dentre as quais o fato de possuírem um diâmetro pequeno (que significa que a distância média entre quaisquer dois pontos da rede não é longa). Outra propriedade importante dessas redes é o fato de possuírem pontos concentradores (hubs) que são largamente conectados. O primeiro a perceber isso foi um psicólogo americano chamado Stanley Milgram que realizou o seguinte experimento. Ele enviou aleatoriamente cartas a diversas residências da cidade de Omaha (no Estado de Nebraska) solicitando que as pessoas as repassassem diretamente a um destinatário em Boston (Estado de Massachussets). Caso a pessoa não conhecesse diretamente o destinatário, ela deveria repassar a carta para alguém com maior probabilidade de fazê-lo. O objetivo de Milgram era saber em quantos passos as cartas chegariam ao destino. Ao final do experimento ele concluiu que em média a carta viajava seis conexões até o destino. Ele assim abriu o campo de pesquisa para se entender as redes Small World (mundo pequeno) que foram como elas passaram a ser conhecidas. A partir de então vários estudos foram sendo feitos com o objetivo de verificar se algumas redes compartilhavam as mesmas propriedades de uma rede Small World. Pesquisas em diferentes domínios foram mostrando que redes tipo small world são mais freqüentes do que se poderia imaginar e que elas estão presentes em contextos naturais como artificiais. A rede de aeroportos mundiais, por exemplo, segue a topologia Small World, pois se pode chegar de qualquer parte do planeta a outro lugar com menos de seis conexões. Na área de saúde, por exemplo, ele permite compreender a velocidade com que vírus se propagam entre pessoas e com epidemias podem ser evitadas. Permite igualmente compreender a estrutura do DNA e de proteínas que parecem se estruturar seguindo a mesma forma. Na UNIFOR estou estudando essas redes em dois contextos diferentes. Estamos verificando como elas podem ajudar a realizar explicações de relacionamentos entre pessoas na web 3.0 e como elas podem ser importantes no contexto das simulações criminais a partir da compreensão de redes de criminosos. Em breve discorrerei mais sobre esses temas.
Marcadores:
ciencia das redes,
linked,
milgram,
mundo pequeno,
redes sociais,
scale free networks,
small world
Assinar:
Postagens (Atom)