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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Jamais diga uma mentira que não possa provar

A frase paradoxal que intitula esse texto é de Millor Fernandes e ilustra o que, ao meu ver, tornou-se a campanha para eleição presidencial. O “debate” (se é que se pode chamar assim) entre Dilma e Serra é talvez o maior símbolo do quanto a política nacional está aquém da Nação e do que Ela merece.

Os candidatos, assessorados por especialistas em marketing, buscam incessantemente encontrar manchas um no outro, e sobretudo, manchas que “peguem”. A campanha virou uma guerra de clichês sem igual. Dilma é favor da morte de criancinhas e é terrorista enquanto Serra detesta nordestinos e vai acabar com o Bolsa Família, só para exemplificar. Sob os olhos da população espantada, mentem e chamam-se de mentirosos. Esse parece ser justamente o único ponto que os faz convergir e provavelmente é onde estão certos.  A eleição se encaminha mais e mais para a escolha daquele que não queremos que seja presidente. Ou seja, será o voto pela exclusão do outro.

Os candidatos são reféns de uma estratégia que eles mesmos criaram. Abdicaram de um debate profundo e puseram-se em um contínuo e desgastante processo de infantilização da população como dito no primeiro turno por Marina Silva. Não conseguem defender nem mesmo aquilo em que acreditam. Consequentemente, não convencem.Tal situação eleva o desgaste da classe política e do processo democrático e só nos dá uma certeza, qualquer que seja o vencedor terá um governo que já entra perdendo.

O próximo presidente não nos ajudará muito a sonhar, nem a pensar no Brasil do futuro. Será presidente, mas não será líder. Como não podemos nos dar o luxo de perder a oportunidade de continuar progredindo, vamos ter que nos auto-motivar e aprender a sonhar por nós mesmos. Mas que a campanha de 2014 começará muito mais cedo, vai.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Nasce um Novo Líder

A grande novidade e também grande vencedora da campanha eleitoral foi Marina Silva. Com pouquíssimo tempo de televisão e uma estrutura partidária raquítica, ela apresentou um carisma que tanto faz falta aos outros competidores. Foi a única que fez o povo sonhar. Embora tivesse o tema do meio ambiente e da sustentabilidade como linha mestra de sua campanha, teve a coragem de colocar o dedo na ferida maior de nossa democracia: a pobreza da política.

Essa campanha pode ser o início de vida de uma líder nacional. Seu principal desafio será criar um verdadeiro partido nacional. Será uma contribuição tão grande como dispor de sua imagem carismática. Lula quando começou sua caminhada tinha o PT com estrutura muito maior que o PV agora. Marina, em seu discurso agregador, fala de esperança, participação, colaboração e outras mensagens positivas que considero muito mais adaptadas ao Brasil de hoje.

Dá-nos esperança.