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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Não quero perder meu voto


Escutei recentemente a frase que é título desta crônica com uma frequência que me surpreendeu. Fez-me refletir. 
A circunstância das eleições municipais na Capital, onde vários candidatos tinham boas intenções de voto, fez com que muitos fortalezenses decidissem seu voto por um critério que a meu ver soa, no mínimo, estranho: votar no mais provável a ganhar, pois afinal “não queriam perder o seu voto”.
Quero esclarecer primeiramente que acho que a grande vitória de todos os eleitores é a de possuir o poder do voto e de usá-lo como considerar correto. Por isso não me agrada discutir o mérito da escolha por um ou outro candidato. Não critico nem mesmo a opção pela não-escolha via voto nulo ou branco (embora particularmente nunca opte por ela). 
No entanto, considerar que o voto bom é aquele dado a quem supostamente tem mais chance de ganhar parece-me equivocado. Afinal, não estamos falando de aposta em uma corrida de cavalos, não? Seria isso fruto de nossa sociedade 
competitiva em que temos sempre que nos mostrar vitoriosos? Talvez, mas o cenário vivido em Fortaleza continha um agravante. 
Estive com frequência rodeado por pessoas que consideravam Heitor Férrer (PDT) o melhor candidato, mas mesmo assim não declaravam que votariam nele porque achavam que ele não iria ganhar. Pois é, ele não ganhou. Não se saberá jamais se teria ido ao segundo turno se esses eleitores tivessem agido diferente. Espero que o resultado final da apuração os tenha feito refletir sobre sua postura.
Afinal, pensar que é possível saber o vencedor antes da eleição é dar valor demais às pesquisas e valor de menos ao candidato e ao próprio voto. Resta-me racionalizar: o exercício da democracia se aprende na prática e nós brasileiros temos ainda pouca experiência. Que o episódio dessa nossa eleição sirva-nos como aula a não ser esquecida do que deve ser um voto vitorioso. 
* artigo publicado na coluna Opinião do jornal O Povo de hoje

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Eles Temem o Quê?


Essa semana que passou foi, para mim, marcante para a política cearense. Depois de uma matéria jornalística que relatava que o Gov. Cid Gomes tinha recebido um presente de um empresário para ir em seu (do empresário) jato particular ao exterior (durante as férias do governador), o deputado Heitor Ferrer fez uma solicitação na Assembléia para pedir maiores informações ao Governador. Não buscava nenhum veredicto, visava pedir informações.

A postura dos deputados foi mais um daqueles exemplos que nos faz perder crença no sistema político. Em particular ressalto a posição daqueles do PSDB que estão em “dúvida” se são oposição ou não (o que mesmo significa essa crise de oposição, eu não sei). O fato é que uma denúncia de irregularidade foi exposta. Mas eles todos (com a exceção do requerente Heitor) decidiram se omitir. Na verdade, essa atitude per se, não me surpreende muito. Afinal de contas as negociatas políticas estão aí diariamente expostas. Não há mais como ser ingênuo, nem como confiar nos representantes que lá estão.

Agora algo nessa história me chamou ainda mais a atenção e aumentou-me a repugnância. Trata-se da explicação dos deputados quando perguntados sobre a questão. Se limitavam a dizer nada com nada. Engoliam as palavras. Não tinham justificativas. O líder do PSDB não sabia o que dizer, mas soltou uma frase fantástica: “O governador Cid Gomes é um homem de bem”. Só tenho uma explicação para descrever tudo isso: tinham medo.

Mas estamos ou não numa democracia? Aliás, mesmo numa ditadura temos bons exemplos de pessoas corajosas. A covardia nunca foi páreo para idealistas. Mas nos dias atuais não há nem idéias, nem corajosos. Será que não percebem que o povo vê isso?

Acho apropriado assistir o vídeo da Dep. Cidinha Campos que circula na Internet. Continua recebendo menções de apoio pela coragem que representa. Pode até não ter provocado resultados concretos, mas como eles são nossos representantes, devem pelo menos expor nossa indignação que é cada vez mais crescente.