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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Esses Filmes Despretensiosos que me Conquistam



Percebo que alguns filmes que nem estão cotados como top podem me tocar de forma marcante. Fiquei pensando se poderia descrever o que então caracterizaria esse meu gosto. São filmes despretensiosos a princípio, mas que, vão gradativamente me surpreendendo. Possuem quase sempre uma temática relacionada às minhas pesquisas sobre o impacto da tecnologia na vida das pessoas. Dois exemplos que merecem menção: Julie e Julia e, mais recentemente, A Vida Secreta de Walter Mitty.

Julie e Julia  retrata a vida de Julia Child, autora de livros de culinária e uma das pioneiras a explorar o tema da gastronomia e das receitas culinárias na televisão norte-americana e de Julie Powell uma tele-atendente do ramo de seguros que decide escrever um blog sobre o principal livro de Julia. A vida das duas protagonistas é descrita de forma intercalada.

O filme me encantou porque retrata de forma leve e descompromissada as diferenças do mundo da comunicação do final do século XX para o mundo deste início de século. O filme apresenta conceitos chave da economia digital de nossos dias. Em especial, ele exemplifica ainda o que significa  cognitive surplus e remix.

Cognitive Surplus foi lançado por Clay Shirky em sua palestra na Conferência Web 2.0 em San Francisco. Ele acredita que as pessoas vão cada vez mais usar o tempo que têm disponível para realizar atividades que lhe interessam “cognitivamente”, i.e. que lhes acrescentem conhecimento, cultura ou meramente prazer. Julie, no filme, faz exatamente isso. Precisa se realizar, o que o trabalho rotineiro decididamente não lhe permite, e para isto resolve escrever um blog.

O segundo conceito, o de Remix, foi lançado por Lawrence Lessig em seu livro de mesmo nome . Lessig é um advogado que em seu livro desconstrói o conceito de direitos autorais (copyright) tal como ele é hoje. Ele advoga por uma reformulação das idéias de base do conceito e um de seus argumentos repousa na, cada vez mais  frequente, capacidade das pessoas de renovar (remixar?) produtos com diferentes abordagens, apelos e normalmente em uma mídia digital. 

No filme, Julie, em seu blog, faz exatamente isso. Ela explora o livro de Julia e tenta reproduzir as receitas lá descritas. É uma espécie de revisitação das receitas e dos desafios de reproduzi-las. Não quero descrever todo o filme, mas basta salientar que as diferenças do sistema de marketing e publicidade dos trabalhos das duas também está presente no filme. Mesmo para os que não estão muito afeitos à tecnologia, recomendo o filme mesmo que somente pela versátil atuação de Meryl Streep ao interpretar Julia.

A Vida Secreta de Walter Mitty me conquistou mais ainda. Trata-se de um remake do Homem de oito vidas  produzido em 1947 com Danny Kaye e Virginia Mayo. A nova versão produzida pelo filho do produtor da versão original Samuel Goldwin Jr. tem Ben Stiler como diretor e ele mesmo atua como Walter Mitty. Walter é um sujeito sonhador e  responsável pelo departamento de arquivo e revelação da tradicional revista Life. A revista  deixará de ter uma versão impressa para ter apenas conteúdo online e aí começa uma história com enredo divertido e com dois aspectos que me chamaram fortemente a atenção.

Novamente vem à tona os impactos provocados pela Era Digital. Walter está em vias de ser despedido, muito embora tenha trabalhado com afinco para a Empresa durante longos anos, simplesmente porque sua função, a de revelar fotografias, deixará de existir. Aliás, quem no futuro conhecerá alguém que revelava fotografias?

Outro fato revelador (com o perdão do trocadilho) dessa nossa Era é a relação de Walter com um atendente da e-harmony, um site destinado a encontrar namorados(as). Walter, por ser alguém de vida simples e pacata, tem um perfil muito pouco atrativo. Nesses nossos dias de superexposição midiática, redes sociais e etc. estamos a todo momento buscando nosso momento de celebridade. Um artigo no Facebook contando nossas aventuras e que recebe vários curtir é uma massagem forte no ego, não? Walter, no entanto, tem pouca possibilidade de contar algo a ser curtido, a ser invejado, a ser compartilhado. Ele tem tão pouco a contar, é, por isso, pouco atraente (so boring)

Mas por que não contar seus sonhos? Eles lhe parecem tão reais! Aliás, mesmo para o espectador é difícil distinguir o que é sonho e o que é realidade na vida de Walter. Aqui para nós, mentir em perfis virtual não é nada muito extraordinários, não? Pesquisas sobre a veracidade do que se diz em sites de encontros e namoros mostram que as pessoas tendem a ser bem benevolentes consigo mesmas. As pessoas são sempre “um pouquinho” mais bonitas, inteligentes, despojadas, enfim, são aquilo que querem ser. Walter conseguiu isso?

Sem querer contar mais sobre o filme, não posso, no entanto, deixar de mencionar os efeitos visuais, os cenários e a fotografia que formam outros grandes méritos do filme.

Para finalizar, não poderia deixar de escrever sobre a ótima trilha sonora, em especial, a mixagem feita em Space Oddity do grande David Bowie (já havia postado outra ótima dele aqui) com a própria atriz Kristen Wiig. Escutem-na abaixo e tenham também uma breve ideia da belíssima fotografia.

terça-feira, 8 de abril de 2014

A Emoção de Escutar Led Zeppelin

Até Led Zeppelin se emociona. Só para deleite. Sem comentários.